Home - Opinião - Contra a Covid 19 – vacinar (já) ou não vacinar (já) eis a questão… Autor: João Dinis

Contra a Covid 19 – vacinar (já) ou não vacinar (já) eis a questão… Autor: João Dinis

Tanto “estado de emergência” e, afinal, tanta “lentidão” ?!…

Pois quanto ao anunciado “Plano Nacional de Vacinação – anti-Covid 19”, podemos dizer, no mínimo, que “a bota não bate com a perdigota” !  Ou seja, como admitir que após tanto “estado de emergência”, tanto “estado de sítio”, tanta restrição, tanto problema económico e social, tanto horror instigado, tanta Gente infectada e tantas mortes com a Covid 19, como admitir, pergunto, que o “Plano Nacional de Vacinação” – anunciado pelo Governo – se vá “arrastar” por mais de um ano e, ainda assim, se tudo “correr bem” ?!

A vacinação em massa não é um “contra-relógio” desportivo mas é, e a “doer” bastante, um autêntico “contra-relógio” sanitário de combate à doença, e que não se pode transformar numa “maratona”…  Do que se depreende, a ciência até que trabalhou bem e depressa a criar as vacinas mas, agora, não está a ser correspondida pelos Governantes desta União Europeia!…

Não, não é admissível tamanha lentidão no “Plano Nacional de Vacinação” tal como foi anunciado ! Assim, quantos mais infectados, quantas mais mortes, quantos mais desempregados, quantas mais falências na economia, quanto mais sofrimento, nos vai custar esta autêntico “passo de caracol” sanitário na concretização do “Plano Nacional de Vacinação” ?

Perante as “emergências” com que tanto nos castigam, um “Plano Nacional de Vacinação” a corresponder a um tal “drama” – para cerca de 10 milhões de habitantes – não devia ir (completo) para além do Verão !  Pois, para vacinar 10 milhões de Portugueses durante um máximo de 8 meses seguidos com as duas doses da vacina, que o Governo criasse os meios, os “postos de vacinação” necessários e devidamente preparados, o mais próximo possível das Populações, etc, para que a vacinação geral se concluísse como é exigível que se conclua:- rápida e eficazmente !  

Na situação, de pouco me importa se isso ficaria caro ou barato, embora se reconheça, claro, que é boa política acautelar o dinheiro público. Mas, nesta “má onda” sanitária, também é admissível pagar o que mais preciso for para se acelerar o processo de vacinação, para se controlar mais rapidamente a pandemia e se evitar as suas consequências mais dramáticas. 

Não afirmo que isso seja “fácil” mas reafirmo que tanta “emergência institucional” que nos tem sido decretada não está a ser correspondida pela (lenta…) celeridade operacional deste anunciado “Plano Nacional de Vacinação” anti-Covid 19.

Sim, informar, informar, informar, através de todos os meios ! Vacinar, e vacinar, e vacinar, principalmente através do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e lá, onde é necessário, e rapidamente !   Mas atenção que o Governo e os “inimigos” do Serviço Nacional de Saúde – que sempre o desconjuntaram através das más políticas e das alegadas restrições orçamentais – já afiam a dentuça para virem a “crucificar” o SNS caso algo “corra mal” mesmo no âmbito do “Plano de Vacinação” tal como este está anunciado…

É legítimo compararmos já as situações de Portugal e de Espanha.

Em Espanha (segundo o governo Espanhol), contra a gripe mais “clássica”, vacinaram 14 milhões de pessoas em oito semanas. Agora, para a Covid 19, prevêem abrir 14 mil “postos de vacinação” para cerca de 46 milhões de habitantes, quatro vezes e meio mais população que Portugal.  A média dá 3 300 utentes a vacinar (duas “picadelas” a cada um, separadas por alguns dias) por “posto de vacinação”, em Espanha.  

Ora, no nosso “Plano de Vacinação”, para já, estão previstos apenas 1 200 “postos de vacinação” para cerca de 10 milhões de habitantes.  A média dá 8 300 Pessoas a vacinar por “posto de vacinação” em Portugal.  Podemos já imaginar como tantas e tão grandes vão ser as filas de “vacinandos” à espera das “picadelas”…  

A comparação com Espanha é legítima por a experiência de “nuestros hermanos” acontecer aqui bem próximo e, por isso, também ser esclarecedora.   Em Portugal, cada “posto de vacinação”, em média, vai ter que vacinar duas vezes  e meia mais Gente do que vai vacinar (em média) cada “posto de vacinação” em Espanha… Acresce, e aposto singelo contra dobrado, que a dotação orçamental espanhola vai ser, comparativamente e “per capita”, superior à dotação do Orçamento Nacional.   Portanto, o Serviço Nacional de Saúde (Portugal) vai dispor, comparativamente, de menos dinheiro disponível e sob maior pressão operacional, “posto de vacinação” a “posto de vacinação”, que o Serviço de Saúde Espanhol!   

No fundamental, em Espanha prevêem vacinar 10 milhões de Espanhóis, o equivalente a 22% da população Espanhola e a 100% (!…) da População Portuguesa, até Maio, 2021, enquanto que em Portugal se anuncia poder ser vacinado, até finais de Abril, 1 milhão de Habitantes, o que corresponde a, apenas, 10% da nossa População, em idêntico período de tempo.  É esclarecedor, de facto.

 Ou seja, mesmo nesta emergência com que nos “engavetam” em casa, só por pudor nacional é que não vou ver se me posso vacinar, aqui ao lado, em Espanha…

Inglaterra prova já que lhe vale a pena ter saído da União Europeia…

A Inglaterra começou a vacinar contra a Covid 19 já a partir de dia 8 deste mês de Dezembro e também anuncia que já assegurou a compra de várias dezenas de milhões de vacinas a “bons” preços.   E outros países há, a Rússia por exemplo, que também já estão a iniciar os seus “Planos de Vacinação”.

Ora, a Inglaterra já não pertence à União Europeia e é por isso que pode começar a vacinar sem grandes freios institucionais.  Enquanto isso, Portugal continua amarrado ao “colete-de-forças” que é esta União Europeia e, também por isso e porque o Governo sempre ajoelha perante as imposições desta União Europeia, Portugal só poderá começar a vacinar, e é se começar, lá para meados de Janeiro ou seja, pelo menos um mês depois que a Inglaterra… 

E, por si só, a diferença de UM mês – 30 dias – entre o  vacinar, em Inglaterra (na Grã- Bretanha) e o não vacinar, em Portugal, isso pode significar mais algumas centenas de mortes e milhares de infectados em Portugal, para já não falar a nível da União Europeia.  Eis, pois, uma péssima consequência deste “atraso” interno, aliás sincronizado com os atrasos da União Europeia em geral, na vacinação anti-Covid 19. 

Assim, se concordamos em que “as Pessoas (concretas) devem ser a medida de todas as coisas”, também devemos concordar em que para a Inglaterra e para os Ingleses já vale a pena terem saído (com ou sem “acordo”) da União Europeia !…

Estou farto de tanto paternalismo ainda por cima em estilo “professoral”…

Por falar em “paternalismo” ainda admito essa contingência se dentro do âmbito familiar.

Porém, declaro já estar (muito) farto do “paternalismo” com que o Presidente da República nos presenteia a propósito de tudo e de nada e, ainda por cima, em estilo “professoral”.  Ainda agora neste último discurso “a benzer” os “estados de emergência” em curso, e respectivos estendais de restrições “especulativas”, lá esteve ele, pela comunicação social, a perorar várias “teorias” semi-patetas pois se há experiência comprovada e já acumulada é, precisamente, a da grande capacidade de encaixe e de paciente observância dos Portugueses perante tanta restrição institucional que lhes têm “receitado” a pretexto da pandemia.

E como já tinha feito o Primeiro-Ministro, este no seu aprimorado estilo “manholas”, a conclusão-síntese a tirar de ambos os discursos “paternalistas” que “embrulharam” a declaração  dos novos “estados de emergência” – o discurso do Presidente e o discurso do Primeiro-Ministro – é que os Portugueses, quais “crianças grandes”, podem vir a receber um “chocolate” – um Natal mais aliviado dessas restrições – caso se “portem bem” quer dizer, caso acatem tudo o que lhes mandem fazer e docilmente…o que é diferente de o fazerem com juízo crítico…  Assim, estes Governantes pretendem que nós os deixemos pensar e actuar por nós ou em nosso nome !…

Estou farto, arre !   Sim, estou farto destas “pandemias” castradoras do nosso juízo crítico e da nossa paciência também !!

Autor: João Dinis, Jano

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