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COVID-19, Letalidade e o Excesso de Mortalidade. Autor: Carlos Antunes

Portugal encontra-se dentro do grupo de países europeus que apresentou, nesta 1ª vaga da Covid-19, uma baixa letalidade por milhão de habitantes (Mha), bem como uma baixa letalidade percentual relativamente ao número de casos confirmados de Covid-19.

Comparado o 49º dia após o primeiro óbito equivalente de cada país. Portugal, com 97 óbitos por Mha, é apenas ultrapassado (com números mais baixos) pela Alemanha, a Áustria e a Dinamarca (dentro destes 12 países). Já em termos de letalidade percentual é o 3º país com uma taxa mais baixa (melhor que a Dinamarca), de 3.9% de óbitos relativamente ao números de casos confirmados. Embora este indicador esteja sobrestimado, por não se saber o número exacto de infectados incluindo todos os assintomáticos e não diagnosticados. E por outro lado, porque uns países realizam mais testes por Mha que outros. Enquanto que Portugal já realizou mais de 38 mil testes/Mha, a Suécia realizou apenas perto de 12 mil/Mha.

Se em Portugal existirem 10X mais infectados do que o número de casos confirmados (cerca de 250 mil), então teremos uma letalidade de 0.4%. Mas se existirem 20x mais (cerca de 500 mil), então a letalidade será na ordem de 0.2%. Para se ter a certeza desta taxa é necessário realizarem-se testes serológicos e contabilizar o número total de testes positivos (serológicos e RT-PCR) para se ter uma boa estimativa desse número. Depois, há ainda que rever o número de óbitos com causa identificada à Covid-19.

Mas em termos comparativos, mesmo que as causas de morte possam estar a ser ligeiramente diferentes entre os diferentes países, é um bom indicador da baixa letalidade da Covid-19 em Portugal, em relação a outros países europeus.

Uma outra forma de verificar-mos essa letalidade é através do excesso de mortalidade. Acedendo aos dados do EUROMOMO (www.euromomo.eu) podemos verificar, na Europa toda, e em cada país, o excesso de mortalidade ocorrido nas últimas semanas, da semana 11 à 17 (durante a COvid-19) e compará-las com o período equivalente dos anos anteriores.

O primeiro gráfico que mostro (deste site) é sobre o número de mortes semanais na Europa. Entre 2016 e 2019 temos um máximo na semana 2 de 2017 com 70 mil 692 mortes. Já na semana 14 de 2020 (a última semana de março) ocorreram 86 mil 767 mortes. Um excesso de 34 mil mortes acima do valor base (média do nº de mortes de cada semana anual respectiva).

Comparando o número acumulado de mortes de cada ano, 2020 leva já, na semana 17, um máximo acumulado superior aos anos anteriores, com mais de 159 mil mortes acima do valor base.

Para se comparar os países, ou anos diferentes, recorre-se a um indicador normalizado, o Z-score. Este indicador é a diferença relativamente à média de cada semana a dividir pelo seu desvio padrão. Mede, neste caso, o excesso de mortalidade. Um Z-score até 2 (equivalente a 2xsigma) indica que o desvio relativamente à média corresponde a 97.5% do tempo anual (dentro do normal). Ou de outro modo, apenas 2.5% das semanas tem um resíduo normalizado superior a 2. Pelo que, quando este indicador se encontra acima de 2 estamos perante um excesso de mortalidade. Assim temos, Z<2 não há excesso, 2<Z<4 excesso de mortalidade baixo, 4<Z<7 excesso de mortalidade moderado, 7<Z<10 excesso de mortalidade elevado, 10<Z<15 excesso de mortalidade muito elevado, Z>15 excesso de mortalidade excessivamente elevado.

Na semana 14 encontramos vários países com excesso de mortalidade Excessivamente Elevado: Espanha, França, Itália, Holanda, Bélgica e Inglaterra. Na semana passada, semana 17, apenas a Inglaterra se encontrava com excesso de mortalidade extremamente elevado.

Portugal aparece aqui como um dos países apenas com um excesso de mortalidade moderado nas semanas 13, 14 e 15, com um Z-score ligeiramente acima de 4. No período de dados disponibilizados neste site, podermos verificar que apenas 2016 teve um excesso de mortalidade em Portugal inferior a estas semanas de Covid-19. Todos os restantes anos, 2015, 2017, 2018 e 2019, o excesso de mortalidade foi sempre superior à verificada em 2020, mesmo durante as semanas de Covid-19.

Autor: Carlos Antunes

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