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É PRECISO QUE NÃO SE FUJA! URGE QUE SE PENSE. Autor: J.C.Pacheco Alves

Face ao novo tipo de mordaças, por vezes subtis, e que apenas servem para calar ou domesticar opiniões, será importante que coloquemos o poder das ideias acima das ideias de poder. Num tempo em que o cidadão está cada vez mais desarmado face ao sistema, em que a persistência dos autoritarismos, próximos ou mais remotos, ainda formatam boa parte da consciência dos portugueses (basta ler o Prof. José Gil e o seu Portugal Hoje – o medo de existir), será importante que não deixemos que nos cerceiem a liberdade, nomeadamente no interior do país.

Ao exercício pleno da cidadania e da liberdade de expressão não se pode constituir qualquer limite objectivo ou subjectivo. “E porque muitos, cada vez mais, fogem sem pensar, é preciso que alguns (cada vez menos) pensem sem fugir”. A cidadania impõe-nos um modo de ser solidário e pensante. É preciso por isso que não se fuja, pois a vida de um país não poderá nunca ser saudável quando todos criticam, mas de forma mais ou menos velada, em surdina e apenas perante quem convém.

Incomoda-nos por isso a pantomina, a falsa paz em que por vezes se vive e em que vegetam muitos dos portugueses. Como um dia afirmou, Manuel Alegre, se vivemos em democracia «…porquê a sensação de que nem sempre convém dizer o que se pensa? Porquê o medo? De quem e de quê? Talvez os fantasmas estejam na própria sociedade e sejam fruto da inexistência de uma cultura de liberdade individual. (…) Quem se cala perante a delação e o abuso está a inculcar o medo. Está a mutilar a sua liberdade e a ameaçar a liberdade dos outros. Ora isso é o que nunca poderá acontecer em democracia».

Por recusarem alguns de nós ocultar-se sob a forma de qualquer anonimato, sabemos quanto pode custar neste país dar a cara pelas opiniões que defendem e sobretudo quando aquilo que publicamente se exprime é contra a corrente. Mas dizer o que pensamos nada tem de extravagante ou heróico. Trata-se de um acto tão natural como respirar. Mas o preço da liberdade em Portugal, apesar dos já longos anos do 25 de abril, se paga cada vez mais caro e o direito a exprimirmos as nossas opiniões próprias e muitas vezes solitárias – ou de tomarmos iniciativas à margem das fronteiras políticas e ideológicas oficiais, sejam do Governo, das oposições ou das corporações instituídas – enfrenta restrições crescentes.

Num país com uma sociedade civil frágil e subsidiária do Estado, a independência de espírito ou de iniciativa vê-se condicionada por um calculismo permanente de interesses face aos poderes políticos estabelecidos». Não se trata de fantasmagoria e muito menos de fantasia. É a fraqueza já doentia, da nossa cidadania. Esta debilidade apenas desresponsabiliza, apenas influencia que os velhos ou mesmo os recentes autoritarismos colonizem a consciência colectiva do povo português. Se olharmos para a distância da “revolução dos cravos” fácil seria chegar à conclusão de que tais medos seriam epidérmicos, mas pela sua profundidade, teremos de dizer que há temores endémicos na sociedade portuguesa. O medo e o egoísmo estão hoje à tona, tolhendo a voz de muitos portugueses.

Vamos ter mui proximamente eleições para as autarquias locais. Se nas instituições mais citadinas já se torna, por vezes, difícil dizer o que pensamos, mas difícil se torna se nos situarmos em território do interior, nomeadamente em toda a beira interior, em que há e subsistem medos ancestrais que assombram a vida dos cidadãos das nossas vilas e aldeias do interior e que apenas lhe retiram a dinâmica transformadora que se impõe. Mais do que nunca, temos acabar com as amarras que ainda prendem as gentes do interior, nomeadamente na beira interior. Mas torna-se necessário, nas eleições locais do dia 1 de Outubro, eleger quem nos represente com olhos virados para o futuro. O interior precisa de mulheres e homens qualificados com uma visão moderna, futurista para as nossas vilas e aldeias.

Não podemos continuar a olhar para trás como se não pudesse haver futuro para mais de metade do território nacional, mas não poderão os cidadãos continuar a viver na penumbra e nem os autarcas eleitos poderão esquecer o que vão prometer na campanha eleitoral que se avizinha. Temos de lutar contra qualquer visão passadista, contra o conservadorismo retrógrado que não está á altura dos tempos. Este é o tempo de lutarmos pelo futuro das nossas terras. É chegado o momento de as não deixarmos morrer.

Voltamos por isso ao início deste texto: é preciso que não se fuja, urge que se pense. Os responsáveis pelas autarquias terão de ser transparentes na sua acção, não poderão continuar a alimentar clientelas, nomeadamente no interior, em que os meios, sendo escassos, têm de ser bem geridos, devendo ser aproveitados os quadros mais qualificados, os mais dinâmicos, para que as nossas vilas possam ser recolocadas no mapa de Portugal.

 Autor: J.C.Pacheco Alves

 

 

 

 

Foto Principal: Alfredo Cunha.

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