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“Bilhete Postal Aberto” para o Sr. Presidente da CM de Oliveira do Hospital. Autor: João Dinis

A propósito daquele “Baloiço” por sobre o Vale do Mondego, na Cordinha

Há horas felizes…há ideias simples e felizes…há momentos destes tempos que se fazem acertar bem com a vida…

Falamos daquele “Baloiço” alto e altaneiro, instalado ao cimo de Vale de Ferro, muito perto do “Estradão” que ladeia o Vale do Mondego, desde cá de cima, entre as freguesias de Seixo da Beira, Vila Franca da Beira e Ervedal da Beira, nesta nossa “Cordinha”, a Norte do nosso concelho de Oliveira do Hospital e (Nordeste) do nosso distrito de Coimbra.

O “Baloiço”, por enquanto, está transformado em local de autêntica “romaria” de muitas e variadas Gentes.  Situado não muito distante do ainda muito procurado Santuário de Santa Eufémia (Paranhos da Beira – Seia) e muito perto da Capelinha de Nossa Senhora das Necessidades, (em Vale de Ferro – no extremo Norte da freguesia de Ervedal da Beira). Ancestralmente, este local, com a Capela e Santa, foram alvos de grande Romaria – Festa (anual, em Maio) onde acudia o Povo das redondezas e não só.

Ou seja, não lhes faltam, ao local e ao “Baloiço”, digamos assim, nem boa vizinhança nem boas tradições…  De alguma forma, que não se lembre agora, “alguém” ligado à matéria, de instalar, ali mesmo, o “Santuário do Baloiço” sobre o Mondego !…

Mas queremos, e sinceramente, enviar “parabéns” aos jovens autores da iniciativa do “Baloiço” ainda que a “inspiração” já venha desde antes e, pelos vistos, se esteja a propagar ainda agora.   Parabéns !

E, agora sim, o “Bilhete Postal Aberto”

para o Sr. Presidente da Câmara Municipal…

Sabemos que já por lá passou, no “Baloiço”, o Sr. Presidente da Câmara Municipal. Enfim, ele não iria perder mais uma oportunidade para aparecer… Fez bem.

Esperamos agora que – finalmente –  tenha visto com olhos de ver toda aquela bonita e respeitável zona, com os montes e vales encaixados, com o Mondego em fundo…e também com a feiura triste da região estar desflorestada em consequência de tanto e periódico Incêndio dos quais se não tem recuperado sobretudo até em termos de Natureza.

Talvez o Sr. Presidente da Câmara  tenha dado uma mirada, para Sul, até à Penha da Póvoa, e reconhecido quão belo miradoiro lá poderá ser instalado de forma segura !…  E até tenha sido capaz de descobrir o morro em cujo cume “jaz”, despedrado, soterrado e abandonado, o Castro do Vieiro – ou Crastro da Póvoa – “restos” esquecidos de uma muito antiga povoação castreja.  Vestígios de antepassados, dos mais antigos por aqui, que se exige sejam preservados, dignificados e divulgados… E a Este deste Castro, a uns 500 metros a voo de pássaro, mantêm-se “camufladas” na encosta, as “ruínas” – umas 15 ou 16 casas destelhadas e “desorbitadas” sem janelas — da (ex) aldeia do Vieiro que está desabitada há uns 50 anos mas que foi habitada por Pessoas que por ali viveram, trabalharam, sofreram e amaram.  Merece o nosso respeito, e a nossa visita, a aldeia desabitada do Vieiro

E que vertendo os olhares por aquelas encostas a descer e a subir, esperemos que o Sr. Presidente da Câmara também tenha interpretado o drama que, acima e abaixo, por lá se desenrola.  Com a desflorestação…a erosão das terras a “escorrerem” cá para baixo para o Vale…os matagais a abraçarem-se satisfeitos e a prepararem o próximo incêndio…os penedos nus a formarem “jardins de pedras”…  Por assim dizer, é um enorme e impressivo quadro de Natureza post-mortem

Todos sabemos que, por motivos conhecidos, as nossas Terras estão despovoadas, sem Gente.  Falta-nos melhores condições de vida.   A falta da Floresta, onde tanta houve já, piora bastante a falta dessas condições.  Reflorestar, reflorestar, deve ser prioridade mas, para que tal aconteça, é primeiro necessário adoptar um sistema-base capaz de proporcionar meios e motivações para isso e, claro que, em estreita colaboração entre Autarquias, Governo e População.  Que nos diz o Sr. Presidente da Câmara sobre isto ?

E será capaz de reconhecer, o Sr. Presidente da Câmara Municipal, que aquele “Estradão” em terra batida e irregular, solta toda aquela poeirada que nos envolve, por fora e por dentro, no calor do Verão ? E que fica praticamente intransitável no Inverno, com a chuva? Sim, Sr. Presidente da Câmara, o “Estradão” fundeiro ao Vale do Mondego já devia ter sido pavimentado – há anos – e pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e ainda o não foi!

E se desceu um pouco, o Sr. Presidente da Câmara, até Vale de Ferro, terá aí revisitado a povoação vetusta que tem sido paulatina e esforçadamente recuperada sobretudo por um casal de cidadãos Belgas que já por lá vivem há mais de 20 anos.  E que lá têm investido centenas de milhar de euros.  Sem ajudas públicas. Nem sequer – Câmara e Governo – são capazes de pavimentar esse mesmo “Estradão”, que até atravessa Vale de Ferro…e dá acesso ao Vale do Mondego a quem entre desde a estrada “municipal” EN 231.2 (Seixo da Beira) e a quem entre desde a EN 230 desde perto da Ponte da Atalhada.

Ah! Já agora, Sr. Presidente da Câmara, volto a dizer-lhe que continua a devassa – os atentados  ambientais e ao património natural –  da margem esquerda do Mondego, na área do Município de Oliveira do Hospital.  E que faz o Senhor Presidente da Câmara para acabar com tamanhos abusos ? Sim, dê-nos detalhado relato das suas diligências com tal objectivo!

Como deverá reconhecer, eu sou um Munícipe, nado e criado na Cordinha (aliás como Vossa Excelência) e que muito tem reclamado, à Junta de Freguesia, à Câmara Municipal e até ao Governo, a tomada de medidas para dignificar e promover esta nossa Região, seu Património natural e construído, bem como as suas Gentes.

Talvez ”não dê votos” fazer obra por ali…

Mas os votos passam e a obra permanecerá – se houver mais rasgo para a fazer !

Assumir as responsabilidades. Ser capaz de ver para além da paisagem e do imediato para assim conseguir descortinar outros horizontes.  Às vezes não é fácil. São precisos (para além da verba para pagar a “obra”…) humanismo e sensibilidade.  Mas consegui-lo, fazê-la, à obra que falta, isso dará paz de consciência, satisfação pelo dever cumprido, e fará justiça às nossas Gentes e à nossa história. E atrairá, um melhor futuro.  Com mais Gente a viver por aqui, em comunhão com a Natureza!

Da nossa parte, repete-se, temos vindo a reclamar – há anos – as melhorias fundamentais enunciadas.

O Sr. Presidente da Câmara tem “poder” para fazer avançar esta “obra”.  Mas tem-lhe faltado mais vontade, a ele que é desta nossa Cordinha, onde nasceu, cresceu e se fez homem e autarca.  Não se esqueça disso, não se esqueça disso, Sr. Presidente da Câmara !

Com os melhores cumprimentos.

Vila Franca da Beira, 20 de Agosto de 2020

O munícipe

João Dinis, Jano

(nado, criado e residente em Vila Franca da Beira – na Cordinha)

Autor: João Dinis, Jano

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