Home - Opinião - COVID-19, dia 19 de Abril (o dia de relembrar #ficaremcasa é um “must”). Autor: Carlos Antunes.

COVID-19, dia 19 de Abril (o dia de relembrar #ficaremcasa é um “must”). Autor: Carlos Antunes.

Apesar de virmos progressivamente a diminuir a média de novos casos diários, a sua evolução está a ser lenta, demasiado lenta, diria! Estamos a seguir o caminho da Suíça, mas de forma muito mais lenta. Isso pode ser bom por um lado, para a imunidade de grupo, mas mau por outro. Porque os hospitais não aguentarão muito tempo em “dedicação exclusiva” à Covid-19. Devemos-nos lembrar que a maior parte dos casos clínicos, os não-urgentes, passaram para a “lista de espera”. E isso pode ter consequências, mesmo na mortalidade.

O discurso político, bem como a comunicação social, tem passado a ideia de que poderemos e devemos recomeçar a actividade. E, para além disso, estão a passar a imagem de um qualquer “milagre” que nos está a salvar do pior desta epidemia. E isso pode, e tem estado, pelo que se começa a observar, levar as pessoas para a rua, levar a sair mais de casa, em especial nos dias em que o sol nos visita e nos lembra das belas praias que temos, e dos passeios à beira mar. Pois, caso isso comece a acontecer em maior escala é certo e sabido que, não tendo a epidemia controlada, o número de casos poderá voltar a aumentar e sair desta tendência de descida.

Para além disto, este atenuar da taxa de diminuição de casos está a prologar no tempo a curva epidemiológica dos casos activos. Quando, nos últimos dias o pico dessa curva estava situado na última semana de Abril, agora está situado entre a 2ª e a 3ª semana de Maio. Ora este adiamento da recuperação dos casos activos, não só porque há uma lenta recuperação notificada dos recuperados, mas porque continuamos a ter cada vez mais pessoas infectadas, vai prolongar a sobrecarga e a ocupação dos hospitais e do pessoal médico com a Covid-19. Adiando, cada vez mais, a retoma da restante actividade clínica que ficou suspensa.

Devemos dar especial atenção à letalidade, ao número de mortes nos grupos etários dos mais idosos e, em especial, dos homens. Apesar da infecção ter maior incidência sobre o sexo feminino, a letalidade incide muito mais nos homens, em particular nos grupo etário de mais de 60 anos. Este grupo representa 96.1% de toda a letalidade de Covid-19. Nos homens a letalidade tem uma incidência de quase o dobro dos respectivos grupos etários das mulheres.

Pegando em tudo isto, devemos pensar um pouco mais sobre quais as consequências de uma recuperação lenta. E dos risco que isso comporta. Poderemos perguntar, e ao contrário de ideias, de vídeos e entrevistas que têm circulado, porque devemos #ficaremcasa? Porque devemos adoptar medidas drásticas de emergência? Somos frequentemente questionados com esta questão, nomeadamente, se não deveríamos fazer o que “supostamente” a Suécia está a fazer, se não deveríamos ter já retomado a actividade e suspendido o estado de emergência? O facto é que com a mesma população temos menos de metade da letalidade da Suécia. E estamos no grupo da frente, com menor letalidade sobre o número de casos, apenas atrás da Alemanha e da Áustria. Pois já ultrapassámos a Dinamarca.

Ora, comecemos por definir o Risco de ser infectado pelo SARS-cov-2. O risco pode (e deve) ser definido da seguinte forma:

RISCO = PROBABILIDADE X SUSCEPTIBILIDADE X EXPOSIÇÃO

A Susceptibilidade define-se pela predisposição de um indevido ser infectado por contacto a partir de um outro infectado. À partida somos todos susceptíveis. Mas como se pode ver pelos gráficos, há grupos etários que são mais susceptíveis que outros. Por exemplo, as mulher são mais susceptíveis que os homens.
A Probabilidade depende da existência de infectados nas imediações dos que são susceptíveis. Se existirem 10 infectados no nosso município a probabilidade de um susceptível ser infectado é menor do que se lá existirem 100 infectados. Ou seja, se eu for agora para o Porto e ficar lá 1 semana, a probabilidade de eu ficar infectado é maior do que se eu for passar 1 semana para Oliveira do Hospital (onde existem apenas 10 casos, para além de que quase todos estão no hospital em Coimbra).
Já a Exposição depende da distância que eu mantenho dos casos infectados e dos locais onde estes circulam. Se eu ficar em casa reduzo a minha Exposição, ao passo se eu andar todo o dia na rua e frequentar espaços comerciais e públicos, aumento a minha Exposição significativamente.

Isto permite-nos entender melhor, porque é que devemos proteger (não gosto da palavra isolar) os mais idosos. Mantê-los afastados dos possíveis locais frequentados por possíveis casos infectados é reduzir a sua exposição ao perigo de ser infectado. E porque os devemos proteger mais eles a que os jovens e as crianças? Porque os idosos são mais susceptíveis, têm maior predisposição à contraírem a infecção. Para além de que o dano é também maior. Ou seja, é maior o risco de falecerem.

Podemos ainda combinar a Susceptibilidade com a Exposição num outro parâmetro que é a Vulnerabilidade. E assim teríamos Risco = Probabilidade x Vulnerabilidade.
Desta forma generalizamos o conceito de risco, de forma a podermos separar os casos de idosos geograficamente. Os que se encontrem numa cidade do interior (com menor probabilidade) dos casos de idosos que se encontram numa cidade do litoral (com maior probabilidade). Ambos poderão ter a mesma vulnerabilidade, mas tendo diferentes probabilidades os riscos serão diferentes.

Por isso, é Urgente diminuir a Exposição e a Vulnerabilidade dos mais idosos, mantê-los protegidos a todo o custo. Ao diminuirmos ou suprimirmos o estado de emergência, estaremos a aumentar a sua vulnerabilidade e, consequentemente, a aumentar o risco da epidemia.

FICAR EM CASA É PRECISO… É NECESSÁRIO!

Autor: Carlos Antunes

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