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ASE acusa CM de Oliveira do Hospital de poluir rio Seia com ferro e betão no Açude da Ribeira

A Associação Cultural dos Amigos da Serra da Estrela (ASE) considerou a empreitada de requalificação da zona de Lazer do Açude da Ribeira no rio Seia, em Ervedal da Beira, concelho de Oliveira do Hospital, como uma “construção dos monstros”, referindo que “não há outra designação possível” para a estrutura que foi construída naquela zona. A ASE considera que, neste caso, existe “desrespeito pelo património natural e de intervenção humana excessiva, sobrepondo a ‘obra feita’ aos valores naturais” e acusa a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital de poluir “o rio e suas margens com toneladas de ferro e betão”.

“Para evitar a habitual situação do ‘facto consumado’, deverão as obras ser sustadas de imediato, sendo demolidas as estruturas já construídas, que não só destroem irremediavelmente a qualidade da paisagem, como violam pelo menos duas das condições impostas pelo ICNF: não causar alterações no leito ou nas margens do Rio Seia e não modificar ou destruir as estruturas geológicas – que aliás deviam ter levado à rejeição pura e simples do projecto”, refere aquela Organização não-Governamental de Ambiente, frisando que as actuais edificações “devem ser substituídas por estruturas mínimas e enquadradas no meio natural”.

“A referida construção, demonstra a necessidade de uma protecção acrescida em relação à região envolvente do Parque Natural da Serra da Estrela e que constitui a continuidade do mesmo, bem como a forma como as entidades supostamente ‘fiscalizadoras’, nomeadamente a APA, o ICNF e a CCDR, se demitem das suas responsabilidades, permitindo toda a espécie de atentados ao ambiente que deviam proteger”, continua aquela entidade sediada em Manteigas.

Salientando que o Vale do Rio Seia “é (era?) uma das jóias da zona envolvente da Serra da Estrela”, cujas margens, devido à ausência de povoações junto ao leito ou estradas paralelas ao mesmo, se encontra em estado próximo do natural e apesar de um problema grave de poluição, a ASE refere que este aspecto pode ser resolvido com o tratamento das águas residuais que o provocam. “Apesar de afectado pelos incêndios, nomeadamente de 2017 e deste ano, tem grande potencial de regeneração com espécies maioritariamente autóctones, podendo constituir um exemplo do que deve ser a preservação e recuperação de paisagem natural”, sublinha aquela organização ambientalista.

“A construção dos monstros no Açude da Ribeira constitui, pelo contrário, um exemplo infelizmente comum no nosso país, de desrespeito pelo património natural e de intervenção humana excessiva, sobrepondo a ‘obra feita’ aos valores naturais, num frenesim de artificialização de que são tristes exemplos a moda da construção excessiva de passadiços (mesmo de madeira) em locais onde o acesso de visitantes podia ser garantido com a limpeza e recuperação das veredas existentes há séculos, ou a também excessiva artificialização das infra-estruturas e acessos em muitas praias fluviais”, referem acusando “a Câmara de Oliveira do Hospital, com a infeliz colaboração das entidades que tinham a obrigação de fiscalizar, decidiu levar ainda mais longe a artificialização, poluindo o rio e suas margens com toneladas de ferro e betão”.

A Associação Cultural dos Amigos da Serra da Estrela assegura que existem alternativas e que a própria ASE já realizou projectos que não afectam a paisagem. Dá como exemplo os percursos que recuperaram no concelho de Manteigas e no Vale do Rio Bejames (Covilhã). “Criámos uma rede de veredas, recuperando e reabilitando antigos caminhos, utilizando apenas material e pedra existentes no local, que garante o acesso de visitantes em óptimas condições e não tem qualquer impacto visual e paisagístico, não se sobrepondo à paisagem natural, não tendo os custos de construção e manutenção dos passadiços e não sendo combustível, como ficou demonstrado no incêndio que devastou o referido vale em Agosto deste ano”, remata aquela organização.

A tomada de posição da ASE é mais uma contra a empreitada de “Requalificação da Zona de Lazer do Açude da Ribeira de Ervedal da Beira” assinado no dia 8 de Novembro de 2021 entre o Município de Oliveira do Hospital e a empresa Pavisteel, Lda. O projecto, que consistia, segundo a autarquia, numa “intervenção de natureza paisagística que procura a fruição de uma zona de lazer, em espaço natural, tirando partido do espelho de água e da paisagem característica da zona”, tem sido alvo de muitas críticas dos locais que promoveram mesmo uma Petição Pública contra aquela obra que custou mais de 400 mil euros.

A ideia de criar a Associação Cultural dos Amigos da Serra da Estrela (ASE) surgiu em 1981, quando um grupo de amigos decidiu organizar um passeio para comemorar o Centenário da 1.ª Expedição Científica à Serra da Estrela, organizada pela Sociedade de Geografia de Lisboa, o que deixou os participantes preocupados com a preservação daquela região.  E, em 22 de Janeiro de 1982, surgiu, com sede em Manteigas, esta Organização não-Governamental de Ambiente (ONGA) portuguesa, registada na lista oficial das Organizações Não-Governamentais de Ambiente e Equiparadas que fundada e. É uma das principais referências de defesa ambiental na Serra da Estrela, o ponto mais alto de Portugal continental, é filantrópica, com mais de 1180 Associados. É também uma das ONGA mais antigas no pais. Vive do voluntariado dos seus membros e amigos, cuja motivação comum é simplesmente a preservação da Serra da Estrela enquanto património nacional.

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