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Entrar na primavera com bons olhos. Autor: Raúl de Sousa.

A saúde ocular está sujeita a maiores riscos com a chegada da primavera. O sol aparece com maior frequência e, com ele, o consequente calor. Os olhos ficam mais expostos à luz solar, tal como aos pólenes, cuja proliferação aumenta consideravelmente nesta estação do ano, podendo dar origem a processos infecciosos, inflamatórios e reações alérgicas oculares.

A reação alérgica ocular mais comum nesta época é a conjuntivite alérgica, que ocorre normalmente quando o olho entra em contacto com alergénios, como os ácaros, poeiras, pelos ou o pólen. Existe uma reação exagerada do tecido imunologicamente mais ativo, a conjuntiva (a parte branca do olho), a esses alergénios, que se espalham pela película lacrimal e originam a inflamação, ou seja, a resposta alérgica. Este tipo de conjuntivite costuma afetar os dois olhos, mas não é contagiosa, contudo estima-se que afete cerca de um terço dos portugueses. 

A conjuntivite alérgica é geralmente associada a queixas de rinite. Os sintomas mais frequentes que geram a confusão entre as duas situações são habitualmente o prurido (comichão) ocular, olhos irritada ou olhos vermelhos, o lacrimejo, o edema (inchaço) e a dor ou desconforto locais (sensação de corpo estranho). Mesmo que se intensifique mais na primavera, estes sintomas podem ser bastante intensos e fazerem-se sentir durante todo o ano.

Se o doente já se encontra com os sintomas mais comuns desta doença, existem alguns cuidados específicos que se devem ter em conta para não agravar ou propagar a condição. Entre os vários conselhos, deve, principalmente, lavar regularmente as pálpebras e as mãos para se manterem livre de secreções e de novos organismos que possam agravar a situação ao esfregar os olhos. Para que a irritação e o edema diminuam, deve-se também aplicar compressas frias, não usar lentes de contacto para que o olho recupere na totalidade e trocar as fronhas das almofadas e as toalhas de rosto diariamente. 

Alguns dos cuidados apresentados são aplicáveis também para a prevenção da conjuntivite alérgica e não só na sua fase ativa.  Lavar frequentemente as mãos e o rosto, bem como evitar esfregar os olhos são as recomendações mais eficazes para reduzir a probabilidade de contrair esta condição. Se em conjunto com estes cuidados, também adoptar outras medidas preventivas como, deixar de lado objetos que acumulem pó e pólenes como cortinas, carpetes, tapetes ou peluches, não usar espanadores ou vassouras, preferindo os panos húmidos, a prevenção da conjuntivite alérgica é ainda mais eficaz.

Neste sentido, ao seguir estes conselhos, os olhos vão estar mais protegidos. No entanto, nunca é demais deixar o aviso que os óculos de sol, nesta época, podem também ser bons aliados. Ao usar os óculos de sol sempre que estiver ao ar livre, não só ajuda a prevenir as alergias oculares, como também protege os olhos dos raios UV, que na primavera são mais fortes. 

 

Autor: Raúl de Sousa, Optometrista e Presidente da APLO

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