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Pouco tempo depois das eleições autárquicas de 2001, deixei o jornalismo e fiz aquilo que habitualmente se designa como uma travessia no deserto.

De improviso?

Em 2005, acompanhei de longe mais uma réplica de umas eleições locais e, muito sinceramente, nem sequer me apercebi que o candidato do PSD à presidência da câmara de um dos mais importantes municípios do distrito de Coimbra – Oliveira do Hospital –, tinha concorrido sem sequer ter apresentado aos eleitores um programa eleitoral.

Acho isto inimaginável e até caricato. Todos sabemos que o PSD local sempre foi um partido com uma base eleitoral muito assente no mundo rural; também sabemos que a marca PSD é, neste município do interior do país, uma das melhores rampas de lançamento para quem ambicione chegar ao poder.

Sempre ouvi dizer que mesmo que o PSD concorresse a eleições autárquicas com o saudoso “Henrique dos Jornais”, o PSD ganhava. E não tenhamos dúvidas que, com o Henrique, pelo menos tínhamos na Câmara um diplomata e um homem educado e de respeito.

Mas deixando este aparte, pergunto-me como é que é possível – nos dias que correm e com a competitividade que existe entre municípios –, que um candidato a presidente da Câmara vá para umas eleições sem um programa eleitoral, onde se encontrem assumidos os compromissos políticos com os cidadãos para um mandato de quatro anos.

Será que Mário Alves ainda anda com o programa eleitoral com que Carlos Portugal concorreu às eleições autárquicas de 1993? Não me admira que assim seja, pois conhecendo eu o livrinho como conheço, ainda estão lá a amarelecer muitas promessas políticas que ou não foram cumpridas ou, então, estão agora a ser concretizadas.

Não é difícil encontrar exemplos. Basta pegar nos casos do Terminal Rodoviário, do Pólo Industrial da Cordinha, ou na biblioteca municipal, que entrou agora em obra. Passados 16 anos…

Como há dias li num comentário dos fóruns da edição online do Correio da Beira Serra – há por lá muito lixo digital, mas também se encontram cidadãos com pontos de vista muito interessantes –, na verdade “não há bons ventos para quem não sabe para onde vai”. Este é um princípio básico para qualquer gestor. Seja ele privado ou público. Acho, sinceramente, que foi o que faltou a este executivo camarário. Em vez de definir uma linha de rumo para o concelho, optou pela política do improviso.

henriquebarreto@correiodabeiraserra.com

 

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