Home - Opinião - Este país já passou por muito pior e sobreviveu. Autor: António Santos Lopes

Este país já passou por muito pior e sobreviveu. Autor: António Santos Lopes

Estou a pensar que é nos momentos de crise e dificuldade que se deve manter a calma e serenidade. É dos livros que um exército (Povo) sem disciplina é um exército (Povo) vencido. Afinal, tudo o que nos é pedido é um pouco de disciplina: mantendo-nos em casa.

Dizem os psicólogos que, quando nos confrontamos com problemas maiores que os nossos, temos tendência a sentir-nos conformados, por vezes até envergonhados, pelas nossas lamúrias. Pensando nisto, lembrei-me de repescar os maus (piores) momentos da nossa história, aqueles que andam mais na nossa memória colectiva. E este Povo já passou por coisas bem mais graves e difíceis.

Alcacer Quibir, mais propriamente na pequena localidade de Suaken, 4 de Agosto de 1578, tivemos a maior derrota militar de todos os tempos. Um exército de mais de 25 mil homens, dos quais 12 mil portugueses foi completamente aniquilado. Nove mil mortos, 16 mil capturados. Apenas cerca de cem pessoas conseguiram escapar. Perdemos a independência. Acabou a Segunda Dinastia e ficámos completamente delapidados para pagar os resgates dos nobres presos.

Terramoto de 1755, 1 de Novembro: Oficialmente 10 mil mortos. Sabe-se hoje pela magnitude do terramoto e altura do tsunami que se seguiu, considerando a população de Lisboa, que terão sido cerca de 70 mil vítimas.

Batalha de La Lys. 9 de Abril de 1918. Cerca de 7 mil baixas, entre mortos, desaparecidos e prisioneiros, num só dia.

Guerra Colonial: muito presente nas nossas memórias, especialmente da minha geração, que a viveu durante 14 anos. Apesar de tudo o que se diz, e não está em causa o sofrimento de quem a viveu, em média, morreu um militar continental a cada quatro dias de guerra, considerando as três frentes, num total de 4027 militares. A guerra teve 8831 mortos registados. Mais de metade eram do recrutamento das próprias províncias. Estima-se que, em combate, morreram cerca de 75 por cento.

As maiores baixas em um só dia, aconteceram no Rio Corubal, Cheche, Guiné, em 6 de Fevereiro de 1969, onde morreram cerca de 50 militares na travessia do rio.

Na travessia do Rio Zambeze entre Chipanga e Mopeia, Moçambique, também numa jangada, morreram 101 militares no dia 21 de Junho de 1969.

Hoje, estamos confrontados com esta pandemia. Uma só baixa é muita baixa. Não sabemos se vai superar os números atrás descritos.Estou em crer e espero que não.

Aconteça o que acontecer, não nos será pedido o esforço e sofrimento físico que aconteceu em tudo o que atrás está descrito.

Donde, NÃO HÁ DESCULPA PARA NÃO SE FAZER O PEQUENO ESFORÇO QUE NOS É PEDIDO. FIQUE EM CASA..!

Também não há razão para deixar cair os braços pelo pânico ou desânimo.

ESTE PAÍS JÁ PASSOU POR MUITO PIOR E SOBREVIVEU..!

 

Autor: António Santos Lopes

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