Home - Opinião - As eleições, os políticos e os funcionários públicos. Autor: Nuno Tavares Pereira

As eleições, os políticos e os funcionários públicos. Autor: Nuno Tavares Pereira

Normalmente de quatro em quatro anos temos alguma instabilidade em muitos lares do nosso país. Tudo isto porque nas eleições locais se joga sempre muito o futuro de muitas famílias. Umas directa, outras indirectamente e outras ainda porque fazem parte da própria luta de poder.

Nessas eleições os que podem perder, são os que estão no poder, isto porque podem ter de voltar para onde anteriormente estavam, e alguns bem longe dos seus lares, e outros voltar para o feroz mundo privado, onde provavelmente alguns nunca estiveram na vida. Sim, muitos nunca na sua vida dita profissional trabalharam no sector privado, onde não sabem o que vai ser o dia de amanhã, por quanto tempo vão ter emprego, quando vão receber, e se conseguirão alimentar a sua família que anseia pelo esforço do seu trabalho.

Voltamos então ao sector que aparentemente é o mais afectado nestas alturas, o não corresponde de todo à realidade. São os funcionários públicos na sua maioria ou directamente ligados a eles. Mas vamos lá analisar, esse é mesmo o sector que menos é afectado, pois com a mudança do poder 99 por cento dos funcionários públicos mantêm-se no mesmo posto, uns por competência e outros porque é eticamente feio mandar alguém embora e substituir por outros. O sector público é mesmo isso. Algo que tem estabilidade contratual e por isso mesmo onde se podem tomar as decisões políticas que se bem entende.

Não é o funcionário público que está em risco nas eleições, mas sim os políticos que perdem. Esses sim, podem perder muito, principalmente a estabilidade de que goza a maioria dos funcionários públicos. Quem ganha com a mudança do poder serão os novos políticos que passam a gozar dessa tal estabilidade laboral. É por isso que quando muda o poder, o que está em causa são os lugares políticos e nunca os lugares só sector público, embora muitos políticos queiram pressionar os funcionários públicos a tomarem opções políticos, demonstrando que podem ser afectados com as suas decisões que as suas opções forem diferentes da do poder.

No final os funcionários públicos continuam no mesmo local, com algumas raras excepções e quem muda são os políticos. As eleições locais são por isso uma mudança de poder que afecta os políticos e não os funcionários públicos. Pelo menos, a sua maioria.

 

 

 

Autor: Nuno Tavares Pereira

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