Home - Opinião - COVID-19, aos milhões… o mudo depara-se agora com números de pandemia. Autor: Carlos Antunes

COVID-19, aos milhões… o mudo depara-se agora com números de pandemia. Autor: Carlos Antunes

Ao fim de 4 meses a seguir a evolução desta pandemia que se alastrou rapidamente pelo mundo inteiro, conseguimos antever melhor os números que a tornam com dimensão de uma verdadeira pandemia – já acima dos 12 milhões de infectados e dos 550 mil mortes.

Mas não ficamos por aqui, pois nem sabemos se porventura já teremos chegado ao meio, ao pico máximo, ou melhor ao pico dos picos. Ou se, efectivamente, estamos aquém desse limiar. Depois da onda europeia surgiu a onda americana, com os EUA e o Brasil à cabeça a contribuírem para um novo pico, de maior amplitude e maior período… e ainda estamos no verão do hemisfério norte.

Ao mesmo tempo surgem outros países e regiões que podem catapultar a onda epidémica de novos casos de infecção para outras ondas adicionais que amplificam ainda mais a dimensão da pandemia.

Feita a modelação numérica da curva epidémica através de funções de densidade de probabilidade (PDF), ajustando os seus quatro graus de liberdade, com o ajuste de PDF sucessivas consegue-se obter uma curva de casos acumulados (CDF – Função Densidade Cumulativa) perfeitamente ajustada à curva de dados e com ela projectar a evolução futura da pandemia. A mesma abordagem de modelação pode ser aplicada à mortalidade, e obterem-se curvas perfeitamente ajustadas à acumulação de óbitos, quer seja para um dado país ou para o mundo inteiro.

Olhando agora para a evolução, e apenas com as ondas epidémicas até agora definidas, projectam-se números de uma verdadeira pandemia. A nível mundial, na ordem dos 40 milhões de infectados e mais de 1 milhão de mortes até ao final do ano. Repare-se que desde finais de Fevereiro o R(t) – número de reprodução da infecção – esteve, a nível mundial, sempre a cima de 1.0.

Os EUA, o Brasil e a Índia, os três países com maior número de infectados, destacam-se por serem os 3 primeiros países que irão ficar acima de 1 milhão de caso. Os EUA estão já acima dos 3 milhões de casos, o Brasil com mais 1 milhão e 700 mil casos e a Índia a caminho da meta de 1 milhão, que será atingida lá para 18 a 20 deste mês. No final do ano os EUA poderão ultrapassar os 8 milhões de casos, o Brasil os 4.5 milhões e a Índia poderá ficar acima dos 2.5 milhões. Contudo, isto apenas se não ocorrerem nesses países ondas adicionais. Caso, tal como se prevê com elevada probabilidade, a ocorrência de uma 2ª vaga, nomeadamente, com a chegada da época sazonal da gripe comum nos países do hemisfério norte, nomeadamente, na América do Norte, na Europa e na Ásia, todos estes números poderão parecer significativamente baixos ou mesmo insignificantes.

A dimensão da pandemia, até ao momento, não é tão grave porque se tem verificado uma diminuição da taxa de mortalidade. Ou seja, ao aumento significativo de casos não não está a corresponder um aumento significativo de morte. Isso verifica-se a nível mundial e no caos particular dos EUA, bem como noutros países. À partida este facto, a meu ver, deve-se a duas razões. Primeiro, na fase de desconfinamento tivemos essencialmente uma maior incidência da infecção nos grupos etários mais jovens, contribuindo para um quadro de assintomáticos de maior dimensão, dada a sua baixa susceptibilidade ao desenvolvimento de sintomas. Em segundo lugar, devido à época de verão no hemisfério norte, com o aumento de calor, aumento da intensidade dos raios ultra-violetas e menor humidade, o quadro de infecção ocorre induzido por uma menor carga viral que circula no ambiente (entre transmissor e receptor). Para além de outros factores que terão também contribuído para menor severidade da doença e, consequentemente, menor mortalidade, como seja: maior protecção (grupos de risco e idosos) e, mais e melhores cuidados de assistência médica.

Com a chegada do Outono, com condições propícias ao aumento da carga viral comunitária (maior número de infectados e maior disponibilidade de partículas virais no ambiente), porque as pessoas tossem mais, espirram mais, circulam mais em ambientes fechados e menos em ambientes abertos (dadas as condições meteorológicas), é de esperar uma alteração do quadro de infecção. Ou seja, maior número de casos com desenvolvimento de sintomas e maior números de casos com infecção severa. Isto, porque a carga viral inalada (boca e nariz) ou adquirida (pelos olhos) será maior em média por cada caso.

Autor: Carlos Antunes

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