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Dois eleitos do PS da AM da CM de Vila Nova de Poiares passam a independentes e acabam com maioria absoluta socialista na autarquia

A eleita pelo PS para a Assembleia Municipal de Vila Nova de Poiares Carla Lima, mulher do vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares, e o colega também socialista Pedro Reis desagregaram-se do grupo municipal do partido, passando a exercer os cargos como independentes. Com esta decisão dos dois eleitos, que comunicaram a sua tomada de posição no dia 24 de Junho, acabou a maioria absoluta socialista que existia naquela autarquia.

Carla Pedroso Lima é mulher de Artur Santos, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares, acusando na sua declaração, igualmente publicada nas redes sociais, o actual presidente da autarquia, João Miguel Henriques, de manter “uma postura presidencialista, centralizada na sua figura e na concentração de poderes”.  O responsável da concelhia do partido, Telmo Ferreira, “convidou” os dois deputados a renunciarem. Mas estes não lhe fizeram a vontade, com Carla Lima a afirmar que os cidadãos votavam em pessoas e não nos partidos.

Na sua declaração, Carla Lima esclarece que ficará como independente sem agregação a nenhum grupo. “Mas em exercício do mandato a que fui eleita. As minhas candidaturas, e eleições, desde há 12 anos para cá, ainda que sob projectos eleitorais com apoio do PS, foram enquanto independente e sob a premissa de servir a causa pública, norteando-me por princípios éticos e do superior interesse dos munícipes, os poiarenses”, frisa.

Embora reconhecendo que algo foi feito na gestão de dívida e pagamento a fornecedores, na dinamização sociocultural, no investimento em candidaturas e projectos europeus, na inovação e criatividade e, até, na juventude e desporto (em contraposição àquilo que vi no exercício do executivo anterior), Carla Lima sublinha que “o actual Presidente da Câmara, assume e mantém uma postura presidencialista, centralizada na sua figura e na concentração de poderes”. “E se, até determinada altura poderia compreender esse posicionamento como defensivo face a descalabro financeiro, intempéries e catástrofes, bem como, do facto de este ter aparecido na política local dentro da dinâmica que já havíamos construído, podendo sentir-se mais isolado ou deslocado, intimidado até, passado todo este tempo, isso já não se justifica no meu ponto de vista democrático”, acusa. “Por princípio, eu defendo o trabalho em equipa, sob forte liderança, mas na pluralidade construtiva de ideias, isso implica aceitação de diferenças, conflitos de ideias e, saber ouvir e dispor-se a trabalhar em conjunto”.

Referindo que pretendia terminar este mandato, integrada no grupo municipal com que se candidatou, com o presidente Assembleia Municipal que a convidou, a eleita explica que nos últimos tempos, a que as eleições e as ambições pessoais a ela (e às seguintes) não são alheias, revelou-se uma enorme falta de carácter de alguns elementos. “O que não se coaduna com os meus princípios e formas de estar, mais não seja pela postura cúmplice e de anuência silenciosa, que não pode ser menos culpabilizada que aqueles que o praticam”.

“Os eleitores não são cegos, saberão avaliar isso, mais tarde ou mais cedo, melhor do que ninguém”

“Fui louvada quanto ao meu desempenho político quando convinha, mas criticada sempre que me opus ou fiz crítica àquilo que não interessava, pese embora muitas vezes me tenha sido dada razão (caso contrário, certos pontos não teriam sido alterados ou retirados de votação em assembleia municipal). Mas, no limite, ser acusada de deslealdade, como fui, por ter amigos de outras bancadas e por tido convites para ingressar em listas eleitorais sob o apoio de outros partidos, é no mínimo ridículo. A democracia faz-se, não por ‘clubes’, mas por se colocar ao serviço do bem comum, dos poiarenses no caso. Se nos posicionarmos assim, podemos ter amigos de qualquer partido ou clube, mesmo que tenham diferentes ideias das nossas, como muitas vezes me acontece, e que só acrescenta, não retira nada. Não há só um lado certo, e é necessário dispormo-nos nessa humildade para criarmos melhores ideias, projectos, pensamentos e desenvolvimento. Por outro lado, eu nem nunca fui filiada, bem como sem ter qualquer obrigação, notifiquei, a maioria do meu grupo municipal, dos convites que recebi. Porque senti que eticamente o deveria fazer. Neste sentido, acredito que teria de ter havido melhor argumentação para sacudir pessoas ou revelar vontades de desapreço do que estas narrativas”, descreve na sua extensa prosa.

“Por outro lado, as movimentações políticas, obscuras, passando por cima dos direitos e dos mais elementares preceitos do caracter moral e ético, para fins pessoais e de pequenos grupos, com anuência geral, apesar da indignação surdina, que mais não é do que cumplicidade e validação dessas acções, é algo que não consigo ultrapassar. Seja com pessoas que me sejam próximas, seja com qualquer pessoa, mesmo de alguma que eu desgoste. Há limites que todos os seres humanos devem ter sobre si próprios e sobre os outros, e esses são os meus limites à aceitação dos outros enquanto diferentes”, continua.

A deputada conta ainda algumas desventuras da sua carreira política e mostra-se desapontada e desiludida com algumas pessoas. “Mas principalmente com muitas das que já aqui não estão, que se foram afastando [talvez fosse bom reflectir sobre isso] ou que já fizeram a sua parte há mais tempo. Tempo onde ninguém queria ser oposição. Onde se deu suor e perca pessoal, e onde não cheirava possibilidade de ascensões pessoais ou ambições populares. A essas pessoas eu devo o compromisso e a honra do que dedicaram, e sentir que tudo quanto lutaram, e eu lutei, pode ir-se embora sem semente dar fruto. Ver que os princípios e as ideias democráticas que imaginámos poderão deixar de seguir o caminho da concretização, dói bastante”, diz.

“Porque os eleitores não são cegos, saberão avaliar isso, mais tarde ou mais cedo, melhor do que ninguém. Por esses, o que me resta é não resignar, cumprir o mandato a que me comprometi, até ao final, mas assumindo tudo isto, publicamente e na desagregação ao grupo. Demonstrando que se duvidas havia quanto à minha lealdade, ela é clara: é com os poiarenses e com os princípios éticos. Sem qualquer ambição política que me impeça de agir desta forma desconfortável”, refere, concluindo que “um antepassado de família, do lado da minha avó materna, como tantos que eu guardo como Exemplos, foi há séculos atrás ‘do contra’ (talvez tradição de família) ao poder vigente. Acabou preso e morreu na cadeia, onde deixou gravado na pedra: ‘Um Lima parte, mas não verga!’”, concluiu.

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