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“Bilhete Postal”… Piscinas Municipais em Seixo da Beira fechadas no Verão para abrir no Inverno?… Autor: João Dinis (Jano)

“Bilhete Postal” (alargado) desde a Cordinha – Seixo da Beira. 

Tarde de Julho ardente. O termómetro do automóvel marca 39 graus centígrados quando estaciono ao lado das Piscinas Municipais, em Seixo da Beira.  Transpiro com o calor abafado que, por norma, fujo ao “frio” fabricado pelo ar condicionado.

Porém, as Piscinas estão fechadas?!  Pois que terá acontecido?  Todavia, estão cheias de água em tom azulado, induzido do bojo, a Piscina maior e a menor, ambas encaixadas na relva.

A “amostra” de frescura, ali tão supostamente à mão e ao pé, faz-me crescer água na boca mas não alivia o calor.  Só mesmo dentro de água!  Quase indignado, falo alto e minha filhota pequena parece concordar.  E água até que a há ali pertinho mas o raio da porta de entrada (e saída) das Piscinas está mesmo fechada, o que já deve ter feito “bater com o nariz na porta” muitos outros encalorados como eu, e logo frustrados na ânsia de um mergulho na frescura.  Bolas e rebolas!

A saída do impasse, a contragosto embora, é fazer meia volta e arrancar para outro local, para isso metendo o “GPS” cerebral a funcionar, tipo guia mental.  Uma resposta imediata indica-me o regresso a casa.  “Vai é meter-te na banheira com água quase fria…” – aconselha-me o bom senso.  Dou por mim a anuir embora sem reconhecer esta hipótese como alternativa de facto mas tão só como um mero recurso “de contingência”.  Mas lá vou já a conduzir com a minha filhota sem se calar a questionar-me, meio irritada: “mas pai porque é que a Piscina está fechada que tá tanto calor ?!”.

Também irritado com a situação, eu respondo-lhe com sarcasmo, embora saiba que não se deve ser sarcástico com crianças: “Olha, filhota, devem estar a poupar a Piscina agora no Verão para a abrirem no Inverno…”.  E minha filhota na sua ingenuidade muito genuína, comenta com toda a sabedoria já apurada na sua vida ainda tão curta: “mas pai, no Inverno tá muito frio pra virmos pra esta Piscina!   Deviam abri-la agora que tá tanto calor!” …  Ainda lhe respondi: – “pois é, filhota, mas a lógica dos adultos que mandam nisto é uma batata” – retorqui desta forma, para ela enigmática.

No caminho, parámos num café para beber um refresco. Oportunidade para também perguntar a uns conhecidos meus se sabiam a razão pela qual as Piscinas estavam fechadas. Um deles diz-me que é por não haver um “nadador salvador” em permanência lá (?!).

– “O quê?   Não acredito!” – exclamei incrédulo.

– “Mas olha que é o que consta por aí” – insistiu o meu interlocutor.

– “Pois bem – continuei eu – a ser assim, será uma manifesta falta de competência, um desleixo irreparável, da parte da Câmara Municipal para já não falar da Junta de Freguesia local.  Então, não foram capazes de providenciar um ´nadador salvador´ para as Piscinas, aqui em Seixo da Beira?!  Mas em que tremenda dificuldade tropeçaram estes (ir)responsáveis que um ´nadador salvador´ não precisa de ser campeão olímpico em natação…?   Ou que ´castigo´ pretendem ´eles´ aplicar-nos, aqui, aos residentes na Cordinha?  Fazerem-nos ir até às Piscinas em Oliveira do Hospital?  Aposto que essas piscinas não ficaram sem ´nadador-salvador´ e estão abertas…” – prossegui eu enquanto subia de tom de voz até terminar…

– “Pois, somos todos Oliveirenses mas há alguns mais Oliveirenses do que outros…” – ainda deu para ironizar.

Mas, assim, só aqueci ainda mais pelo que fiz por abrandar a minha justa indignação e saí.

Se pudéssemos regressar ao passado, isso seria um avanço!

Íamos para as “Dornas” (no Rio Seia) a refrescar!

De volta à estrada, vidros abertos, embiquei até à Ponte do Moinho do Buraco (na estrada M 507.1), guiado por recordações, verdadeiras reminiscências de bons tempos idos.

Na Cordinha, a População não pode ir refrescar-se ao Rio Seia, nas “Dornas” ou em qualquer outro local, devido à elevada poluição das águas e do leito deste rio.

Apesar da canícula, parei o automóvel e entrei a pé na Ponte principal (por baixo dessa ainda subsiste uma velha ponte medieval).  Com minha filhota às cavalitas, voltei a olhar demoradamente para as “Dornas” – trecho muito peculiar do Rio Seia, aí “duramente” comprimido entre altos e estreitados penedos com formas caprichosas.  De Verão, a água do Seia empoça por lá, pelo fundo, numa extensão de uns 80 metros e com profundidade significativa.  Eu sempre respeitei aquela “piscina” natural que, lá em baixo, deixa ver o céu apenas em comprida fita, por cima dos penedos.  Em jovenzito, e mesmo já em adulto, cheguei a ir para lá, para o início das “Dornas” (quase por baixo das Pontes), sem contudo me atrever a percorrer, a nado (que não há pé…), a distância que daí vai até quase ao Açude do Moinho do Buraco (fica na “Quinta da Baleia”), a montante.  Mete medo um tal “aperto” rochoso! E nunca me esqueci do espectáculo proporcionado por dois outros jovens visitantes – praticavam natação – que atravessaram as “Dornas”, a nado, para cima e para baixo, sem parar.  Que heróis!  Que inveja me fizeram!   Mas também a minha “piscina”, a única que eu e os meus conterrâneos tínhamos relativamente perto da nossa aldeia, essa nossa “piscina”, de prática espontânea e à revelia dos nossos pais, era o Rio Seia mas não ali, nas “Dornas”, era um pouco mais a jusante, no curto trecho que chamávamos de “Poço do Zebrino” e no  “Açude do Moinho das Figueiras”, aqui com a água e o fundo em areia sempre tão límpidos !  Que saudades desses veraneios e, ao mesmo tempo, que tristeza e indignação face à sujidade impune que agora fere o Rio Seia !   Também falei disto com minha filhota…

Hoje, em tardes de Julho ardente, se pudéssemos regressar ao passado, voltaríamos a entrar nas “Dornas” e a ficar lá, “de molho”, com a água do Rio Seia até ao pescoço… Seria um avanço em relação à desamparada situação actual, mais de 50 anos depois…

Mas não se pode regressar materialmente ao passado.  Além do mais, hoje, por causa da grande poluição, a água do Seia “mete medo” em todo o lado.  Poluição que não havia há 50 anos atrás…  Hoje, quem se atrever a mergulhar no Rio Seia, dará conta que a água tem algum mau cheiro e pisa-se lodo negro, no fundo do leito do Rio.  Corre-se o risco de apanhar doenças…

Mais razões para as Piscinas Municipais, em Seixo da Beira, reabrirem e rapidamente!

Sim!  Haja mais consideração, por parte da Câmara Municipal, pelos residentes nesta Zona da Cordinha do Concelho de Oliveira do Hospital!

E faz tanto calor!   Anseio por me ver livre dele!

 

 

 

João Dinis, Jano

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