Home - Opinião - “Bilhete Postal” desde a Cidade – Oliveira do Hospital: “Camuflagem urbana” da estátua da menina que voa nua por entre as árvores. Autor: João Dinis

“Bilhete Postal” desde a Cidade – Oliveira do Hospital: “Camuflagem urbana” da estátua da menina que voa nua por entre as árvores. Autor: João Dinis

Ali se pode apreciar o contexto, um pouco abaixo da “nova” Rotunda Armindo Lousada – da ex IRAL – e ao lado (Norte) das actuais Escolas do Ensino Básico, bem dentro da Cidade de Oliveira do Hospital.

Junto à avenida que por aí desce – logo a seguir há outra Rotunda com um outro conjunto escultórico dentro – há um bom tufo de árvores que se encontram viçosas e robustas num pequeno jardim urbano.  E quem vislumbrar com toda a atenção lá para debaixo, dará conta da base (sugere um pêndulo ou uma balança) de um conjunto escultórico lá colocado há alguns anos já.  E, pelo menos nesta época do ano, é este o panorama observável desde 10 metros a toda a volta.

Um destes dias, a curiosidade levou-nos bem para debaixo dessas árvores com o intuito de poder observar todo o conjunto escultórico em causa.  Então, ressalta a estátua, quase a tamanho real, de uma jovem – as formas em destaque assim o indicam – em posição de saltar para dar um mergulho ou para iniciar um voo em fase de subida. Produz mesmo uma sugestão de aerodinamismo e elegância, esse “voo” …

Porém, essa estátua da menina tem a cor verde escuro o que a confunde com a cor da folhagem das árvores sob as quais parece “voar” rumo a indefinido destino mas com aerodinâmica, repete-se.  Todavia, está escondida, está “camuflada” – será pudor oficial por parte da Câmara ? – esta menina feita estátua que voa nua naquele jardim… Uma pena!

Portanto, o conjunto escultórico que a enquadra perde esse efeito essencial para quem o não pode observar a menos de 5 metros de distância.  Trata-se mesmo de um problema a merecer correcção ou seja, a Câmara Municipal deve providenciar a mudança de local do conjunto escultórico em causa, que não se vai cortar as árvores que o envolvem para o “libertar” da inconveniente “camuflagem”.

E, por exemplo, na zona das Piscinas Municipais, há espaços para isso e o próprio movimento sugerido pelo conjunto e pela jovem que voa nua, encaixam nas características dessa zona.

Não se perca mais tempo, levantado que desta forma aqui até fica o (mau) efeito da actual “camuflagem”.

Sim, deixemos definir, a plena luz, a menina urbana que voa nua feita estátua!

A “estética de regime” imposta (há anos) pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.

Tempos houve em que na cidade de Oliveira do Hospital foi plantada uma série de conjuntos esculturais urbanos, aliás obedecendo a uma autêntica “estética de regime” encomendada pela maioria reinante na Câmara Municipal da época. Na altura, nós até tivemos oportunidade para nos insurgirmos, nomeadamente nas páginas do CBS, contra essa subversão que, supostamente em Democracia, imperava sobre a arte urbana e publicamente exposta, no caso encomendada e paga pelo erário municipal, tipo “pacote”, ao “artista único do regime” de então.  Foi um grave atropelo cometido sobre a liberdade de criação e fruição artísticas!

Nunca fizemos e continuamos a não fazer apreciações públicas mais ou menos críticas sobre o suposto valor artístico, com pronúncia directa sobre o “gosto ou não gosto”, que os gostos são discutíveis.  Todavia, e mais importante ainda, não se deve impor linhas estéticas pré-definidas ou métodos de criação artística bem como os seus objectivos explícitos ou implícitos, enquanto o conjunto de motivações e inspiração que determina a tentativa artística do(s) artista(s) (no caso, cada um desses conjuntos escultóricos) num dado momento de tempo, em determinadas circunstâncias.

Entretanto, esses conjuntos escultóricos de que vimos falando entraram nas rotinas quotidianas, foram entrando na rotina visual sobretudo de quem passa por perto deles e até já deixou de os “ver” (apreciar)…esta aliás uma má consequência do uso e abuso (públicos) de Rotundas, citadinas ou não, para implantar esculturas lá dentro.

Ele há males que também vêm por bem…

Enfim, há um desses conjuntos que, recentemente, ganhou maior dimensão, está mais visível, perante o novo enquadramento volumétrico e visual conseguido após a demolição do velho edifício da (ex) IRAL, ali, onde está a acabar de ser construído o novo LIDLE.

Independentemente de outras considerações, e designadamente a desaconselhável concentração de hipermercados naquela “estreita” zona citadina, para já (início de Agosto de 2022), a nova Rotunda Armindo Lousada (ex- IRAL) – e áreas envolventes ganharam uma nova e mais agradável dimensão urbana, mais ampla, mais liberta, mais bonita.  Enfim, é caso para se dizer que há males que também vêm por bem…

 

 

 

Autor: João Dinis, Jano

 

 

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