Home - Opinião - COVID-19, Reino Unido pós-pico em lenta recuperação. Autor: Carlos Antunes

COVID-19, Reino Unido pós-pico em lenta recuperação. Autor: Carlos Antunes

O Reino Unido terá atingido o pico de novos casos a 11 de Abril, quando o factor médio de incremento (estimativa empírica do R(t) com atraso de notificação) ficou abaixo de 1.0. Curiosamente, o pico da curva de novos óbitos com Covid-19 ocorreu no mesmo dia.

A recuperação, quer do número dos novos casos de infectados quer do número de novos casos de óbitos, está a ser lenta. No caso dos infectados houve uma recuperação apenas de 27%, dos 5500 casos para a ordem dos 4000. Já nos óbitos a recuperação é de 44%, das 900 mortes por dia para as 500.

Em termos de incidência (taxa de ataque) estão nos 2440 casos confirmados por Mha. E em termos de letalidade estão nas 328 mortes por Mha.

Consultando o www.euromomo.eu constata-se um pico na última semana do excesso de mortalidade, com um Z-score (resíduo normalizado da mortalidade) na ordem de 48.8 para a Inglaterra. Mas valores de excesso de mortalidade idênticos verificam-se também na Escócia e no país de Gales.

Para os menos conhecedores de Estatística, é de referir que um valor de mortalidade normal é quando este Z-score é inferior a 2 (2x sigma – o desvio padrão). E começa a ser em excesso quando o Z-score é superior a 4. A normalidade corresponde à ocorrência de mortalidade em 97.5% do tempo anual, ou seja, apenas 2.5% do tempo há excesso de mortalidade (normalmente nos surtos de gripe).

Face aos países europeus continentais, o Reino Unido apresenta um atraso de pico na ordem de 1 semana e meia.

Ao nível dos infectados activos, o Reino Unido está ainda mais atraso, pois está longe de se poder observar um pico. Já que o número de infectados recuperados (notificados) é apenas de 344, quando conta já com mais de 161 mil casos.

Autor: Carlos Antunes

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