Home - Opinião - Diz-me, Centeno, quem te “empurrou” e quem te “empurra”? Autor: João Dinis, Jano

Diz-me, Centeno, quem te “empurrou” e quem te “empurra”? Autor: João Dinis, Jano

É, o homem foi  Ministro das Finanças durante cinco anos.  Dele disseram — mas atenção que houve quem nunca tal dissesse – que era um excelente ministro…que era o ministro “das contas certas” – até que era o “Cristiano Ronaldo das Finanças”.  E, de repente, pumba, aí vai ele a demitir-se precisamente numa altura em que não era suposto demitir-se, ele, o tal “mago” das Finanças, dada a época de crise grave na economia e nas finanças, precisamente.  Ou seja, e como sói dizer-se, Centeno passou a comportar-se, afinal, como as ratazanas que são as primeiras a deixar o barco quando este começa a afundar…  Aliás, já isso mesmo tinham feito, antes dele, outros Ministros das Finanças…  

Então, que motivações políticas (para além de estritamente pessoais se as há) podem estar por detrás destes desenvolvimentos que atiraram borda fora do Governo o ex-Ministro Centeno ?

Comecemos por lembrar que este é um Governo minoritário do PS quer dizer, não há outros partidos envolvidos no actual Governo.  Não tem que haver “negociações” inter-partidárias.

Em matéria das políticas que define, o Governo responde, em primeiro lugar, perante a Assembleia da República que, entre outros, tem poderes de “fiscalização” sobre a acção do Governo.  Assim corre esta parte institucional.

E a vida foi correndo durante estes últimos anos com os Portugueses a “pagarem a factura”…

Então, num dia que terá sido azarado, em plena Assembleia da República, o Primeiro-Ministro fez a “figura de ser o último a saber” acerca de uma transferência de, “apenas”, 800 milhões de euros do dinheiro dos nossos impostos para o buraco sem fundo que é o chamado “Novo Banco” mas que não passa dos “destroços” – aliás vendidos a saldo –  do outro buraco ainda maior que foi e é o BES.  Quer dizer, o então Ministro das Finanças não tinha comunicado ao “seu” Primeiro-Ministro a transferência desses 800 milhões de euros !  Ou seja, brincam com o nosso dinheiro com a maior desfaçatez!

Enfim, politicamente, o Primeiro-Ministro não podia “engolir em seco” essa vergonhosa “gafe”…

O Presidente da República foi o primeiro a “empurrar” – publicamente – Centeno do barco para fora…   Provavelmente, o Primeiro-Ministro já o tinha “empurrado”, em privado…

Entretanto, o homem-político que de facto “manda” na nossa (macro) Economia, logo, também nas Finanças do País – o actual Presidente da República – meteu-se no assunto  (mete-se em tudo…) a pretexto de uma suposta “auditoria prévia” que era suposto ter havido ao Novo Banco mas que não houve e, sobre este tema, em 48 horas, desmentiu por duas vezes, publicamente, o (ex) Ministro das Finanças com o Primeiro-Ministro a ver passar o “combóio”… 

Portanto, ao “levar porrada” do “Papa” e do “Cardeal” ao mesmo tempo, o “Bispo” Centeno ficou condenado à demissão…  E lá foi ele…

E agora, quem “empurra” Centeno para um outro lugar de topo ?  Quo vadis, Centeno ?

Até começam por ter “piada” – deve ser para gozarem connosco – os elogios rasgados, a Centeno e à sua acção, produzidos, por exemplo, pelo Primeiro-Ministro e pelo indigitado sucessor de Centeno na pasta das Finanças.  Pois se o “homem” é assim tão bom por que razão se demite ele e o Primeiro-Ministro logo aceita essa demissão ?…

Enfim, os bastidores trabalham e há quem esteja agradecido a Centeno que até está à frente de um importante cargo, o de presidente do “Ecofin, Conselho de Economia e Finanças” dos Estados-Membro da União Europeia…

O Banco Central Europeu (BCE), que aliás funciona como uma espécie de “albergue de luxo” para ex-Ministros, já deve ter comunicado – para que se cumpra – o desejo de ver o “nosso” Banco de Portugal com Centeno à frente.  Banco de Portugal que, em consequência do Euro e dos sucessivos “pactos de estabilidade” para isto e aquilo, mais não é já que uma “sucursal provinciana” do BCE, ao serviço do grande capital e do “eixo franco-alemão”…  Ah! País que fica sem a sua moeda fica sem parte substancial da sua soberania e até sem a sua independência efectiva !…

Sim, interessa-nos menos o nome do Ministro e mais as políticas que praticou ou que vai praticar.  Todavia, cá por mim, Centeno até que pode ficar lá por Bruxelas agora a “secretariar” o Ecofin, da União Europeia…  E que lhe paguem “eles” lá… 

Quanto ao novo Ministro das Finanças – que era Secretário de Estado de Centeno – de certeza que “aprendeu” com este grandes “truques” financeiros como aqueles das “cativações” (não aplicação) – para conter os défices anuais “na secretaria”- de muitos e muitos milhões de euros que até constam em Orçamento(s) do Estado com destino bem definido…

Esperamos que o novel Ministro das Finanças não venha a também “driblar” (qual alegado Messi das Finanças…) o Primeiro-Ministro se, para o ano, houver outra transferência “sigilosa” (fala-se já em 900 milhões de euros…) para o buraco sem fundo (e sem castigo…) do Novo Banco…

Basta de “golpadas” e de farsas políticas !!

 

Autor: João Dinis, Jano

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