Home - Opinião -  IC 6 – A “Santa Engrácia” das Beiras. Autor: António Lopes

 IC 6 – A “Santa Engrácia” das Beiras. Autor: António Lopes

Muito poucas terão sido as obras tantas vezes anunciadas e tantas vezes proteladas , como os ICs 6,7, e 37 e a famosa Igreja, hoje Panteão Nacional. De facto, pior, apesar de pouco faladas, só as Capelas Imperfeitas da Batalha, que tal como os ICs, aguardam melhores dias.

Há pelo menos 25 anos que estes itinerários são a pedra de arremesso político entre PS e PSD, seja ao nível Nacional, seja ao nível regional e concelhio. “Eleições à porta” e é vê-los a fazer promessas e a trocar acusações. Entretanto, as populações dos concelhos beneficiários com estas construções , esperam e desesperam, por uma estrada que nunca mais chega.

Para quem, como eu, vive na Covilhã, para ir a Oliveira do Hospital, e vou muitas vezes, com o tempo bom, o que nem sempre acontece, em segurança, são hora e meia para cada lado. Se for para Coimbra, vá por onde vá, são duas horas.  Se construído o IC6, quaisquer vinte minutos estaria em Oliveira. Coimbra, nas calmas , uma hora.  Os 80 Km que separam a N17 da N18, passariam a ser 30. A distância a Coimbra seriam menos de 100 km, os quais se poderiam fazer, a uma velocidade uniforme de 100 Km hora, em vez dos perigosos 50/60 da actualidade. Ora, isto, faz toda a diferença seja em termos de segurança seja em termos de desenvolvimento .

Desde que o então IC7 começou, nos idos de 1995, até hoje, que me lembre e para falar só das mais significativas, já se construíram a A 25 a A23 a A6, normalmente às moscas, e a A8, que por paralela à A1, tem trânsito reduzido. Todas estas estradas que referi são contemporâneas do início do IC. Governo de António Guterres, 1995-2002. O primeiro troço foi inaugurado em 1997. Até 2002 nada mais se fez. Os governos de Durão Barroso e Santana Lopes,2002-2005, não tiveram tempo nem de olhar para o projeto. Sócrates, 2005-2011 fez mais um troco de 25 Km, até onde hoje se encontra.

Naquele Governo, o Dr.Paulo Campos, com raízes em Oliveira do Hospital, que me lembre, em pelo menos umas vinte cerimónias, anunciou datas de início e datas de inauguração. Em 5-9-2005, anunciava os traçados. Em 4-10-2007 apresentava o Plano Estratégico Rodoviário. Três dias depois, no dia do concelho de Oliveira, fazia a mesma apresentação. Nas eleições de 2009 foi em Coimbra , na Mealhada, em Viseu, na Covilhã,  em Seia,  na Guarda. Foi em todo o lado e em mais de uma oportunidade. Até hoje, estamos em Tábua, no meio dos pinheiros..!

Ao nível local, na candidatura de que fiz parte, em 2009,”Connosco o IC6 é uma prioridade”.E, tem-se mantido. pelo menos ao nível do discurso, que não da concretização. Há dias , na Assembleia Municipal, o Senhor Presidente Alexandrino “intrépido lutador da causa” já admitia, derrotado, que se ia embora sem inaugurar…! Desta vez talvez em 2024..! Estranhei e lamentei. Muito..! O homem que defendia, em 2014, em Seia, que nada se consegue sem luta dor e sangue e propunha a criação de uma guerrilha….deixou cair os braços..!

O homem que no início de 2015 dizia “criar um problema seja a que governo for se a estrada não for lançada nos moldes em que lhe foi prometido. “Fiz um acordo com ele, que nunca anunciei antes, que é trazer-mos, numa primeira fase,o IC6 até à zona Industrial da cidade de Oliveira do Hospital”. Afinal, mais uma vez, foi Bluff.

O homem que não se candidatava e dava até ao dia 1 de Abril (e não era por ser o dia das mentiras), para lhe garantirem a construção da estrada, afinal, nem lhe garantiram, nem ele deixou de ser candidato..!

Quem fala bem, nunca devia estar calado. Quem fala por falar, diz o Povo, é “Um fala barato”. Esse tem sido o mal. Fala-se barato, por estas bandas. Em 2014 esteve criada uma comissão com os Presidentes de Oliveira, Seia e Gouveia, no sentido de se encontrar uma solução. No dia da Feira do queijo, em 2013, o Secretário de Estado Leitão Amaro, no Salão Nobre, prometeu trazer pelo menos até Oliveira. A sede de protagonismo e as celebres declarações do “sangue e da guerrilha” deitaram tudo a perder. Ainda vieram os presidentes das CIM e das Câmaras à Chamusca, tentar deitar água na fogueira. Mas, o mal estava feito e, como se prova, irremediavelmente. O facto de Alexandrino ter apoiado Seguro, também não ajudou. Costa não é de “fazer descontos”.

Na política da água, Alexandrino esteve pelas conveniências imediatas, não esteve pela solidariedade ao PS. Por mais que uma vez se gritou a independência e a fidelidade “ao meu Povo”. (Não negoceio a lista com o PS, Galizes 2013. Só sou candidato se houver IC, Março de 2017). Só que, a política, não se comove nem se decide com estes provincianismos. Vai daí, um dia, os ICS vão chegar..!  Espero que não demorem os 392 anos das obras de Santa Engrácia. O mesmo se diga da prometida e anunciada ESTGOH, Ervedal 2010, da BLC3 que até agora só para gastar dinheiro e empregar os “nossos” .

12 anos de muita festa, “muita parra, mas pouca uva”.

Autor: António Lopes

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