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Governo egípcio decreta estado de emergência

Violência alastra a várias cidades do país. Últimas informações apontam para mais de uma centena de mortos, só no Cairo.

A investida das forças de segurança contra os apoiantes de Mohamed Morsi, o Presidente islamista deposto em julho pelo Exército, desencadeou uma onda de violência que está a manchar de sangue o Egipto. Além do Cairo, onde segundo as mais recentes informações mais de uma centena de pessoas foram mortas nas últimas horas, há notícias de confrontos em Alexandria e em várias cidades do Delta do Nilo. O estado de emergência foi decretado em todo o país e o recolher obrigatório foi anunciado para o Cairo e 11 províncias.

A situação em várias zonas da capital egípcia é descrita como caótica e as restrições impostas pelos militares impedem os jornalistas de confirmar muitas das informações postas a circular por ambos os lados – a Irmandade Muçulmana, movimento islamista de que Morsi era dirigente, diz que a polícia matou mais de dois mil manifestantes; o governo interino (tutelado pelos militares) confirma apenas 56 vítimas em todo o país, incluindo vários polícias.

Mas as informações que os repórteres conseguem recolher e as imagens que chegam das ruas são suficientes para dizer que este será um dos dias mais violentos (se não mesmo o mais violento) no Egipto desde a revolução de 2011. Um fotógrafo da AFP que está na praça de Rabaa al-Adawiya, que é desde o início da contestação a Morsi o bastião da Irmandade no Leste do Cairo, contou 124 corpos em três morgues improvisadas. Outros repórteres confirmam também terem visto dezenas de corpos no local.

Num hospital de campanha, onde falta quase tudo, os médicos viam-se obrigados a deixar os casos mais desesperados para tratar apenas dos feridos que podiam ainda ser salvos, segundo o relato do jornalista da AFP.

Nas morgues, muitos dos cadáveres tinham marcas de bala na cabeça, confirmando os relatos de que as forças de segurança usaram fogo real logo quando avançaram sobre a praça.

Entre os mortos há pelo menos dois jornalistas, um dos quais um operador de câmara que trabalhava para a Sky News. A Irmandade Muçulmana adianta também que a filha de Mohammed al-Beltagui, um dos seus principais dirigentes e um dos poucos que ainda não foi detido, foi morta durante a manhã na praça, com um tiro no peito.

Face à escalada de violência, o presidente interino, Adly Mansour, emitiu um comunicado em que decreta o estado de emergência em todo o país a partir das 16h locais (15h em Portugal continental) pelo período de um mês.

publico.pt

 

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