Home - Opinião - Guterres…mas devagar… Autor: João Dinis, Jano

Guterres…mas devagar… Autor: João Dinis, Jano

António Guterres está “eleito” Secretário-Geral da ONU. Escrevo “eleito” entre aspas porque, afinal e de facto, nós não votámos nesta sua eleição…

Enfim, à partida, digo que não é indiferente ser ele o “eleito” ou sê-lo uma das senhoras que apareceram como candidatas ao mesmo cargo. Dito de outro modo, à partida prefiro a sua “eleição” à eleição da senhora Vice-Presidente da Comissão Europeia que até foi candidata assim a modos que “a martelo”.

Guterres está “eleito” Secretário-Geral da ONU devido a um conjunto de circunstâncias para as quais, sem dúvida, ele também contribuiu. Mas, saliento, ele não foi “eleito” por ser um português. Aliás, para Guterres, a dada altura, Portugal parece que ficou demasiado pequeno tendo em conta o seu (enorme) ego… Agora, ele autodefine-se como “um cidadão do mundo”, e nós acrescentamos, que (por acaso…) usa Cartão de Cidadão com nacionalidade portuguesa… Daqui, eu não embandeirar em arco com entusiasmos patrioteiros e com cheiro a manipulação “emocional” para português bater palmas agradecido, digamos assim. E agora, na ONU, Guterres até vai falar muito mais em inglês (a língua do dólar…) do que em português (a nossa língua de Camões…).

Acresce que eu, como português que faço questão em ser, eu até tenho várias razões de queixa em relação ao ex-Primeiro-Ministro António Guterres… Bem sei que a “vitória” – como agora nos apresentam esta sua “eleição” – tudo tende para apagar e que, com a “gritaria” laudatória em curso, as responsabilidades políticas e práticas, passadas, são puxadas para o esquecimento colectivo…

Mas enquanto Primeiro-Ministro de Portugal (e já nem recuo aos tempos da(o) “picareta falante” na Assembleia da República), António Guterres fez umas coisas positivas mas, note-se, assinou com Bruxelas (1997) o primeiro PEC, Pacto de Estabilidade e Crescimento, já com sérios condicionantes (“cortes”) às finanças nacionais, um PEC que abriu caminho para o agravamento da submissão nacional perante os países e os interesses dominantes nesta UE, e para o “garrote” financeiro que, hoje, nos asfixia e nos dá cabo da vida. No seu segundo mandato, lembremo-nos, “comprou com queijo” – o caso caricato do Queijo Limiano – um deputado do CDS para fazer aprovar, na Assembleia da República, dois (maus) Orçamentos de Estado… Demitiu-se de Primeiro-Ministro a pretexto dos maus resultados do PS nas Eleições Autárquicas de 2001, tendo na altura afirmado que se demitia para evitar que o nosso País “caísse num pântano político”. Mas, com essa sua demissão, afinal, abriu a porta para que lhe sucedesse Durão Barroso (esse elemento espécie de vergonha nacional…) como Primeiro-Ministro e para que a direita pura e dura (PSD e CDS-PP) ficasse no poder. Também como é sabido, António Guterres foi um amigo “prestimoso” de Ricardo Espírito Santo, sendo que notícias da época até indicam que Guterres ia passar férias de luxo ao Brasil, através da tristemente célebre “Rioforte” (que também “intoxicou” a PT…), nas estâncias de estilo facultadas pelo citado “dono” do BES, este um personagem cujas “engenharias financeiras” (…) estão a custar coiro e cabelo aos Portugueses…

Afirmo que, feitas todas as contas, nos seus seis anos enquanto Primeiro-Ministro, Guterres piorou-me (nos) as condições de trabalho e de vida por outras mais decisões e actos governativos. Portanto, eu não me posso esquecer disto tudo que é muito!…

Na “onda” do momento, o Ministro dos Negócios Estrangeiros faz a sua propaganda com o objectivo de tirar partido – partidário e governamental – desta “eleição”.  Acredito que o governo actual se tenha esforçado para o efeito mas duvido muito que tenha sido essa acção oficial a determinar a “eleição” de Guterres.

Mas também, ao ouvir as declarações exultantes em alegria do Padre Vitor Melícias – amigo e confessor, de longa data, de António Guterres – acredito que este tenha sido decisivamente mais influente – junto do Patriarcado Português e do Vaticano e, daqui, com o próprio Papa Francisco – para se obter o resultado final a favor de Guterres do que, para isso, tenham afinal contribuído o Governo Português ou o Presidente da República. Podem até vir para cá com desmentidos, podem até dizer que Guterres “não vai rezar missas para a ONU” mas não é de modo algum indiferente para a Igreja Católica e para o Estado do Vaticano terem ou não terem um Secretário-Geral da ONU enquanto católico fiel e, penso, católico praticante…e com a experiência internacional que Guterres de facto tem. Ou seja, estou convencido que esta “eleição” de Guterres também foi “obra de Deus”…

Vamos a ver que fará Guterres para amainar as guerras e para acabar com o crime que esta União Europeia está a cometer com os “campos de concentração” que estão a montar para lá meter, à força, os “Refugiados”…

Quanto àquilo que de Guterres se espera que faça enquanto Secretário-Geral da ONU, ele não poderá resolver muitos dos principais problemas internacionais desde logo porque quem manda nessas “coisas” são três ou quatro superpotências que respeitam a ONU apenas quando isso convém aos seus interesses económicos e estratégicos. Quem manda nos assuntos mais importantes é o Conselho de Segurança e, neste, mandam as superpotências, juntas ou separadamente…

Todavia, reconheça-se, há um evidente consenso em torno de Guterres, agora, após as ameaças de disputa da sua “eleição”. Apesar de tudo, esse é um valor intrínseco que pode dar jeito…ou seja, Guterres poderá usar a sua “diplomacia de influência” para (se quiser) tentar reequilibrar os pratos da balança da justiça internacional e, assim, granjear credibilidade para a ONU que tem sido mais do que parcial em decisões importantes.

Por exemplo, Guterres foi Alto-comissário da ONU para os Refugiados. Pois bem, vamos a ver que fará ele, que posições vai já tomar, quanto a este magno problema dos “refugiados” vindos do Médio Oriente e de África. Vamos a ver que fará ele para acabar com o crime que esta União Europeia está a cometer ao instigar e ao pagar a instalação de autênticos “campos de concentração” para lá meterem, à força, largas dezenas de milhar de refugiados que, desesperados, fogem da guerra e da fome geradas pelo “sistema” – ou pelo menos pela parte dominante deste “sistema” – que “elegeu” Guterres como Secretário-Geral da ONU. Sim, vamos a ver, e não demora muito…

E tendo em conta opções políticas… Em 2001, Guterres optou por deixar Portugal e partiu para servir em outras e mais globais ambições… Hoje, António Costa vai ter que optar entre servir, mais e melhor, Portugal e os Portugueses ou servir esta União Europeia e quem nela mais manda e mais “lucra”. Também aqui vamos a ver, e não demora muito…

janoentrev1Autor: João Dinis, Jano

LEIA TAMBÉM

Em Ano de Autárquicas, Correr Atrás do Prejuízo é o Desporto Nacional. Autor: André Rui Graça

Pelo menos assim parece. O título é claro quanto baste. Irei elaborar melhor o que …

O céu de Setembro…

A primeira efeméride relevante deste mês é a passagem da Lua junto a Pólux uma …