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Instituto Politécnico da Guarda vai utilizar plantas da Serra da Estrela para prevenir e tratar diabetes

O Instituto Politécnico da Guarda (IPG) vai utilizar produtos naturais derivados de plantas do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) para desenvolver suplementos alimentares capazes de prevenir e tratar a diabetes, doença que afecta mais de um milhão de pessoas em Portugal. O projecto Pharmastar – que acaba de receber o financiamento do programa Promove – será desenvolvido em colaboração com o Instituto Superior Técnico (IST) e a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL). A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal – APDP irá colaborar nos ensaios a realizar para aferir a viabilidade das novas formulações.

“A diversidade botânica do PNSE ainda está pouco estudada, mas trata-se de um ecossistema natural rico em compostos bioactivos com elevado potencial antidiabético”, afirma o investigador responsável pelo projecto no IPG. “Vamos desenvolver formulações de base natural para serem colocadas no mercado, utilizando princípios bioactivos de plantas endógenas da Serra da Estrela. Serão utilizados como excipientes, agentes de libertação modificada obtidos de extractos e fitoquímicos da bolota do carvalho, sobreiro, azinheira e da própolis, uma substância resinosa recolhida das abelhas com propriedades antibacterianas”, conta Luís da Silva.

Para além do Centro de Potencial e Inovação de Recursos Naturais (CPIRN) do IPG, fazem parte do Pharmastar os centros de investigação CERENA do IST e iMed da FFUL. “O CPIRN através da experiência adquirida pelos seus investigadores e projectos irá aplicar a tecnologia desenvolvida na produção de biomateriais e nano sistemas neste projecto. Os compostos bioactivos serão encapsulados nestes sistemas para uma entrega mais controlada e direccionada potenciando  os seus efeitos terapêuticos”, afirma Paula Coutinho, coordenadora do CPIRN.

“Os laboratórios do IPG estão dotados de investigadores altamente qualificados que têm procurado apresentar respostas eficazes a desafios da sociedade e do mercado. Este projecto, por exemplo, será uma resposta a necessidades de saúde da população, valorizando em simultâneo os recursos naturais do Parque Natural da Serra da Estrela”, afirma o presidente do IPG, Joaquim Brigas.

O IST irá efectuar o mapeamento das plantas do PNSE, com recurso a drones e outras ferramentas. Paralelamente, será efectuada uma recolha de várias plantas para a preparação de extractos enriquecidos em compostos bioactivos. Os investigadores do IPG da área de biotecnologia e farmácia irão elaborar ensaios com diferentes plantas, para definir as que têm maior potencial antidiabético e fazer a caracterização dos compostos bioactivos. A FFUL desenvolverá também as fórmulas sólidas com base nos extractos de planta e polímeros naturais com potencial antidiabética. Seguir-se-ão os ensaios in silico (com recurso a simulações em computador), em animais e em humanos, com apoio da APDP.

Segundo o investigador do IPG, as plantas são uma das principais fontes de compostos naturais, os quais têm sido cada vez mais utilizados em medicamentos para o tratamento de vários tipos de cancro, doenças infecciosas, doenças cardiovasculares, esclerose múltipla, diabetes, entre outras. “Apresentam características que os distinguem de produtos farmacêuticos mais convencionais, sendo desenvolvidos com base em princípios activos obtidos a partir de síntese química ou biológica com extensivos processamentos”, afirma Luís da Silva.

O Pharmastar terá um orçamento de mais de 300 mil euros, em parte financiado pelo programa Promove da Fundação “la Caixa”, uma parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia destinada à dinamização das regiões do interior de Portugal.

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