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Há nove anos a prestar apoio aos peregrinos

Hoje assiste-se a uma maior calmia, mas para trás estão dois dias de paragem quase obrigatória no posto de apoio do Senhor das Almas. As placas colocadas estrategicamente a 50 quilómetros do local e repetidas de cinco em cinco quilómetros lançam o convite aos vários grupos de peregrinos que, por este dias, têm os olhos postos no Santuário de Fátima, mas que ao longo do penoso percurso não abdicam de uma mão amiga que os ajude a tolerar o sacrifício das intermináveis horas a andar a pé.

Um apoio que desde há nove anos se repete na Casa da Irmandade do Divino Senhor das Almas, na freguesia de Nogueira do Cravo, graças ao bom coração de um grupo de voluntários que tem vindo a crescer de ano para ano e é hoje uma referência no apoio que presta aos peregrinos de Fátima.

Uma realidade facilmente comprovada pela assiduidade na passagem por aquele local de grupos peregrinos que, todos os anos, por esta altura colocam pés a caminho do santuário.

Acontece todos os anos, entre 6 e 9 de maio. Na Casa da Irmandade do Divino Senhor das Almas está montada toda a logística de apoio, com lugar ao tão desejado banho quente e a uma noite dentro de portas. A sopa quente, a fruta, pão, bolos, água e sumos também estão garantidos graças à generosidade do lar de idosos de Santa Ovaia e Santa casa da Misericórdia de Galizes, Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital, padaria, frutaria, pastelaria e pequena mercearia da freguesia que todos os anos renovam a generosidade para, nesta altura, permitirem que nada falte aos peregrinos de Fátima. A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital também contribui com águas, sumos, medicamentos, macas e até a tenda que permite ampliar o apoio prestado. Também as farmácias têm um papel determinante na cedência de material de enfermagem, pomadas e outros medicamentos tão necessários à prestação dos cuidados de saúde.

Uma generosidade que assenta que nem uma luva no voluntariado das cerca de duas dezenas de pessoas que, de três em três horas, se vão revezando no posto de apoio. À equipa já constituída pela médica, enfermeiras e outros populares que, de ano para ano, têm primado pela assiduidade, juntaram-se este ano duas jovens, uma enfermeira e outra fisioterapeuta, que na situação de desemprego não hesitaram em dizer presente na hora de ajudar os peregrinos. Tudo isto em nome de um apoio que se pretende de “qualidade” e que faça jus à imagem que o posto de apoio do Senhor das Almas tem vindo a a criar, fruto do bom auxílio que tem prestado aos vários peregrinos e que este ano já ultrapassaram as três centenas.

“O trabalho mais gratificante e mais composto que já fiz”

Em causa está um apoio que tem crescido e melhorado de ano para ano. “Nem sempre tivemos estas condições”, contou ao correiodabeiraserra.com aquele que é entendido como o principal mentor deste projeto de voluntariado nascido em 2004. José Agostinho Nunes ainda se lembra de levar peregrinos para a sua casa, para ali puderem usufruir de um banho quente. “No primeiro ano tivemos muitas dificuldades”, recorda o responsável, contando que naquele ano foi preciso bater a todas as portas para o grupo poder ter medicamentos e outros bens considerados indispensáveis. Constrangimentos que ao longo dos anos se foram dissipando, acabando por ser a generosidade a bater à porta do grupo de apoio, acontecendo o mesmo com os voluntários que de ano para ano têm manifestado vontade de auxiliar os peregrinos.

“Acho que é o trabalho mais gratificante e mais composto que já fiz”, refere Maria Adélia Costa, voluntária desde a génese do grupo de apoio, que se manifesta “muito feliz” por poder “ajudar quem precisa”. Mais recente nestas andanças, Raquel Silva também dá como bem empregue o tempo que passa a cuidar dos peregrinos. “É grato poder ajudar”, verifica a jovem. “Desta forma estamos todo o ano em Fátima”, entende a enfermeira Carmo Marques certa da importância do trabalho que o grupo presta às centenas de peregrinos que seguem rumo ao Santuário.

E vêm de longe. Guarda, Bragança, Mirandela, Pinhel, Mogadouro, Vila Flor, Vila Nova de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo e Trancoso são apenas alguns dos pontos de partida das dezenas de grupos que passam pelo apoio de Senhor das Almas. Uma prática cada vez mais seguida por gente jovem que ruma a Fátima por promessa ou simples devoção, mas que não se esgota no povo português. Ontem, um grupo de brasileiros recebeu apoio na Casa da Irmandade de Senhor Almas de onde partiu com espírito renovado para mais uma etapa do penoso percurso. “Ir a Fátima não é beber um café”, comenta emocionado José Agostinho Nunes que, até ter forças, conta ajudar os peregrinos, com os quais o grupo de apoio chega a estabelecer laços de amizade para a toda a vida.

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