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COVID-19, porquê manter o R0 abaixo de 1.0… com exemplos! Autor: Carlos Antunes

Muito se fala do número de reprodução da Covid-19, R0, cujo valor efectivo variável ao longo do tempo, R(t), é determinante para a propagação da epidemia. Com valor superior a 1.0 a infecção cresce e desenvolve-se na forma de epidemia, com valores inferiores a 1.0 a infecção perde capacidade de contágio e a epidemia tende a parar. Mas com valores em torno de 1 a infecção mantém-se, por vezes sem tendência definida. Ora aumenta, ora diminui, mas mantém-se com uma incidência em torno de um valor médio.

Após o alívio das medidas de contenção é notório em alguns países o aumento do R0, ou pelo menos uma inversão na sua tendência, com uma convergência para 1.0, ou até mesmo ultrapassando esse limiar.

Os exemplos que hoje trago são de países europeus em que a tendência da variação de R0 é perfeitamente definida e, cujo valor, é determinante no controlo desta 1ª vaga da epidemia. O primeiro conjunto de países, Itália, Suíça, Alemanha e Áustria, mostram claramente um aumento exponencial da incidência até ao pico, que ocorreu dias depois da implementação das medidas de emergência, e um declínio após pico, suave mas progressivo.
Nestes países, a estimativa do R0 indica uma convergência para 1.0 até ao pico, e depois uma sustentada tendência do seu valor abaixo de 1.0. O que garantiu uma contínua diminuição da incidência com a convergência para valores mínimos que se têm vindo a verificar. A Itália verificou o pico de 21 a 27 de Março, a Suíça entre 20 e 23 de Março, a Alemanha de 27 de Março a 2 de Abril e a Áustria de 24 a 29 de Março.

Já o segundo grupo, a Suécia e o Reino Unido, apresentam uma subida menos acentuada da incidência até ao pico, de 10 a 13 de Abril no RU e de 22 a 25 de Abril na Suécia, e depois uma permanência em valores elevados de novos casos. O RU nos 5 mil e a Suécia nos 600. É de notar que a Suécia verifica um primeiro pico de uma onda bem definida, a 11 de Março. Essa onda termina a 17 e depois a partir de dia 18 dispara novamente num movimento ascendente até 21 de Abril.
Nestes países o comportamento da variável R(t) é diferente, depois de atingir a região de 1.0 tem-se mantido lá com pequenas oscilações. Quer o RU quer a Suécia atingiram esse limiar a 14 de Abril, contudo, a Suécia devido a uma “primeira vaga” já o tinha tocado a 17-18 de Março, mas afastando-se depois com a nova subida dos novos casos.

No caso da Suécia é compreensível estes comportamento do R0, pela sua estratégia de não confinamento. Já o RU, com locokdown, é mais difícil de interpretar esta dificuldade em “abater” o R0 para baixo de 1.0.

Daqui se conclui, que para se controlar a epidemia tem mesmo de se reduzir o R0 abaixo de 1.0 e mantê-lo lá. O desconfinamento, obrigatoriamente, tenderá a puxar para cima este valor e pode mesmo até levá-lo para valores de elevada reprodução da epidemia. Por isso, o controlo e o acompanhamento da repercussão das medidas é fundamental. Mas também o é o comportamento das pessoas e o respeito e cumprimento pelas medidas de higiene e distanciamento.

Autor: Carlos Antunes

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