Home - Outros Destaques - “Há muitos que são obrigados a fazer limpezas e nem têm dinheiro para comer e no domínio público continua tudo maioritariamente abandonado”

“Há muitos que são obrigados a fazer limpezas e nem têm dinheiro para comer e no domínio público continua tudo maioritariamente abandonado”

Fernando Tavares Pereira considera que o poder central e as autarquias têm de tomar uma posição em relação à forma como é limpa a floresta. O empresário diz que está tudo abandonado e mandam limpar àqueles que quase não têm dinheiro para comer, quando aquilo que é do domínio público está um barril de pólvora. “Tem de se levantar alguém que diga que o Interior também é Portugal”.

CBS – Teme uma repetição da catástrofe de 2017?

Fernando Tavares Pereira – Como costumamos dizer na gíria: o cântaro tantas vezes vai à fonte que um dia fica lá a asa. Infelizmente temos aqui novamente outro barril de pólvora. Os responsáveis têm conhecimento, mas ninguém se dispõe a fazer nada. Isto para mim e para todos os resistentes, que continuamos aqui a dar a cara por ela, começamos a ficar fartos.

Mas falam frequentemente em investimentos?

O dinheiro investe-se em tudo o que é sítio, menos na floresta e na agricultura. Investe-se em projectos aqui e ali. Faço notar, por exemplo, o projecto do corredor entre Lousã e Coimbra onde se gastaram já mais de seis milhões de euros e não passou do projecto. É como o dinheiro que veio depois dos incêndios para a recuperação da floresta e da agricultura. Gastaram-se aqui cerca de 80 milhões e os outros 200 milhões voaram para outro lado qualquer do país, onde na realidade tudo se faz e aqui nada.

A responsabilidade é só do Governo?

Do Governo, também e muito. Mas os municípios são igualmente todos responsáveis por isto. Somos os parceiros ideais para ir buscar fundos à Europa, mas depois o que fica no Interior é quase nada. E os autarcas parecem não se preocupar. Fomos abandonados no tempo dos incêndios e agora há gente obrigada a limpar as florestas junto a casas, limpar tudo, quando não, muitos deles, não têm dinheiro sequer para comer. E no domínio público continua tudo maioritariamente abandonado. O Governo e as Câmaras Municipais deviam olhar para isto como um todo. Somos todos portugueses. Temos todos os mesmos direitos e deveres.

Acredita que as vias rodoviárias prometidas para esta região vão avançar?

Ainda agora tivemos mais uma tragédia na IP3 e é uma vergonha não existir uma auto-estrada entre Coimbra e Viseu. Falou-se tanto. Disseram que ia haver quatro faixas, ficaram as três que já existiam. Gastam milhões em projectos e ficamos sem nada. E os políticos locais, que dizem que se demitem e que fazem tudo e mais alguma coisa se as coisas não avançarem, lá continuam tranquilamente como se nada fosse. São só palavras. Tem de haver alguém que se levante e que diga que esta região do país também é Portugal.

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