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Denúncias de CCDRC e CM de Oliveira do Hospital arquivadas num processo que deixou uma família sem casa após os incêndios de 2017

O Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), com sede em Tábua, alertou hoje que recebeu esta semana a notificação do arquivamento do processo colocado contra a reconstrução de uma habitação que ardeu em Outubro de 2017, em Oliveira do Hospital. As denuncias partiram da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), liderada na altura por Ana Abrunhosa, hoje Ministra da Coesão Territorial, e do município de Oliveira do Hospital, liderado por José Carlos Alexandrino. Estas denúncias levaram a uma investigação e a empreitada parou, tendo”deixado uma família sem tecto”, com a justiça, segundo a Maavim, a dar razão àquela família.”Acontece que passados dois anos e meio esta família está sem casa e pior que tudo é que existe uma criança que deixou a escola no Ervedal da Beira, por ter perdido a sua habitação. Todos os serviços abandonaram a família. E é o próprio MP que declara não existir qualquer indício de aproveitamento da construção como foi dito pelos denunciantes”, revela num comunicado assinado pelo porta-voz da Maavim, Nuno Tavares Pereira, para quem essas instituições têm a obrigação de terminar a empreitada e “devolver o mínimo de dignidade à família, ainda que tarde”.

A MAAVIM  alertou  também que 100 famílias afetadas pelos incêndios de 15 de outubro de 2017 continuam  sem condições para se protegerem da covid-19. “São mais de 100 famílias, em vários concelhos, que vivem agora de ajudas alheias, vivem em rulotes, vivem em anexos, sem condições para estarem protegidos” do novo coronavírus, afirma aquela instituição.

Os agricultores do Centro de Portugal atingidos por aqueles incêndios “ficaram sem nada e a maioria das ajudas prometidas nunca chegaram”, lamenta a nota de Nuno Tavares Pereira. “A floresta foi abandonada após outubro de 2017 e nunca mais recuperou. Não houve apoios e agora nem das limpezas se fala. Estamos a dois meses da época de incêndios e tudo está por fazer”, acrescenta.

Na sua opinião, “nesta época difícil”, as entidades competentes do Estado “não podem desculpar-se agora” com a pandemia da covid-19. “A incapacidade de defender a população mostra que o país quer ajudas no terreno e não no papel”, defende, reconhecendo que na atual situação de pandemia torna complicado “falar em outros problemas” igualmente preocupantes.

“Mas não podemos esquecer estes milhares de pessoas que perderam praticamente tudo e que injustamente não foram apoiados”, em áreas como a habitação, a agricultura, a floresta e a indústria, entre outras, de acordo com o comunicado. Para o MAAVIM, “tudo pode voltar a acontecer se ignorarem o que as vozes que não se calam avisam”, relativamente ao risco de incêndio nas zonas devastadas há dois anos e meio.

“São várias as câmaras ainda com dinheiro nas contas solidárias (…). As segundas habitações, de que tanto se ouviu falar, onde estão?”, questiona. O movimento de Midões, concelho de Tábua, recorda ainda que, desde 2017, “ajudou milhares de famílias” lesadas pelos fogos, nos distritos de Coimbra, Guarda e Viseu.

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