Home - Sociedade - Cultura - Batalha de Aljubarrota – A Real Batalha – 14 de Agosto de 1385 – Faz 632 Anos. Autor: João Dinis, Jano

Batalha de Aljubarrota – A Real Batalha – 14 de Agosto de 1385 – Faz 632 Anos. Autor: João Dinis, Jano

Viva Portugal !  Livre, Soberano e Independente !!!  Viva !

Sim, a 14 de Agosto de 1385, fez 632 anos que o exército Português e os seus Patriotas derrotaram os invasores Castelhanos e algumas hordas de traidores “portugueses” e de mercenários Franceses, na célebre “Batalha de Aljubarrota” (menos conhecida como a “Real Batalha”), mais propriamente travada no espaço do “Campo de S. Jorge”, hoje situado no concelho de Porto de Mós.

Batalha célebre por uma série de circunstâncias, pelas suas notáveis características “em combate” e pelas extraordinárias consequências políticas e sociais.

Há inúmeros e fundamentados estudos, relatos, ensaios, inventários, descrições detalhadas, e há as belas “crónicas” de Fernão Lopes embora estas, em algumas das suas abordagens, contradigam outros relatos e estudos objectivos, nomeadamente quanto à escolha criteriosa do terreno de combate por parte do alto comando Português, onde se destacavam D. Nuno Álvares Pereira e o próprio rei D. João I.  Estes eram, ambos, militares profissionais já muito experimentados (embora ainda relativamente jovens) e de certo também foram bem aconselhados.  Tinham a seu lado, embora dentro de inquebrável cadeia de comando, Capitães Portugueses de bravura e destreza a toda a prova e tinham uma “tropa de elite” composta por mercenários Ingleses – archeiros e besteiros – contratados para combaterem do nosso lado.  Mas o mais espantoso e, em última análise, mais determinante de tudo, é que D. Nuno Álvares Pereira e D. João I de Portugal eram obedecidos e seguidos, com a maior valentia, pelo Povo “em armas” ainda que armado estivesse com um simples varapau encimado por “chuço” aguçado ou por uma sachola de um ou dois bicos ou por pesada marreta!

Sim, para esperar e dar batalha planificada às hordas Castelhanas com 40 mil homens supostamente comandados pelo próprio Rei D. Juan I, de Castela, não aconteceu por acaso a escolha daquele apertado espaço de terreno para nele tirar o maior partido dos obstáculos naturais e construídos de propósito. De igual forma, foi “conseguido”, pelo lado Português, que o combate se desse naquele momento-hora do dia, já para o fim de uma tórrida tarde de Agosto em que os Castelhanos e seus “aliados” iam chegando muito espaçados, e já cansados, ao “Campo de S. Jorge” e imediações…

Também mais do que mera táctica, foi estratégica a opção, criativa e corajosa, pela “táctica do quadrado” com a disposição, a condizer naquele terreno, do exército Português para aceitar e logo potenciar o combate a nosso favor.  Em Aljubarrota, do lado Português e dos Patriotas, estiveram de certeza militares profissionais – os mercenários Ingleses por exemplo – já familiarizados com essa “táctica do quadrado” aplicada e desenvolvida, muito por força das flechas dos Arqueiros e dos virotões dos Besteiros, durante a “Guerra dos Cem Anos” entre França e Inglaterra.  Ao que se diz, o próprio D. Nuno Álvares Pereira – o nosso eterno “Condestabre” – conhecia-a bem e seguramente já desde antes de 1383, a data do início da nossa “revolução armada” em defesa da Independência Nacional face a Castela e seus “agentes” e colaboracionistas  em território Português…

Ao fim e ao cabo, em Aljubarrota, foi executada uma “táctica” militar em si própria inovadora mas ali adaptada em função daquele espaço de terreno e das forças em presença.  Foram escolhas e ambientes, mais do que criteriosos, para enfrentar – com algumas hipóteses de êxito – o muito numeroso e bem armado exército de Castela que dispunha de numerosa Cavalaria “pesada” onde pontificavam mercenários Franceses e muitos traidores “portugueses” também.

A “tática do quadrado” e o combate organizado a pé – o “pé no chão” – foram recursos “inventados” em batalhas várias por guerreiros “pobres” – pelo Povo em armas e seus comandantes – e por isso mesmo “especializados” em terem que combater mal armados, mal treinados, sem recursos militares de monta… A Cavalaria “pesada”, que foi característica da Idade Média, com cavaleiros da “nobreza” a cavalo e dentro de pesadas armaduras, com compridas lanças em riste, eram meios e métodos caros e que exigiam treino aturado e permanente, anos a fio.  Sim, os “ricos” e os “nobres”, esses, estavam por Castela, bem armados, arrogantes também, cheios de excesso de confiança… Mas foram rapidamente apeados e esmagados, muitas vezes até uns contra os outros ou amontoados no chão ou debaixo dos cavalos. Outros deles foram feitos prisioneiros pelos Portugueses, logo desde o início da batalha e, já nessa condição, foram chacinados ainda durante a refrega, circunstância “dura” mesmo para aquela época de chacinas frequentes.

A batalha – há dela descrições impressionantes embora com alguma “imaginação” – teve momentos épicos de tensão e brutalidade plenas, de ruídos múltiplos em “cocktail”, de sofrimento, e de muito brilho táctico com forte capacidade de comando, de brio patriótico, de determinação e coragem por parte dos Patriotas Portugueses e também dos seus aliados !

D. Nuno Álvares Pereira e D. João I de Portugal passaram a maior parte do combate a combater também eles apeados, a pé, ombro a ombro com seus valentes Capitães e Soldados em geral. O Rei de Castela, ao que nos é dito, vinha adoentado e sem grande convicção. Saiu da zona, com o rabo entre as pernas, logo que o combate começou a complicar-se para o seu lado e só sossegou bem longe, dentro do navio que o havia de levar – vencido – de regresso a Castela…de onde não tardou a retaliar embora sem tentar nova invasão “pessoalizada”…

Depois, os Portugueses – Patriotas – lutaram em Aljubarrota (e noutras batalhas) como se fossem um só homem, e assim defenderam as suas vidas, claro, mas com uma motivação prodigiosa que era a de saberem que estavam a defender o seu terreno, as suas Famílias, a sua Pátria, sentimentos e objectivos que os invasores certamente não tinham.  E as Populações de vasta região a partir do “Campo de S. Jorge” (Aljubarrota), também sabiam muito bem o que se passava… Apanharam, aprisionaram ou mataram os fugitivos Castelhanos, às centenas !  Aliás, terão morrido, por essa via, mais elementos em fuga do exército de Castela do que aqueles que morreram em combate directo no campo de batalha!  A tradição Lusa preservou e condensou esses episódios pós-batalha, na lenda da “Padeira de Aljubarrota” e em um nome – Brites de Almeida – a intrépida Mulher Portuguesa que deu cabo, com a pá do forno de cozer o pão, para aí, de uma dúzia de Castelhanos fugitivos …

Diz-se hoje que em 1385, à data de Aljubarrota, ainda não havia a consciência nacional de “Pátria” formada entre os Portugueses. Enfim, concedamos que, hoje, a noção de Pátria seja um pouco diferente, talvez mais nítida felizmente que ainda em muita Gente de hoje.  Mas não haja dúvidas que em Aljubarrota e noutras batalhas dessa guerra – prolongada que ela foi — pela Independência Nacional, havia elevada consciência da “Pátria”, por ventura mais ligada do que hoje é ao solo de cada um e ao solo mais nacional.

Houve, isso sim, os traidores “portugueses” que venderam Pátria, Família e os Santos da devoção e que se bandearam para Castela para tentar preservar os seus privilégios. Esses traidores é que vieram em armas – e por regra bem armados – lado a lado com Castelhanos e Franceses para tentar matar Portugueses, em Portugal. Aconteceu-lhes o contrário. Foram eles mortos, feitos prisioneiros, perseguidos, humilhados, derrotados, sem apelo nem agravo !

Sem as repercussões, tremendas, da vitória em Aljubarrota,

as coisas para nós não seriam o que foram depois…talvez nem sequer  parecidas…

É uma das grandes caraterísticas de Aljubarrota o próprio facto de lá terem participado, e um contra o outro, os dois Reis beligerantes – o de Portugal e o de Castela. Outra característica foi a enorme desproporção – favorável a Castela – em homens e recursos militares, o que não impediu a sua derrota estrondosa infringida pelo exército mais pequeno, pior armado e teoricamente pior treinado, e que era o exército de Portugal e dos Patriotas… Foi uma batalha cujas condições e desfecho tiveram grande impacto na Europa.

Do ponto de vista “mais” político e histórico, Aljubarrota representou e representa a defesa e a consolidação da Independência Nacional contra uma forte potência invasora – Castela – que tinha óbvias pretensões a dominar o espaço e a vida nacionais e que para isso nos trouxe a guerra para dentro da nossa “casa”.

Aljubarrota deu bases políticas, sociais e de consciência nacional – lá está – para lançar Portugal rumo a outras paragens e a outras sortes através dos Descobrimentos e apesar da mal sucedida e imediata aventura “prévia” por  terras e cidades do Norte de África. Enfim, como “coisa” menos boa, Aljubarrota também esteve nas origens da origem da Casa de Bragança, da Dinastia dos Braganças e por aí fora…

Aljubarrota e a luta em defesa da Independência Nacional – luta que veio a ter outros períodos históricos igualmente críticos – demonstram que defender a Pátria é um objectivo mais do que legítimo e sentido. Demonstrou que há uma “força” capaz de despoletar e desenvolver sentimentos e convicções de unidade, com manifestações criativas de generosidade e de valentia a qualquer o custo.

A defesa da Independência Nacional também se fez – e se faz – contra os “traidores” de todas as cores que sempre nesses períodos se “bandeiam” – olá, genial Fernão Lopes, bela expressão esta, a do “bandear” ! – para o lado dos “poderosos” e dos invasores quanto mais não seja para preservarem os seus privilégios. Para isso, “vendem” mesmo a Pátria, a Família e os Deuses e Santos.

Viva Portugal Livre, Soberano e Independente !

Hoje, face à “invasão” da CEE e agora desta União Europeia – “invasão” em que vale de tudo, inclusivé tirar a camisa, a pele e os olhos às Portuguesas e aos Portugueses – Portugal tem vindo a perder elementos estruturantes da sua Soberania e da sua Independência.  É o Euro, a moeda da nossa submissão e da nossa desgraça – são os Tratados de Lisboa e quejandos – é o “Pacto Orçamental” – está a ser a “Política de Segurança Comum” e será o “Exército Comum Europeu” dentro do “chapéu” da NATO –  etc…

Pelo meio, também já há mais de três décadas de traições em que abundam os traidores “portugueses” de todas as cores.  Bandeiam-se seja lá para onde for, afinal como sempre fazem os traidores na esperança de preservarem ou arranjarem privilégios.

Mas pronto.  Para Espanha, em 1580, se perdeu a Independência Nacional durante 60 anos, até se recuperar de novo em 1640.  Afinal, com esta CEE e esta UE ainda “só” lá vão 31 anos…  Portanto, não há que desanimar na luta pela recuperação da Soberania e da Independência Nacionais e pela recuperação da Dignidade das Portuguesas e dos Portugueses !!

Viva Portugal – Livre – Soberano – Independente !!!     Viva !

 

 

………………………………………………………………………………………………….

 

E para amenizar um pouco esta nossa conversa sobre Aljubarrota, nada como recorrer ao “incorrigível” lírico e talentoso “re-escrevedor” da nossa História colectiva, o emérito Luís Vaz de Camões:

 

– Os Lusíadas –

 

–  Canto IV –  Estrofe  28

 

– “ Deu sinal a trombeta Castelhana.

Horrendo, fero, ingente e temeroso,

………………………………………………………………

 

E as mães, que o som terríbil escutaram,

Aos peitos os filhinhos apertaram “.

 

Canto IV  –   Estrofe  33

 

“ Se lá no reino escuro de Sumano

Receberdes gravíssimos castigos

Dizei-lhe que também dos Portugueses

Alguns tredores (traidores) houve algumas vezes “.

 

 

Viva Portugal – Livre – Soberano – Independente !!!     Viva !

Autor: João Dinis, Jano

LEIA TAMBÉM

“Bilhete Postal” desde a Cidade – Oliveira do Hospital: “Camuflagem urbana” da estátua da menina que voa nua por entre as árvores. Autor: João Dinis

Ali se pode apreciar o contexto, um pouco abaixo da “nova” Rotunda Armindo Lousada – …

Piscinas municipais em Seixo da Beira encerradas. “Apenas e só (?!) por não haver Nadador-Salvador “ – diz Junta de Freguesia local. Autor João Dinis

Não pretendo polemizar com ninguém e menos ainda com a Junta de Freguesia de Seixo …