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“As mãos que desafiaram a montanha” na comemoração de uma década do museu Natural da Electricidade de Seia

Instalado na antiga Central Hidroelétrica da Senhora do Desterro, em São Romão, no concelho de Seia, o Museu Natural da Electricidade celebra domingo (11 de Abril) uma década de existência. Para assinalar a data, este espaço museológico dedicado ao conhecimento da produção de energia elétrica do século XX, concretamente à história do Aproveitamento Hidroelétrico da Serra da Estrela, escolheu evocar trabalhadores do início da construção deste Aproveitamento, dedicando-lhes a instalação “As mãos que desafiaram a montanha”.

A exposição ficará patente no Túnel da Central Museu e relembra os Homens que desafiaram o rigor climático e a dureza da montanha, que com redobrado esforço e ferramentas rudimentares desbravaram granito, numa época em que as estradas não existiam e a tecnologia e maquinaria eram desconhecidas.

Foi pela mão-de-obra de assalariados sazonais, provenientes das aldeias circundantes da serra, que a Empresa Hidroelétrica da Serra da Estrela construiu o conjunto de equipamentos que compõem o Aproveitamento Hidroelétrico da Serra da Estrela. Um sistema electroprodutor composto por 6 centrais hidroelétricas em funcionamento e 2 centrais desativadas, construídas entre 1909 e 2003, entre eles a Central Hidroelétrica da Senhora do Desterro, hoje fruída como património museológico, sob a tutela do Município de Seia.

Em certos anos os trabalhadores da Empresa Hidroelétrica da Serra da Estrela em serviço nas obras da serra contavam-se aos milhares acorrendo das aldeias em redor da montanha, de abril a outubro, na esperança de ter uma boa época de trabalho. Eram maioritariamente trabalhadores rurais que, após as sementeiras, entregavam a labuta dos campos às mulheres e às crianças, partindo “serra acima” na esperança de amealhar dinheiro que desse comida à família durante o período de inverno.

“O Aproveitamento Hidroelétrico da Serra da Estrela é, assim, obra de trabalhadores anónimos, contando-se às centenas aqueles que gastaram a sua vida nas edificações para a produção de energia elétrica sem nunca terem conseguido servir-se desse melhoramento em suas casas. A eles, o justo reconhecimento”, conclui uma nota da CM de Seia.

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