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Foguetório verbal ou  deriva presidencial/municipal… Autor João Dinis

Vivemos tempos difíceis. É lugar mais do que comum dizer-se isso. Porém, infelizmente, é verdade.  E difíceis são eles, estes tempos, que consigo arrastam para o “pecado” do exagero o simples bom senso ou seja, até o bom senso está com a vida dificultada.

Generalizam-nos, a uns e a outros, e metem-nos no tal “estamos todos no mesmo barco”  – uma pandemia provocada por um vírus que se metamorfoseia e que agora está na fase do “covid 19”.  E a pretexto, segrega-se “pensamento único” a escorrer como baba, ainda que lustrosa, do cérebro dos “iluminados” de turno.  E é mal visto e fica malquisto quem não estiver de acordo com tais “homens honoráveis” e isso manifeste. Aliás, os “honoráveis” de turno fazem questão em ter razão mesmo que a não tenham e tudo fica ainda mais difícil.

Quero afirmar que não me move qualquer má vontade contra os protagonistas do “comando público” e que também não pretendo fazer juízos de valor. Reconheço que, muitas vezes, quem tem maiores responsabilidades nestas situações está sob pressão permanente e a fazer o que pode e melhor sabe. Mas, também por isso mesmo, é necessário que haja quem “meta água na fervura” e dê outras perspectivas. Falamos de políticas alternativas, exactamente em tempo de crise aguda. Afinal, não há só um caminho para se ir a Roma…

Eu cá estou “confinado” (compulsivamente) mas nem um segundo me calarei !

Reafirmo que tem havido excessos oficiais nas regras dos “estados de emergência” e que, ainda por cima, há quem queira ser mais “papista que o Papa” e se ponha a “inventar” ainda mais regras. Sim, têm sido maltratados direitos e liberdades Constitucionais. Reafirmo que o mais notável nestes tempos têm sido a colaboração e a disciplina da População no acatar aquilo que nos tem sido imposto, dizem-nos que “para nosso bem”.

A  Presidencial/Municipal deriva.

É verdade que a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e, nesta, o seu Presidente, se têm envolvido ao máximo na crise do “corona vírus”.  E que, com tanta participação – com tanto “protagonismo” – acabam por ir além das suas funções e competências. De outras vezes, “metem os pés pelas mãos” naquilo que classificamos como uma autêntica deriva, em “zig-zag”, que podemos ilustrar com exemplos do “foguetório verbal” dos últimos tempos.  Vejamos:

– Logo no início, o Presidente da Câmara chegou a “ameaçar” com o “estado de calamidade municipal” e ainda não havia um caso de “covid 19” por cá confirmado.

— Ameaçou várias vezes encerrar, na prática, os cafés a pretexto de que o Pessoal se lá juntava.

— “Ameaçou” gastar até 250 mil euros municipais em “ventiladores e monitores” para os doentes já em fase mais aguda e “testes rápidos” ao corona vírus quando essa competência é, todinha, do Ministério da Saúde e do Governo (PS).

— Falou em montar, por cá, um “hospital de campanha” – outra competência do Governo.

— E sem que a essência da ideia seja um erro, todavia, a forma surgiu desfigurada e meramente como um “desabafo” quando o Presidente veio falar em se taxar as grandes fortunas e as empresas como “contributos” para combater a crise, embora não tenha especificado que tipo de empresas ou empresários que não são todos iguais…

***

Ou seja, “foguetório verbal” para fazer notícia.  Dentro daquela ilusão de que o Presidente da Câmara “é o Município”…  Enfim, uma pretensão que encontra espelho na época medieval dos “feudos”…

Assembleia Municipal “fantasma” – 30 de Abril –

para despachar aprovação de empréstimo de 3 milhões de euros…

Mas não foram capazes de reunir também  por causa da crise do “corona vírus”…

A necessidade aguça o engenho mas nem sempre a “engenhoca” surge isenta de críticas…

As maiorias PS na Assembleia Municipal e na Câmara, precisavam de ver aprovado um novo empréstimo municipal no caso de 3 milhões de euros.  Vai daí, convocaram uma sessão extraordinária e “virtual” da Assembleia Municipal – por vídeo-conferência – que se realizou a 30 de Abril.  

Ah, Município tão informaticamente evoluído – seguramente que por ser gerido pelas “ditaduras das maiorias” PS  — que até faz sessões “fantasmas” da Assembleia Municipal !       

E lá aprovaram o empréstimo que a Câmara quer contrair. Mas, enquanto isso, não foram capazes de também pôr “em ordem do dia” a situação que decorre desta grave crise do “corona vírus”…  Pois que grande falta de sensibilidade social e política das “ditaduras das maiorias” PS, em Oliveira do Hospital !

De notar que esse empréstimo também prevê uma verba de 250 mil euros para obras várias no Estádio Municipal em Oliveira do Hospital.  Em nossa opinião, é dinheiro a mais a gastar em obras não prioritárias – AINDA POR CIMA EM ÉPOCA DE GRAVE CRISE !

Ajudar as Famílias  –   Apoiar a economia  –   Menos “foguetório “ verbal…

Pois é. Somos “forçados” a dizer que uma política municipal de facto alternativa – que há e sem ser necessário ir estudá- la à escola – reclama mais contenção no “foguetório verbal” e mais acerto nas decisões políticas que “mandam” nos actos de gestão municipal.  Enfim, apresentar candidaturas aos fundos europeus, isso todas as Câmara o fazem com maior ou menor sucesso, o que também depende – antidemocraticamente – da respectiva côr político-partidária… 

Aqui, esta Câmara Municipal deve ajudar os rendimentos das Famílias e da economia local e regional.  E não o está a fazer como pode e deve.  Por exemplo, isentando do pagamento  duas ou três facturas da Água – Saneamento – Lixo.  Reduzindo Taxas e Impostos Municipais. Apoiando, com apoios financeiros, as Famílias que têm Crianças e Jovens nos vários tipos de Ensino e nas Creches. Dessas formas a Câmara também vai apoiar o consumo e a economia local.  E reabrindo as Feiras também. 

É que, com muito menos “foguetório verbal”, outras Câmaras, e aqui ao nosso lado,  o estão a fazer, para proveito dos seus Munícipes.  

Compreendamo-nos: – eu não quero mudar de Concelho.  Quero é que mudem “estas coisas” dentro do meu Concelho !   Ora bem !

Viva Abril !               Viva Maio !                A luta continua !

1 de Maio de 2020

 

Autor: João Dinis, Jano

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