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CM de Oliveira do Hospital retira subsídio a Associação presidida por crítico do executivo municipal

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital revogou um subsídio de 500 euros que tinha atribuído à Liga de Melhoramentos Desporto e Cultura de Aldeia de Nogueira (LMAN) como apoio ao evento “XIX edição da Matança do Porco e da II edição do Projecto ALDEIA 1950” que decorreu nos dias 23 e 24 de Abril. A carta, datada de 13 de Maio e assinada pelo presidente do município, José Carlos Alexandrino, deixou os elementos daquela associação indignados. Descrevem este episódio como insólito e só encontram uma explicação: trata-se de uma retaliação pela postura critica do presidente da instituição, Tozé Cardoso, enquanto munícipe,tem para com o executivo municipal. O vereador do PSD, contactado pelo CBS, garante que ficou atónito quando foi apresentada na reunião de Câmara, de 28 de Abril, a proposta de retirada do subsídio que tinha sido aprovado por unanimidade no dia 1 de Abril.

Acta de aprovação do subsídio
Acta de aprovação do subsídio

Os responsáveis pela associação dizem que nunca tiveram conhecimento da atribuição do subsídio. Só souberam da sua existência, garantem, através da carta do presidente do município na qual dava conta que a verba tinha sido revogada. Argumento: o evento não se tinha realizado. “É falso. A iniciativa realizou-se, passaram por aqui mais de três centenas de pessoas nos dois dias. Há vários testemunhos. Estiveram cá vários grupos a participar em actividades. Isto só pode ser uma brincadeira”, conta o presidente da LMAN, Tozé Cardoso, exibindo várias fotos e uma caneca de barro, um artefacto que foi entregue a todos aqueles que participaram na II edição do Projecto ALDEIA 1950.

Carta de José Carlos Alexandrino
Carta de José Carlos Alexandrino

“Na carta alegam que apenas se realizou a XIX edição da Matança do Porco. Como é que pode haver matança se tal é proibido por lei? Só mantemos o nome para o almoço. Todas as restantes actividades foram realizadas no âmbito do projecto ALDEIA 1950”, sublinha aquele responsável, apontando a título de exemplo a actuação do grupo de concertinas Sons e Suadelas ou o Grupo de Bombos de S. Nicolau.

“Neste concelho uns são tratados de uma forma e outros de outra”

“O evento foi realizado e concretizado sem termos conhecimento destes 500 euros. Aqui fazemos as coisas em função dos nossos recursos. Não estamos dependentes de subsídios que não sabemos se teremos ou não. O evento aconteceu, foi rentável e vai-nos permitir pagar as despesas da Liga”, continua Tozé Cardoso que não deixa de se interrogar como é que alguém aprova um subsídio, não informa de nada e depois envia este tipo de comunicação. “Com o pormenor de não ser dirigida à instituição, mas ao presidente, ou seja, a mim. Isto não é forma de relacionamento entre instituições”, frisa este responsável que até é contra a subsidiação destes eventos. “Quando se realiza uma iniciativa destas é para ser lucrativa. Não faz sentido atribuírem-se subsídios. Agora a Câmara Municipal tem de ter um critério igual para todas as associações do concelho”. João Figueiredo concorda. Este vogal da direcção, porém, acrescenta que se tivessem conhecimento do subsídio teriam melhorado o programa. “Mas só gastamos o que podemos e o objectivo é conseguir lucro para financiar as várias actividades da Liga. Não vamos além disso”, reforça, referindo que, em sua opinião, esta atitude do executivo pode ser uma forma de retaliação para com a atitude critica que o munícipe Tozé Cardoso faz ao executivo.

13051785_1100782093312133_759472165094465812_nA desigualdade de tratamento dado às instituições do concelho é, por seu lado, algo que irrita particularmente o vice-presidente da LMAN José Gonçalves. “O grande problema é que neste concelho uns são tratados de uma forma e outros de outra. É algo recorrente. Aqui só mostram interesse e promessas quando é necessário angariar votos. Fizemos o pedido em Janeiro e a única resposta que recebemos foi que um subsídio, que nem sabíamos que nos tinha sido atribuído, tinha sido retirado. Isto é inqualificável”, frisa este dirigente, enquanto, ao seu lado, uma senhora, que prefere não ser identificada, brinca com o argumento utilizado por José Carlos Alexandrino de que o evento não se realizou. “Se calhar aqueles bons momentos passados aqui por aquelas dezenas de pessoas foram só um sonho. Como se calhar foi imaginação minha todo o trabalho que tive a ajudar na realização desta iniciativa”, diz, sublinhando que esta atitude do executivo liderado por José Carlos Alexandrino “seria caso para rir, não fosse, de alguma forma, estar a gozar com pessoas que dão o seu melhor e trabalham para levar estes acontecimentos em frente”.

Já a junta de Freguesia de Nogueira do Cravo merece elogios pela forma como tem tratado a associação e13055516_1100781199978889_7828247634223955910_n que, segundo os directores, foi uma das entidades que reconheceu o evento, oferendo apoio financeiro e logístico. Embora Tozé Cardoso tenha algumas divergências políticas com o presidente daquela freguesia, Luís Nina, toda a direcção elogia a forma transparente e equitativa como aquele executivo tem pautado a sua actuação nesta área. “Tem sido exemplar. Temos de criticar o que está mal, mas reconhecer da mesma forma o que é bem feito”, frisa Tozé Cardoso, adiantando que esta carta é mais uma forma da Câmara Municipal fugir às promessas que tem feito. “No ano passado José Carlos Alexandrino prometeu aqui, que nos daria o mesmo apoio que entregou nessa altura ao festival de Origens de Travanca de Lagos, ou seja, qualquer coisa como 4 mil euros. Ninguém lhe pediu nada, ele é que prometeu”, explica.

João Brito: “Questionei se aquilo não era uma retaliação contra o Tozé Cardoso”

Contactado pelo CBS, o vereador do PSD diz que foi surpreendido pela proposta de retirada do subsídio numa reunião presidida pelo vice-presente José Francisco Rolo, em substituição de José Carlos Alexandrino. “Alegaram que o evento não se tinha realizado, eu disse que não poderia votar favoravelmente porque não tinha passado por lá, nem tinha qualquer confirmação de que não se tivesse concretizado”, conta João Brito, que terá ainda questionado os restantes vereadores sobre se algum deles se tinha deslocado ao local. “Responderam que não”, afirma, sublinhando que terá mesmo aventado a hipótese daquela proposta se tratar de uma retaliação pelo facto de Tozé Cardoso criticar o executivo socialista.

“Confesso que quando ouvi o nome do presidente da instituição foi essa a ideia que me veio à mente. Obviamente, não poderia votar favoravelmente a retirada do subsídio. Nunca tal aconteceu nestes moldes. Houve casos em que faltavam documentos e os apoios eram reagendados, mas este foi caso único”, sublinha João Brito, adiantando ainda que foi, de alguma forma, pressionado a votar favoravelmente a retirada do subsídio. “Jamais faria isso. Também não podia votar contra porque, da mesma forma, não tinha dados sobre a realização ou não do evento”, diz para explicar a razão de ter optado pela abstenção.

O muro que a Câmara tarda em reparar

Muro antes de ser desobstruído
Muro antes de ser desobstruído

Os elementos da LMAN, ainda assim, mostram-se também preocupados com outras atitudes do município. Entre elas está a ausência de uma solução para um muro que desabou em Fevereiro e que coloca em risco a ligação entre Aldeia de Nogueira e Senhor das Almas, mesmo à entrada das instalações da sede da Liga.

Muro actual
Muro actual

“A estrada foi desobstruída na véspera da realização do evento ALDEIA 1950. Mas não está resolvido. A insegurança continua. E a Câmara não faz nada porque diz que tem de ser o senhorio a realizar as obras. Ora no nosso entender, a autarquia deveria fazer as obras e depois imputar, se assim o entendesse, os custos ao proprietário. Nada é feito”, diz Tozé Cardoso que, frisa, gostaria de ver também a autarquia cumprir aquilo que assumiu relativamente às obras de calcetamento e arranjo do exterior da sede da Liga. Na altura, garante, foi estabelecida uma comparticipação por parte da Câmara Municipal de 12500 euros, mas que até ao momento a LMAN só recebeu 9300. “Onde estão 3200 euros em falta?”, questiona.

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