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Candidato do PSD a Penalva e São Sebastião da Feira quer uma junta participada pela comunidade e Mário Alves saúda esta forma de fazer política

Cláudio Correia não é um dos políticos convencionais. Entende que mais importantes que os eleitos tomarem decisões apenas por si próprios, devem estar abertos à participação da sociedade, da população e instituições que servem e resolver os problemas que lhes são apresentados. Talvez por isso não tivesse disfarçado algum desgosto por não ver um salão da Sociedade Recreativa Penalvense completamente cheio quando apresentou a sua lista como candidato do PSD à Assembleia da União de Freguesias de Penalva de Alva e São Sebastião da Feira, ele que é também o terceiro candidato na lista concorrente à Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. “A sociedade civil deve participar na governação da Junta. Acho que uma Freguesia com cerca de mil eleitores devia ter aqui mais gente para participar com ideias. A comunidade está acomodada e no meu entender não deve ser uma equipa de 15 pessoas a decidir o futuro de toda esta gente”, confessou.

Começando por dizer que numa freguesia que já foi concelho e que pouco se tem desenvolvido nos últimos anos, resolveu abraçar o plano que lhe foi apresentado quando a resposta mais fácil seria o “convencional: não tenho tempo”. “Senti que não podia fazer isso e abracei o projecto e constituí uma equipa. Esta não é uma candidatura contra ninguém, mas não podemos deixar de criticar alguns aspectos. Vamos lutar com as nossas armas para defender os nossos ideais que é o interesse da população”, sublinhou, adiantando que ninguém do seu grupo depende da política e está neste projecto para servir.

Este candidato, ao contrário da maioria dos políticos, disse que não podia prometer nada. “A única promessa que podemos fazer é trabalhar em prol da comunidade, até porque não sabemos o que vamos encontrar, a situação financeira e há obras em curso”, explicou, acentuando depois que o programa, apesar das ideias que a equipa candidata já tem, grande parte deverá passar pela população. “É importante que a civil identifique os problemas que os afectam, contamos com isso, com a participação das instituições. É fundamental o envolvimento de todos”, disse, sublinhando que ao actual executivo da Junta, ele que é professor, numa nota de 0 a 20 teria de dar 10. “Quando comparamos o que foi feito aqui e noutras freguesias, reparamos que aqui foi feito muito pouco”, justificou.

Ainda assim, a equipa de Cláudio Correia já tem em mente sete pilares programáticos. O PSD diz apostar na saúde e acção social; ambiente; turismo; educação e cultura; urbanismo, infra-estruturas e equipamentos; cidadania, participação pública e relações institucionais; desporto e lazer. Estes são os pontos em que assenta todo o programa que, a serem eleitos será executado, além de Cláudio Correia, entre outros, por nomes como Carlos Vitorino Dias Gomes, Andreia Filipe ou Luís Fonseca. E perante a insistência de um elemento da plateia sobre promessas concretas, Cláudio repetiu que não faz promessas vãs. Mas sempre deixou uma ou duas ideias concretas. “Porque não ter aqui uma ambulância, dada a idade de boa parte da população, porque não colocar aqui uma extensão dos bombeiros e teremos de resolver o problema do urbanismo porque, neste momento, é impossível construir seja o que for nesta zona”, explicou.

Da plateia surgiu depois a pergunta de um elemento ligado ao PS sobre qual o lugar que exercerá se em simultâneo for eleito para a Câmara Municipal e para a presidência da junta. Cláudio Correia reconheceu que existirá um dilema e que o mesmo será resolvido de forma a salvaguardar da melhor forma os interesses da população da União de Freguesias de Penalva de Alva e São Sebastião da Feira. “Teremos de encontrar uma solução”, atirou.

O ex-presidente da Câmara Mário Alves, que se encontrava na plateia, juntamente com António Lopes, não resistiu e resolveu intervir e para dizer que a pergunta enfermava de algum “veneno político e estava mal colocada”. “A pergunta que deve ser feita é sendo Cláudio Correia eleito, onde é que pode contribuir para ajudar a Freguesia”, começou por dizer, adiantando não ter dúvidas que o lugar seria na Câmara o que iria permitir um canal aberto para resolver os problemas da freguesia.

“De resto quero dizer que gostei de ouvir que ser a sociedade civil a ajudar a decidir. É uma boa forma de fazer política. Não pode ser sempre um grupo que se julgam iluminados, do qual já fiz parte, a decidir”, continuou Mário Alves, atacando o actual clima de medo que se vive no concelho “onde existem os subsídios para coagir e amordaçar as pessoas”. “Isso é o lado mais negro da política. As pessoas não podem estar condicionadas. A política é para servir e não para se servirem”, acusou. Que também ajudou a esclarecer alguns dos aspectos levantados por membros da plateia onde o executivo PSD pode marcar a diferença. Por exemplo, na aposta no Turismo. “Quando era presidente mostrei disponibilidade para subir o açude do Mosteiro 70 a 80 centímetros, o que permitiria criar ali uma zona de pesca e de prática de desportos náuticos. Foi no final do mandato e o projecto foi enviado para Direcção Regional do Ambiente. Mas não sei o qual o destino que o actual executivo deu ao projecto”, concluiu, acabando muito aplaudido.

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