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Classe docente portuguesa está cada vez mais envelhecida. Profissão cativa cada vez menos jovens .

Os professores nos Ensinos Pré-escolar, Básico ou Secundário estão cada vez mais envelhecidos. Prova disso é o número existente de professores com mais de 50 anos, por cada professor com menos de 35 anos. Até 2006, existia mais do que um professor com idade inferior a 35 anos por cada professor com mais de 50 anos (em 2000 existiam mais de 2 professores com menos de 35 anos por cada professor com mais de 50 anos). No entanto, 2008 foi um ponto de viragem na estrutura etária desta profissão, passando a ser mais representativos os professores em final de carreira do que os professores em início de carreira.

A partir de 2012 este rácio disparou a um ritmo impressionante, até atingir em 2020 os 18 professores com idade superior a 50 anos por cada professor com menos de 35 anos. Os dados mais recentes (2021), mostram uma ligeira diminuição deste rácio, para cerca de 15 professores em final de carreira por cada professor a iniciar carreira. Esta evolução coloca, claramente, desafios ao sistema de ensino em Portugal, sendo já notória a escassez de docentes (especialmente no interior do país). A Universidade Nova de Lisboa conclui, num estudo recente, que, em consequência do número de professores que se deverão aposentar nos próximos anos, será necessário contratar um total de 34,5 mil profissionais até 2030/2031. Nos próximos cinco anos, 20% dos atuais docentes entram na reforma e dentro de 10 anos essa percentagem sobe para os 58%.

A profissão tem cativado cada vez menos jovens em Portugal. Se em 2001 cerca de 13% dos alunos no Ensino Superior estavam matriculados em cursos de educação, em 2021 eram pouco mais de 3%. Os jovens sentem que a carreira de professor não é atrativa e nem valorizada.

Quando o principal impulsionador da mobilidade social está enferrujado, hipotecamos as esperanças das famílias de menores rendimentos de poderem ambicionar alcançar melhores condições de vida. Ressente-se a economia e reflete-se nos indicadores de pobreza e desigualdade.

André Pinção Lucas e Juliano Ventura

11 de outubro de 2022

 

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