Home - Desporto - Em “futebolês” falemos… Autor: João Dinis, Jano

Em “futebolês” falemos… Autor: João Dinis, Jano

A Selecção Nacional de Futebol acaba de sagrar-se campeã europeia em atribulado torneio europeu disputado em França.

Honra aos heróis… como nos tempos dos césares romanos se celebravam os gladiadores que se esquartejavam em combates nas arenas…para glória desses césares e para gáudio da turbe que acorria ao espectáculo do circo romano. Daí, ter ficado célebre o dito do “para manter as multidões ´anestesiadas´ dêem-lhes pão e circo”…

Enfim, eu cá estou satisfeito com a globalidade da vitória da Selecção Nacional de Futebol…sobretudo porque isso permite aos nossos emigrantes em França olharem de frente para muitos franceses – chauvinistas e socialmente racistas – e rirem-se na cara deles. “Nós somos ´fraquitos´ – nós somos de ´là bas´- mas nós é que somos campeões. Nós vencemos a vossa Selecção Francesa!», poderão atirar-lhes e continuarem a rir-se deles…

Mas como apreciador do “futebol-espectáculo” também tenho razões de queixa desta situação. A nossa Selecção – em resultado das concepções conservadoras do treinador-seleccionador (cujo nome próprio vou omitir) – adoptou a “retranca” defensiva como sua opção táctica permanente. Ou seja, o treinador da Selecção pensou sempre, primeiro, em não sofrer golos e só quase 90 minutos depois do início de vários jogos é que começou a pensar em marcar golos (ou penaltis)… Uma “retranca” que, erigida a táctica dominante, prejudica o espectáculo e afasta público dos estádios de futebol. Dir-se-á, agora, “pois, pois, mas ganhámos o Europeu!”…

E ganhámos mas não foi o futebol-espectáculo que o ganhou. Foram os nossos jogadores…apesar e para além das tácticas “retranqueiras” do treinador. Direi que alguns dos nosso jogadores se transcenderam e jogaram-lutaram como artistas e operários dessa arte-profissão, violenta, que é o futebol de alta competição. Falo do Rui Patrício, o melhor guarda-redes do torneio – de Pepe, o melhor central – de Nani, o mais concentrado e esforçado – de Fonte, o “estreante” mais forte – de Ronaldo, o mais influente e mais desafortunado – talvez de João Mário, um estilista. Até tenho pena, mas acho que Quaresma se “desmoralizou” e Renato tem inegável talento mas também ainda tem muito tempo até saber jogar futebol. Os outros têm seus méritos – valemos e impusemo-nos pela vontade de grupo – mas, em última análise, os outros “apenas” apanharam a boleia do chuto mais feliz da vida do Ederzito…

Reconheço que, na final, o treinador esteve bem ao meter o ponta-de-lança Ederzito naquele momento concreto do jogo. Mas a questão primeira é a de sabermos por que especial razão é que não o deveria ter metido? Quer dizer, de facto “só” havia aquela opção válida para se tentar ganhar o jogo antes dos penaltis “do costume”…  E subsiste ainda uma outra questão: será que Eder, o homem do “golo”, tinha ido a jogo caso Ronaldo não tivesse sido lesionado?…

Espero, sinceramente, que esta vitória da “retranca” – e das fezadas e rezas do treinador – não venha a ter demasiados seguidores enquanto treinadores de equipas de futebol de alta competição…

E há “injustiças” que o futebol tece… Digo isto e penso nas Selecções do tempo do Eusébio…do Jordão e do Alves… do Chalana e do Oliveira… do Figo… que nunca venceram um Europeu ou um Mundial… E penso nas concepções “retranqueiras” deste seleccionador-treinador que acaba de ser campeão europeu… E não posso deixar de pensar naquele Europeu de 2004, em Portugal, com as concepções – e as maluqueiras das “rezas” – do treinador da época um tal (alcunha) “sargentão” brasileiro… Sim, são outras tantas injustiças que o futebol tece!

Futebol acima de Fado e de Fátima…

Agora, já tenho “vómitos” ao ver e ouvir tanta manipulação, tanta alienação, em torno do Futebol-Jogo e deste resultado em especial.

Já não consigo ouvir aqueles locutores da Rádio e da TV a berrarem desalmadamente, a dizerem dislates dos mais inconcebíveis, enquanto “relatam” jogos e golos…

Até o Presidente da República pregou uma pretensiosa “seca” patrioteira, a pretexto da recepção que organizou aos Campeões Europeus de Futebol, em Belém, para os condecorar. Ele teoriza bem durante as suas “erupções de patrioteirismo”, mas não vem à liça, como Presidente da República, lutar, por exemplo, pelo fim do “Tratado Orçamental “ e de outras violências que nos estrangulam a vida, a soberania e a independência nacionais…

Sim, ele e outros que tais têm colocado o Futebol acima do Fado e até de Fátima, dentro do velho e rançoso triunvirato dos tês “F” – Futebol – Fado – Fátima – com que nos tentam alienar e, note-se, eu sou um admirador de Futebol. Sim, eu acredito na beleza e na emoção do futebol-espectáculo ! Outros que acreditem no Fado…em Fátima…mas sem atingirmos estes níveis brutais de alienação, que também acaba por ser lucrativo negócio par alguns (para as SAD, para os “empresários”, para as marcas de grandes empresas e seus publicitários…etc)!… Sim, o melhor do Futebol (ainda) são os Futebolistas… que transpiram e levam cacetadas…nos joelhos…para dessa forma serem “anulados”… Sim, por maus motivos – a lesão do Ronaldo – lembrar-me-ei sempre de vós, Didier e Payet – e aqui meto mesmo os nomes destes dois (maus) “artistas”!

Pois, e o Futebol também tem que ser “apenas” um jogo… e uma final nunca pode ser… a batalha de Aljubarrota…

janoentrev1Autor: João Dinis, Jano

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