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Chão do Rio, em Travancinha, Seia, volta a renascer das cinzas e reabre portas no domingo

A unidade de turismo rural do Chão do Rio, situada em Travancinha, concelho de Seia, foi afectada pelos incêndios que em Agosto dizimaram parte da Serra da Estrela e viu-se obrigada a encerrar as portas por dois longos meses. Algo que já tinha acontecido em Outubro de 2017 quando esta unidade foi atingida pela tragédia dos fogos que devastaram a região. As chamas, desta vez, foram mais comedidas, mas destruíram algumas estruturas e cerca de metade da área da propriedade, incluindo um jovem carvalhal em recuperação dos fogos 2017.

 “Não deixa de ser simbólico que no próximo Domingo, dia 16 de Outubro, data em que se contam precisamente cinco anos do fecho do estabelecimento em 2017, o Chão do Rio reabra de novo as suas portas. Sendo coincidência, este simbolismo tornou-se a catarse de superação do drama vivido pela segunda vez. E assim, do desalento à esperança, o Chão do rio Renasce mais Forte”., explica a administração.

“Este ano, o efeito foi menos drástico, é certo, mas o encerramento foi inevitável e o desalento que se seguiu também. A abordagem que o Chão do Rio tem adoptado, porém, é sempre a da aprendizagem… Que lições tirar… o que fazer num contexto adverso? A natureza está aí para nos inspirar: nunca pára, depois da destruição, o renascimento começa a acontecer. E foi isso que logo nos dias seguintes o Chão do Rio começou a fazer: trabalhar no renascimento”, explica uma nota do empreendimento.

A empresa lembra que a sua equipa e alguns inestimáveis amigos foram essenciais na defesa das icónicas casinhas que fazem parte do empreendimento. Mas muito foi destruído e foi necessário iniciar a recuperação e dotar o local de infra-estruturas para suportar o Inverno, como cortar a madeira ardida e deixar a estilha no solo para o proteger. Além disso, foram feitas barreiras de contenção da água, contra a erosão das encostas. Semeou-se trevo branco nas encostas, para ajudar a fixar o solo. Reconstruir as estruturas ardidas, mudando algumas para lugares mais seguros e deixar tubos enterrados no solo para melhoria do sistema de combate a incêndio.

“No que respeita à recuperação dos quatro hectares da sua área florestal, agora rebaptizada de “Floresta da Esperança” (área de reserva de biodiversidade para a compensação da pegada de carbono da unidade), percebeu-se a necessidade de mudar a abordagem: em vez de semear, plantar (para recuperar o tempo perdido); em vez de permitir a regeneração espontânea de arbustos úteis para a biodiversidade, mas que apresentam elevada combustibilidade (como as giestas), plantar arbustos menos combustíveis, como os medronheiros, e proceder a limpezas mais agressivas que impeçam a regeneração espontânea dos matos de pirófitos”, explicam.

“Esta mudança de estratégia, tão necessária num contexto de alterações climáticas, resultou na ampliação da equipa, com a contratação de um quadro dedicado em exclusivo à manutenção dos espaços exteriores, que numa primeira fase será responsável pelas plantações e rega e, mais adiante, pelas podas e limpezas mecânicas. Os hóspedes do Chão do Rio que o desejarem, poderão participar financeiramente neste processo de regeneração, em breve esta possibilidade será disponibilizada em www.chaodorio.pt, através da aquisição de ‘Certificados de apadrinhamento da Floresta da Esperança’”, frisa a empresa.

Para reforçar a resiliência futura deste espaço florestal, os responsáveis pelo empreendimento têm ainda prevista a criação de uma charca de rega e a colocação de canhões de água de combate à incêndio. “Tudo investimentos que, com as aprendizagens recebidas, se tornaram prioritários e que serão executados logo que a tesouraria o possibilite, ou na eventualidade de surgirem apoios estatais para o efeito (tal como seria desejável).

“Mas o que esperar da experiência Chão do Rio após a reabertura? Em rigor, não haverá muitas diferenças, tudo que era apreciado mantém-se, a equipa de sempre continuará a receber os nossos hóspedes com renovado alento. O cabaz de pequeno-almoço mantém as delícias locais tão apreciadas. Os espaços continuam tão ‘instagramáveis’ como antes, já que o verde regressou ao prado, a piscina ainda tem nenúfares, as casinhas com as suas redes continuam a ‘sorrir’ e os carvalhos grandes também lá estão, embora os tons outonais se comecem a instalar”, continuam.

Referindo que para os que gostam do contacto com animais, os responsáveis por este turismo derural prometem aos clientes que vão encontrar o ‘Chão dos bichos’ em novo lugar, junto à horta. “Por lá, as galinhas, no galinheiro móvel e duas simpáticas ovelhas a ‘Serra’ e a ‘Mel’, aguardam os mimos dos nossos hóspedes. Em breve, um simpático burro, o ‘Luar’, que será recebido da AEPGA – Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino, vai juntar-se à bicharada. É claro que os nossos hóspedes que desejarem subir para a parte alta da propriedade encontrarão o trilho ‘Sendeiro da Moira’ com uma paisagem diferente da anterior, no entanto, terão a oportunidade de assistir directamente ao trabalho de regeneração que pretendemos continuar a realizar, agora com mais conhecimento e renovado ânimo. Este espaço continuará a ser o pretexto para o nosso ‘dia aberto Chão do Rio, um dia pela Floresta’, o qual será reagendado para o mês de aniversário do Chão do Rio, o mês de Março”, asseguram.

Fotos: Pedro Ribeiro

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