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Hotel na localidade de Ponte das Três Entradas parado por falta de água e saneamento

Hotel na localidade de Ponte das Três Entradas parado por falta de água e saneamento

A Construtora Santovaiense resolveu recentemente diversificar os seus negócios. Uma das apostas foi a construção de um hotel de três estrelas na localidade da Ponte das Três Entradas, concelho de Oliveira do Hospital. O negócio arrancou em 2011, mas está a revelar-se um pesadelo. Os dois sócios da empresa investiram cerca de dois milhões de euros no projecto porém, agora, por falta da água e saneamento, estão impossibilitados de o concluir. Não por culpa própria mas alheia, uma vez que, garantem, a obra foi devidamente licenciada pela autarquia, que, agora, tarda em construir as infra-estruturas em falta. Resultado: a abertura da nova unidade hoteleira tem vindo a ser protelada.

O Correio da Beira Serra tentou ouvir a versão da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, mas tal revelou-se impossível. Segundo o Gabinete de Apoio à Presidência, o autarca José Carlos Alexandrino, que tutela esta pasta, não estaria disponível durante todo o dia.

Irritado com a inércia de quem deveria fazer andar a obra e com acusações infundadas de que a culpa poderá dever-se a dificuldades financeiras da Santovaiense, um dos sócios colocou um letreiro, numa das janelas, onde se pode ler em letras vermelhas: “investimento parado por falta de água e esgotos”. “É para chamar a atenção para a realidade. O investimento é completamente privado, caso contrário, se tivéssemos de pagar juros aos bancos, a obra já tinha desaparecido. Mas não adianta estar a falar muito mais para não criar problemas com a Câmara”, conta o empresário António Nunes, adiantando que a obra foi aprovada com água e esgotos há muito tempo e que a conclusão está apenas dependente da resolução desse problema.

A unidade, classificada com três estrelas e que se irá chamar Hotel Italva, já está, de resto, equipada com cozinha e lavandaria, só faltando os 15 quartos. Este empreendimento turístico irá criar dez novos postos de trabalho directos numa fase inicial. “Está quase tudo pronto. Chegámos mesmo a pensar que poderia abrir no ano passado, pelo Natal. Mas na altura houve um problema qualquer que só ficou resolvido em Novembro. Depois, pensámos que poderíamos inaugurá-lo na Páscoa. Mas sem água e esgotos não houve possibilidade. Apontávamos para este Verão, mas está tudo na mesma. Vamos ver se será possível para o Natal”.

António Nunes diz não querer saber quem está a falhar: se é a autarquia ou a empresa que ganhou o concurso realizado em Fevereiro. “O que queríamos era o problema resolvido. Já ando farto de ouvir dizer que a obra vai começar, desde Fevereiro de 2014”, explicou. “Temos ali um investimento totalmente nosso, na ordem dos dois milhões de euros, sem comparticipação de qualquer programa comunitário e estamos a ter um grande prejuízo”, sublinha, garantindo que ainda não teve de pagar IMI “porque, quando isso acontecer, teremos de tomar outro tipo de medidas”.

Mas além desta injustiça, António sente-se ainda mais agastado com as justificações populares para a paragem da empreitada. “Há gente que nos acusa de termos recebido subsídios e de termos gasto o dinheiro e que agora estamos sem capacidade financeira para concluir a obra. É completamente mentira. Não tivemos um cêntimo de qualquer apoio, mas com tudo isto ainda estão a denegrir a imagem da empresa”, remata.

O outro sócio da Construtora Santovaiense José Nunes, irmão de António, preferia que o cartaz não tivesse sido lá colocado. Mas entende a atitude de António. “Já desde Fevereiro que estamos à espera. Mas acredito que as obras devem começar rapidamente. Na pior das hipóteses, a meio deste mês”, conta, alegando que não gosta de conflitos e problemas. “Mas a verdade é que as instituições deveriam ajudar quem investe para desenvolver o país”, remata, frisando que não pretende tocar mais no assunto.

O presidente da União de Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca, onde está incluído o projecto, acredita numa resolução rápida para o problema. “É uma obra que ajuda a freguesia, com postos de trabalho e que irá atrair pessoas”, realçou, procurando colocar alguma calma no processo. “É preciso dar tempo ao tempo”, opinou, frisando que a autarquia que lidera tem-se empenhado no que lhe é possível para superar as dificuldades. E pelo meio vai esfregando as mãos de contente, porque esta obra vai-lhe resolver parte dos problemas. Como, explicou, ainda há muito a fazer em termos de saneamento na Freguesia e pelo menos aquela parte fica resolvida. “Deviam era existir mais investimentos aqui”, concluiu.

 

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