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COVID-19, dia 6 de Abril (o dia de véspera da confirmação?!). Autor: Carlos Antunes

Será? Com 6 dias de tendência de diminuição de novos casos é para nos questionarmos se de facto a Covid-19 estará a passar pelo tão desejado pico. A confirma-se, ele acontece de forma antecipada e surpreendente.

A taxa média de variação diária do números de infectados confirmados está nos 12%, muito perto do threshold dos 10%, o qual coloca o factor de incremento próximo do limiar de 1.0, ou seja, o ponto em que a curva epidémica teórica inverte de sinal – o pico. O reajuste do modelo, baseado numa função densidade de probabilidade (PDF), do tipo exponencial, mostra-nos exactamente a passagem pelo pico, cujo falado “planalto” se terá verificado entre dia 29-Mar e 5-Abr. E isso é verdadeiramente surpreendente, pois tanto se pensava que devido à medidas de contenção e confinamento social, a curva epidémica seria achatada e o pico seria adiado. Algo que deve estar a deixar os epidemiologistas matemáticos verdadeiramente confusos, pois os princípios teóricos não se estão a verificar. Será mesmo assim?

E se os números não reportarem a realidade epidemiológica da Covid-19 em Portugal? Haverá de facto muito mais infectados do que o número reportado? Se foram já realizados 87294 testes e destes apenas 13.4% (11730 casos de hoje) foram casos confirmados, onde andarão os supostos 10x mais infectados? Estamos a falhar o alvo, a testar gente que não está infectada e a passar ao lado dos infectados assimptomáticos? Será mesmo? Então porque é que nenhum desses (dos tais 10x mais) foi apanhado nos 75564 testes de casos não confirmados? Ou não existe tanta gente assim infectada como se pensava e os princípios de epidemiologia indiciavam, os os testes por RT-PCR não consegue detectar casos sem sintomas, por eventualmente conterem uma carga viral muito baixa não detectável pela tecnologia de reacção em cadeia de polimerase (PCR). E se não for detectável por RT-PCR, então só pode ser detectável se tiver simptomas de uma pneumonia aguda (síndroma respiratória aguda severo – SARS). Então como é que saberemos se há muito mais gente infectada? A esperança está nos testes de imunidade ainda em desenvolvimento e, nalguns países, já em fase de testes. São teste sorológicos para detectar a presença de anti-corpos do SARS-Cov-2. Será a única forma de determinar quem já esteve infectado, com ou sem sintomas, com este coronavírus.

O segundo gráfico mostra-nos as duas séries de diárias de novos infectados, uma de infectados à data de notificação (a que todos conhecem) e outra de infectados à data de sintomas. Em ambas as séries se observa a ocorrência de um pico de casos, evidenciando já uma fase descendente posterior.
O terceiro gráfico mostra o modelo de evolução e respectiva projecção do número acumulado de casos de ambas as séries. É evidente a passagem pelo ponto de inflexão, a partir do qual a derivada da curva inverte a sua tendência. Esse ponto coincide com o pico da curva epidémica teórica, e é o ponto a partir do qual o crescimento do número acumulado de casos deixa de ser exponencial e passa a ser do tipo logarítmico (crescimento desacelerado).

Existem vários países europeus que já passaram por esta fase do pico, como por exemplo, a Áustria, a Alemanha, a Noruega, a Suíça e a Itália. Exemplos dos quais deixo aqui a minha análise gráfica para poderem verificar. Note-se que nem todos países apresentam uma curva epidémica simétrica. Por vezes, como é o caso da Suíça, a curva apresenta uma assimetria à direita (maior variação na fase ascendente). Mas no caso da Noruega e da Alemanha têm uma ligeira assimetria à esquerda (maior variação da fase descendente).

Autor: Carlos Antunes

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