Home - Outros Destaques - Especialista em incêndios Xavier Viegas fala ainda em “falhas gritantes” e a MAAVIM refere que há ainda mais combustível que antes

Especialista em incêndios Xavier Viegas fala ainda em “falhas gritantes” e a MAAVIM refere que há ainda mais combustível que antes

A limpeza dos terrenos continua a ser a preocupação de quem vive no interior do país e sobretudo daqueles que passaram pelos incêndios de 2017. Os especialistas, em declarações ao semanário Sol, dizem que ainda há um longo caminho a percorrer, apesar de existirem melhorias nos últimos três anos. E há quem defenda que, sem apoios financeiros para as limpezas, será impossível garantir a segurança durante a época de incêndios.

Domingos Xavier Viegas, especialista em incêndios, sublinha,em declarações ao semanário SOL,  que, em relação a 2017, “de um modo geral, na parte da vigilância e da intervenção tem havido melhorias” que se reflectem “na redução do número de ocorrências” também “em resultado das campanhas de sensibilização que se têm realizado e de uma maior consciência das pessoas”. Mas fala também em falhas gritantes como nas auto-estradas e nos Caminhos de Ferro. Já Nuno Pereira do Movimento Associativo de Apoio às Vitimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM) diz que em relação ao que se devia fazer está muito por fazer e sublinha que existe ainda a falta de capacidade financeira para os proprietários realizarem as limpezas, o que leva à desertificação.

Em 2020, porém, o país registou uma área ardida de 1231 hectares, segundo os últimos dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Comparativamente com os anos anteriores, regista-se uma quebra. Mas apesar desta redução, segundo Xavier Viegas, falta, “no entanto, um trabalho que é o de preparação das fixas de gestão de combustíveis na rede primária que está planeada”. O especialista em incêndios acrescenta que se têm dados alguns passos, “mas a sua realização está ainda muito deficiente”.

Sobretudo depois dos incêndios de 2017, a limpeza de terrenos ganhou uma nova dimensão – fala-se mais em limpar e em multas para quem não cumpre os prazos estipulados pelo Governo. No entanto, sobre este assunto, chegam duas opiniões: uns dizem que está tudo igual ou pior, mas há quem defenda que houve avanços neste campo. Xavier Viegas admite que uma das áreas que registou melhorias foi exactamente a “limpeza de terrenos junto de casas e de povoações”. “Houve uma actividade muito interessante de reacção dos cidadãos, dos proprietários e das autarquias para garantir a protecção e a melhoria das condições de segurança das populações. Isso é fundamental”, acrescentou.
No entanto, há dúvidas sobre se esta actividade de limpeza foi também seguida por “entidades responsáveis por infraestruturas rodoviárias , ferroviárias e das das redes eléctricas e telecomunicações”, disse o especialista no tema dos incêndios, explicando que nestas infraestruturas “ainda se mantêm algumas fragilidades”. E dá exemplos: “Nos comboios, não sendo muito comum, têm surgido alguns incêndios provocados por faíscas que saem do sistema de travagem dos comboios e que atingem vegetação seca. E também as linhas eléctricas, devido à não gestão adequada da vegetação”.

Nas estradas, por exemplo na A1 no troço entre Coimbra e Porto, é possível ver que há zonas onde eucaliptos e pinheiros “se por ventura arderem poderão pôr em risco a vida dos seus utilizadores”, explicou Xavier Viegas, acrescentando que, caso a vegetação esteja próxima das vias, “poderão pôr em risco, claramente, a vida das pessoas que as usam”.  Sobre as estradas, Nuno Pereira, do Movimento Associativo de Apoio às Vitimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), relata que na zona afectada pelos incêndios de Outubro de 2017 há ainda o perigo que resulta da falta de limpeza junto às vias. “Daquilo que temos visto, foi feito mais no ano passado do que este ano. Têm sido feitas algumas limpezas, mas muito pouco para aquilo que se prometeu”, defendeu.

Além disso, reside na região Centro do país o problema da limpeza daquilo que restou dos incêndios. O porta-voz da MAAVIM arrisca dizer que  “cerca de 40 por cento do que ardeu a nível de pinheiros, não foi retirado, o que é muito perigoso, porque se vem um incêndio arde novamente, porque, embora já tenha ardido em 2017, esta madeira que está no terreno, arde por dentro porque é a parte que ficou seca”. “Existe até mais matéria para arder do que existia antes”, acrescentou este responsável ao semanário Sol.

A limpeza dos terrenos traz  ainda outra problemática: a desertificação. A diminuição da população no interior do país significa também o abandono das terras. E depois há a falta de dinheiro:  “As pessoas mais idosas deixaram completamente os terrenos por limpar, porque também não há dinheiro. Se não houver apoio para as pessoas limparem, as pessoas vão deixar de o fazer e depois pagamos caro na época dos incêndios”, rematou Nuno Pereira.

LEIA TAMBÉM

CDU de Vila Franca da Beira: “já basta de desmazelo na resolução de problemas simples de resolver!”

A CDU de Vila Franca da Beira congratulou-se hoje pelo facto da União de Freguesias …

CDU reclama da Junta “mais respeito pelos mortos e vivos” de Vila Franca da Beira

A CDU acusou a União de Freguesia de Ervedal e Vila Franca da Beira de …