Home - Últimas - Festa, sim! Colectividades como “barrigas de aluguer” da Câmara PS é que não! Autor: João Dinis

Festa, sim! Colectividades como “barrigas de aluguer” da Câmara PS é que não! Autor: João Dinis

Escrevo esta posição dia 5 de Outubro, o dia da implantação da República em Portugal! Preferia escrever sobre essa época notável em que houve Portugueses, daqueles com “eles no sítio” – usemos o aforismo popular – capazes de enfrentar, e vencer, os abusos praticados por uma monarquia e uma nobreza (saídas do regicídio de 1908) em forte queda de popularidade e legitimidade.  Porém, sinto-me obrigado a escrever sobre um outro caso que, embora muito menos importante, todavia mexeu comigo, com os meus princípios sobretudo

Falamos de uma iniciativa que poderia ser meritória e se justifica ser realizada em Vila Franca da Beira. Foi o denominado “Encontro de Concertinas da Pastorícia” com programa para 4 e 5 deste mês, ou seja, acabadinho de se realizar em Vila Franca da Beira.

Começar por dizer que há muito tempo se não via tanta Gente junta na minha Terra, o que foi bom de constatar que é tempo de se recuperar o gosto também pela vida colectiva.

Esclarece-se, à partida, que não pretendemos fazer uma crítica com a tónica nas Colectividades Populares envolvidas, seus Dirigentes e outros Animadores. Quando muito, reservar-me-ia para falar da Colectividade da qual sou sócio há mais do que 50 anos, a União Desportiva e Tuna Vilafranquense, UDV, em cuja Sede foi montada a maior parte dos actos públicos desta iniciativa.

Trata-se de um “Encontro de Concertinas” em cujos dois cartazes de divulgação aparecem:

— Organização: – “Grupo de Concertinas – Oliveirenses e Amigos” –

— Parceria: – “Município de Oliveira do Hospital” com o logotipo tradicional do Cavalo e do Cavaleiro armado – ainda um outro logotipo com Cavalo e Cavaleiro menos ataviados e com os dizeres: – “Cultura – Município de Oliveira do Hospital”.

— Apoio:- República Portuguesa – Cultura – Direcção Regional de Cultura do Centro”.

Portanto, por aí se vê a nomenclatura organizacional do “Encontro” e em que a organização é atribuída a uma Colectividade (um Grupo de Concertinas), a “parceria” à Câmara e o “apoio” à Direcção Regional de Cultura do Centro, esta uma estrutura regional do governo PS.  Entretanto, nem referência à  “minha” UDV que acolheu esta iniciativa paredes adentro.

Um dos cartazes tem o programa mais detalhado e o outro trás um rebanho de ovelhas em grande destaque.

Porém, podemos dizer que aquilo que mais concretizaram do “Programa” foi exactamente aquilo que lá não constava explícito:- as intervenções partidarizadas dos eleitos do PS na Câmara, na Assembleia Municipal e na Freguesia, os quais usaram e abusaram do micro e da aparelhagem sonora e a partir daí abusaram da paciência, pelo menos da minha que não me dispus a ouvi-los até ao fim.  E ainda em tempo de pandemia – e mesmo com a presença dos dois habituais “pivots da Covid 19” da Câmara Municipal — não se lembraram de abrir as janelas da Sede da UDV, isto num dia com boa temperatura o que, aliás, tinha permitido realizar a céu aberto quase todos os actos da iniciativa, pelo menos hoje 5 de Outubro.  Ou seja, ainda não tomaram posse os recém-eleitos PS e já todos usaram da palavra, uns atrás dos outros e sem contraditório.  Isto numa iniciativa – supostamente organizada por uma Colectividade – e sim, politizada e, sim, partidarizada, e mais uma vez paga com dinheiro público…

Mas de ovelhas nem balidos ou pegadas…e de chocalhos, “património cultural e imaterial da Humanidade”, os principais organizadores pelo lado da Câmara até parecem ignorar (pouca cultura local…) que em Vila Franca da Beira há uma já ancestral colecção (privada)- espectacular – de chocalhos usados em rebanhos de ovelhas e cabras que merecia ter sido exibida, no contexto.

Mas, fica evidente, aquilo que “eles” mais queriam era ter protagonismo em público, perante muita Gente, de muitas Povoações…

Defesa da autonomia das Colectividades face ao poder político-partidário (PS) instituído

Afinal, este comportamento repete-se.  Utilizam Colectividades como autênticas “barrigas de aluguer” para promoverem iniciativas que até poderiam ser meritórias mas que acabam por servir a propaganda antidemocrática do PS e seus principais eleitos em Oliveira do Hospital.

Nós próprios somos adeptos da realização de muitas Festas e Convívios.    Realizámos muitos e com sucesso mas fomos nós quem os decidiu fazer e como os fazer, sem “comandos” antidemocráticos da parte do poder autárquico municipal apesar dos apoios que sempre lhe reclamámos.   Também se trata de fazer respeitar a autonomia das Colectividades e mesmo das Freguesias perante a intromissão político-partidária, no caso da parte do PS e seus principais eleitos municipais, muitas vezes a pretexto de um subsídio camarário.

E, já agora, o grande evento municipal (e regional) neste contexto de rebanhos de ovelhas (com algumas cabras), pastores, pastorícia, deve ser feito (um dia e uma noite) no alto do Monte Colcurinho, ao redor da Capelinha da Nossa Senhora das Necessidades, aí juntando em convívio, digamos que antropológico, o maior número possível de rebanhos, e também de Pessoas (e não apenas pastores) à volta de umas boas chanfanas regadas com boa pinga… olhando a 360 graus a toda a volta desse “nosso” cume (1 242 metros) da Serra do Açor…para ver melhor as zonas de pastagem dos rebanhos de antanho, cá em baixo.

Mas, fica escrito, com este tipo de “vício” político-partidário, também assim começam a cansar as Pessoas mais atentas, mais independentes em relação aos titulares do poder autárquico.  Aliás, esse cansaço já faz corrente de opinião…

Elas cá se fazem e (quase sempre) cá se pagam !…

 

 

Autor: João Dinis, Jano

LEIA TAMBÉM

COVID-19 em Seia continua a aumentar

O concelho de Seia voltou a registar um aumento de casos de COVID-19. De sexta-feira …

Fernando Ruas eleito por unanimidade presidente da CIM Dão Lafões

O presidente da Câmara Municipal de Viseu, Fernando Ruas, foi eleito por unanimidade como novo …