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Equipa fez cerca de quatro mil quilómetros, testou 2502 pessoas, passou por Oliveira do Hospital e não foi recebida em Celorico da Beira e Tábua

Cerca de quatro mil quilómetros depois e mais de 2500 testes realizados à COVID-19, a iniciativa designada por Camião da Esperança, que juntou uma dezena de mecenas, chegou ontem ao final. Terminou no Sabugal. Bem no Interior de Portugal. Houve autarcas que não esconderam a sua admiração pelo trabalho desenvolvido e no derradeiro dia fizeram questão de estar presentes para agradecer e despedirem-se pessoalmente da comitiva. O êxito da iniciativa foi tal que existe a possibilidade de um programa idêntico voltar brevemente à estrada.

“Um dos nossos grandes objectivos era precisamente levar estes testes onde são mais complicados de realizar”, referia o médico responsável da comitiva, sem conseguir disfarçar algum cansaço acumulado. “Afinal sempre são algumas semanas longe da família, de casa, mas a forma como fomos recebidos é reconfortante e, nesta altura, temos o sentimento do dever cumprido. Conseguimos realizar testes em locais de menor densidade e ajudámos a aliviar a pressão sobre o Sistema Nacional de Saúde”, conta este clínico, enfatizando no elogio às pessoas que foi encontrando.

Um dos principais responsáveis pela logística, Paulo Costa, também não esconde que um regresso a casa lhe sabe bem. Mas não esconde que esta foi uma “experiência agradável”, com a comitiva a ser recebida de “forma fabulosa”, com as pessoas a mostrarem uma vontade enorme de fazerem de tudo para evitar o vírus que, de repente, lhes virou as vidas do avesso. “Ao fim deste tempo todo é natural algum cansaço, mas o balanço que fazemos é muito positivo. Fizemos mais de 2500 testes, o que é muito bom. Em todos os locais encontrámos pessoas que foram participativas e procuraram sempre facilitar a vida a esta equipa”, conta ainda Paulo Costa, sublinhando que nesta ponta final contaram com o apoio do empresário Fernando Tavares Pereira e do seu filho Nuno Tavares Pereira, que lhes permitiu assentar num só hotel.

O Camião da Esperança chegou aparentemente ao fim de uma só etapa. Ao que o CBS apurou existem ainda vários pedidos que não foram satisfeitos e o mais provável é uma iniciativa do mesmo género ou ainda mais musculada estar no terreno nos próximos dias. “Sei que temos várias solicitações que não foi possível atender e é bastante provável que muitos destes parceiros se voltem a juntar para colocar em campo um projecto idêntico”, frisa Paulo Costa que apenas ficou surpreeendido com a atitude de duas autarquias: Celorico da Beira e Tábua.

“Em ambos os casos estava tudo combinado, mas de repente recebemos um contacto a referir que prescindiam dos nossos serviços. Foi estranho. Uns alegaram que a ARS não passou as credenciais e outros [como foi o caso de Celorico da Beira] que não havia procura”, conta Paulo Costa da GlobalSport, salientando que estes desencontros causam sempre problemas quando se mexe com estruturas tão pesadas como é o caso. O CBS tentou saber qual a razão da ARS Centro ter aconselhado aqueles concelhos a não receberem o Camião da Esperança, mas ainda não foi possível obter uma resposta.

“Mas o problema aqui é que se fosse a autarquia a pagar os testes sem a comparticipação da ARS pagaria 100 euros por cada um e menos ainda se fossem utentes ou colaboradores de uma IPSS”, explicou ao CBS uma fonte de saúde. “Não se entende que uma autarquia considere, por exemplo, excessivo gastar dois mil euros para testar 200 pessoas de risco mais elevado, como aqueles que se encontram na linha da frente ou em locais de maior exposição”, sublinha a mesma fonte. “O problema é que aqui no Interior somos assim, não há nada a fazer”. Mas o CBS sabe que a maioria das autarquias que não conseguiu as prescrições via ARS e assumiu as despesas em nome das suas populações, como foi o caso de Gouveia e do Sabugal. “Afinal quem paga é o mesmo, ou o estado local ou nacional”, concluiu a mesma fonte.

No total, a equipa do Camião da Esperança realizou um total de 2502 testes e a média dos resultados positivos baixos para a média nacional, fixando-se em 2,2 por cento quando a média nacional ronda os 12,8 por cento. A explicação para esta média baixa tem a ver, segundo o médico Alexandre Marques, como facto do Camião da Esperança testar fundamentalmente pessoal da linha da frente que naturalmente tomam muitas precauções. “Se retirarmos estes tipo de testes a média sobe acima dos nove por cento”, explicou o clínico momentos antes de dar por encerrada a aventura que começou em Abril em Vila Real e terminou no domingo no Sabugal.

O “Camião da Esperança” é uma viatura totalmente equipada, que contou com uma equipa de quatro médicos, quatro enfermeiros, dois administrativos e um motorista e percorreu, até 19 de maio, municípios do interior com o objetivo de informar, aconselhar e testar os habitantes destes territórios. A responsabilidade técnica da acção foi assegurada pela Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, que articulou com a Autoridade de Saúde “a identificação de focos prioritários, procedimentos de rastreamento e atuação, sempre com o envolvimento dos responsáveis municipais”. O projeto contou com o contributo da Galp, TVI, Rádio Comercial, KPMG, Unilabs, Mundipharma, Planetiers World Gathering e GlobalSport.

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