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E o inevitável aconteceu… derrota de Rodrigues Gonçalves e do PS

E o inevitável aconteceu… derrota de Rodrigues Gonçalves e do PS. Autor: Manuel Mendes

O presidente em exercício da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital foi um dos grandes derrotados na reunião daquele órgão que começou ontem pelas 21h00 e terminou hoje de madrugada. Rodrigues Gonçalves fez tudo ao contrário daquilo que o seu cargo exige. Pareceu dar sinais pouco democráticos (fazendo recordar os tempos de Salazar), quase se mostrando incomodado com a liberdade e com a voz  divergente. E extravasou claramente as suas funções enquanto elemento que deve zelar pelo bom cumprimento das regras da AM.

O presidente do órgão deliberativo, com uma atitude pouco compreensível, apelou aos deputados que anteriormente não tinham apoiado a destituição de António Lopes para “fazerem um acto de contrição” e rever o seu posicionamento relativamente a uma deliberação que, no seu entender, tinha sido legalmente aprovada em Abril. Uma atitude própria de um deputado e não de quem ocupa o posto mais elevado no município. Um atropelo que teve como retorno uma derrota, para o próprio e para a maioria: Partido Socialista. Apesar do seu esforço, a “ratificação” apenas contou com mais um voto a favor em relação à AM de Abril, mas ao mesmo tempo um outro aumentou o lote contrário. Desta vez encontravam-se mais dois deputados presentes. Onze deles mostraram, quer votando contra, quer abstendo-se, quer votando em branco que não concordavam com o acto. Um facto que faz transparecer a continuidade desta novela política e a existência de uma discordância relevante sobre a legalidade da destituição de António Lopes.

O presidente da autarquia também não saiu bem da reunião. Particularmente ao recusar-se a responder a perguntas relevantes do deputado António Lopes. Remeteu-se mais uma vez ao silêncio. Mas não deixou de lado a sua veia populista ao fazer crer que tudo está bem no concelho de Oliveira do Hospital, desde a contratação pública às obras executadas para servir não se sabe bem quem e até ao putativo investimento privado que vai ser feito na zona industrial. António Lopes que, após uma intervenção em que voltou a pedir documentos e esclarecimentos, terminou a mesma fazendo, esse sim um acto de contrição, ao afirmar: “Volta Mário Alves está perdoado”, numa alusão ao anterior presidente da autarquia que tanto criticou por considerar autoritário.

Oliveira do Hospital, como que dá a ideia de um dia poder caminhar para uma daquelas democracias em que se aceita cada vez menos a pluralidade, a crítica e a diferença. Uma daquelas democracias em que os que governam cultivam o respectivo rancho de apoiantes, mantendo-os obedientes e dependentes do orçamento público. Num País em dificuldades, em que o desemprego disparou e a dificuldade das famílias se tornou cada vez mais evidente, essa questão emerge mais do que nunca. Uma democracia em que o poder não segue um pensamento livre, mas uma lógica que lhe permita manter “a cadeira”. E é essa lógica que formata a sua acção política.

Manuel Mendes

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