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Câmara Municipal de Oliveira do Hospital troca subsídios pontuais para eventos das juntas de freguesias por 10 mil euros fixos anuais

A partir do próximo ano, a autarquia de Oliveira do Hospital vai deixar de atribuir subsídios pontuais às freguesias, para realização, entre outros, de eventos, aquisição de viaturas ou transporte, substituindo-os por uma verba anual fixa de 10 mil euros cada autarquia do concelho. Com esta medida, que conta com um orçamento de 160 mil euros, o presidente José Carlos Alexandrino pretende uma maior descentralização e evitar que se vão atribuindo ao longo do ano subsídios para os diversos eventos que as juntas levam a cabo. Recorde-se que na ultima Assembleia Municipal foram aprovados 18 500 euros para várias iniciativas, o que deixou, pelo menos o presidente da União das Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira, quase com lágrimas nos olhos, por apenas ser contemplado com 1500 euros para o seu festival de sopas, enquanto outros colegas recolhiam bastante mais. “Estou muito triste. Só posso dizer isso, estou muito triste”, lamentou na altura Licínio Neves.

Com as novas regras, a Câmara Municipal atribuirá apenas uma verba fixa no valor de 10 mil euros a cada Freguesia. Como contrapartida acaba com os subsídios, seja para eventos, aquisição de viaturas ou transporte para passeios. “Trata-se da maior descentralização já levada a cabo nesta Câmara. Os presidentes de junta passam a saber desde o início com aquilo que contam. Com o dinheiro cada um faz o que quer. Pode fazer uma festa, um passeio ou comprar um avião”, explicou o presidente da autarquia que criou ainda uma comissão para aprimorar esta repartição de verbas devido à união que ocorreu entre freguesias.

A aprovação dos recentes subsídios não deixou de receber alguns reparos. Um dos elementos que considerou estas verbas exageradas quando comparadas com outras prioridades do município foi António Lopes. O homem que foi eleito para liderar a Assembleia Municipal diz não entender as prioridades da autarquia oliveirense quando se compara estes montantes com aqueles que são destinados aos alunos mais carenciados. “Não sou contra as festas. O que eu digo é que tem de haver prioridades. Não podemos dar 13.200 euros para as famílias comprarem livros para as crianças que vão para as escolas e depois aprovar 18500 euros para festas. Tem de haver prioridades. Se calhar não são as festas que estão a levar muito, as crianças é que estão a receber pouco”, explicou António Lopes.

Este eleito, na altura, também se mostrou apreensivo com as verbas com os músicos que cobram quase dez vezes mais na EXPOH que em outros festivais do concelho. Deu o exemplo de Quim Barreiros que cobrou 10 mil euros para actuar na mais recente edição da EXPOH, num programa de televisão afirmou cobrar cerca de 5 mil euros, e, depois, realizou uma actuação a Seixo da Beira por apenas 1500 euros. O próprio presidente da Junta de Freguesia confirmou estes valores. “Foram pagos 1500 ao Quim Barreiros e 1750 à Adelaide Ferreira. Está tudo clarinho”, frisou na altura Carlos Batista.

José Carlos Alexandrino diz nada ter a ver com o facto de Quim Barreiros apenas levar aquele montante em Seixo da Beira. “Não o consigo contratar por essa verba para a EXPOH”, justificou-se, acrescentando que alguns dos músicos que actuaram na Exposição comprometeram-se a fazer espectáculos gratuitos no concelho. “O Zé Cid vem actuar gratuitamente a favor dos Bombeiros de Oliveira do Hospital e o Quim Barreiros virá fazer o mesmo em relação aos bombeiros voluntários de Lagares”, explicou o autarca que atribuiu “estes bons negócios” à sua influência. “Houve bons negócios? Se houve bons negócios deve-se a uma coisa: à relação de proximidade deste vosso presidente com algumas pessoas”, rematou. A isto, António Lopes disse conhecer outra um local em que a Câmara também contrata os artistas para as festas da cidade e depois eles vão lá gratuitamente cantar pelo Natal para os velhinhos.

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