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«Até tu, Francisco Rodrigues, me apunhalas ?» Autor: Carlos Martelo

Comédia Bufa: II Ato

«Até tu, Francisco Rodrigues, me apunhalas ?» Autor. Carlos Martelo

Assim poderia ter exclamado Mário Alves, há 20 anos atrás, ao ser, por Francisco, apunhalado pelas costas!

O agora candidato à Câmara pela aliança desenterrada entre PSD e CDS/PP no nosso Município, o senhor Francisco Rodrigues, trás consigo uma história autárquica muito complicada, mesmo muito carregada de zonas obscuras que seria esclarecedor trazer agora à luz nesta campanha eleitoral, pelo menos.

Por exemplo, até 2001 foi um quadro partidário do PSD dos mais responsabilizados em Oliveira do Hospital. Lembramo-nos dele ser coordenador de uma das campanhas eleitorais, enérgicas, de Cavaco Silva.  Lembramo-nos dele como chefe de gabinete do então Presidente da Câmara pelo PSD, o senhor Carlos Portugal e também este mais tarde apunhalado por interpares partidários em Oliveira do Hospital e em Coimbra.

Chegávamos, entretanto, a 2001, ano de eleições autárquicas. Com estrondo partidário, e não só partidário, Francisco Rodrigues passa-se então para o PS e é eleito vereador por este partido nessas autárquicas, assumindo oposição a Mário Alves no Executivo Municipal no mandato entre 2001 e 2005.

As «contas» pré-eleitorais (e não só as «contas» pré-eleitorais…) que Francisco terá então feito, não lhe bateram certas.  Nas autárquicas em 2001, Mário Alves, então «chefe» do PPD/PSD concelhio, é eleito como Presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, o que obviamente agrava o mal-estar entre ambos.  Ao que se soube, e haverá aqui sempre alguma margem para especular, Mário Alves e o PSD local chegaram mesmo a ponderar mover um «processo disciplinar» na Câmara Municipal, e até um processo em Tribunal, a Francisco Rodrigues, por alegada quebra de confiança enquanto funcionário municipal que Francisco Rodrigues era (aliás como continua a ser).  ” Ao que se ouviu cá por fora, Francisco Rodrigues, perante a para si inesperada vitória de Mário Alves, «utilizou artes informáticas» nos computadores da Câmara que usava para seu serviço como funcionário municipal.   Foi o que, entre outras das suas habilidades, se falou à época.

Hoje, só Mário Alves estará bem colocado para confirmar ou desmentir detalhes desta situação mas presume-se que não esteja nada interessado em abrir a boca, ainda mais agora, e não a vai abrir nem mesmo para falar com o travesseiro.

Em todo o caso, os fatos principais e as principais ilações do processo não são anuláveis por «detalhes» não confirmáveis do mesmo.

Nesta altura conturbada, e ainda antes das Eleições desse ano de 2001, Francisco Rodrigues conseguira ser deslocado para a Câmara Municipal de Coimbra também como condição para vir a ser candidato pelo PS como foi em Oliveira do Hospital.  Nisso, e também ao que se soube, teve uma ajuda da mão «vingativa» de Carlos Portugal que, muito pela influência direta de Mário Alves, fora corrido, meses antes do final do seu 2º mandato (entre 1997 e 2001) de Presidente (PSD) da Câmara em Oliveira do Hospital.

A transferência de Francisco é apadrinhada pelo PS que ainda estava na Presidência da Câmara de Coimbra (Manuel Machado) embora a tenha perdido para o PSD (Carlos Encarnação) nas Eleições no final desse ano de 2001.   Portanto, Francisco é admitido ainda pelo Executivo PS na Câmara Municipal de Coimbra onde passa a exercer funções, ao que parece também enquanto «estuda» na Universidade.

A Câmara Municipal de Coimbra foi assim como que uma espécie de albergue de conveniência para Francisco Rodrigues que se transformou, vamos dizer, num político «de transumâncias» (sem ofensa) entre partidos e entre Câmaras.

Neste período, ouviu-se Mário Alves, o «atraiçoado» líder do PSD e Presidente de Câmara, dizer o piorio de Francisco Rodrigues.  A nível partidário e a nível pessoal.

Nos momentos mais críticos da contenda, ainda Mário Alves, que para si próprio sempre atribuiu uma muito elevada cotação política, poderia até ter exclamado: – «Até tu, Francisco Rodrigues, me apunhalas ?!» – inspirando-se no célebre (segundo Shakespeare): – «Et tu, Brute ?» («até tu, Brutus ?») do Júlio César,  ditador de Roma perante os seus algozes que o apunhalaram, à vez, no Senado Romano.

Mas ainda houve descaramento suficiente para algum tempo depois, voltar a admitir Francisco Rodrigues na Câmara (PSD) em Oliveira do Hospital, assim tipo «madalena arrependida», da parte dele, e assim como «julgadores arrependidos», da parte de Mário Alves e do PSD.

A vida continuou e aparecem Alexandrino e o PS para tomarem conta da Câmara Municipal a partir de 2009 e até agora.  No caminho, «contratam» Francisco Rodrigues outra vez e, sob compromissos de fidelidade pessoal (a Alexandrino) e partidária (ao PS), levam-no para a sombra dos gabinetes camarários e para a rua como o mais funcional dos quadros técnicos autárquicos aí ao serviço de Alexandrino e da maioria PS no Executivo Municipal.  Desta forma, Francisco Rodrigues volta a ser um quadro técnico e também político «de aluguer» e, em última análise, de novo ao serviço operacional do PS, em Oliveira do Hospital.

O homem é pretensioso.  Tem aspirações à notoriedade e trabalha para ela.  É apessoado e faz por usar gravata.

Sentindo uma oportunidade eleitoral com a mudança do cabeça de lista do PS à Câmara, Francisco Rodrigues fez-se zangar com este partido e invade outra vez o PSD local onde se impõe e é imposto como candidato à Câmara Municipal.  Pois também é manobrista experimentado, como já demonstra a sua história política que é pequena em valores de ética política e partidária mas, ainda assim, dilatada no tempo. Mas, continuam a aparar-lhe as jogatanas.  Cuidado, computadores municipais!

 Autor: Carlos Martelo

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