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À Boleia Autor: André Duarte Feiteira

Investimento privado à francesa e estratégia autárquica à moda grega. Autor: André Duarte Feiteira

Durante às invasões franceses e sob o comando de Napoleão, lá por meados de 1807, o general Jean Junot e os seus acompanhantes, desfilavam pelas ruas do nosso país a demonstrar a vida de luxo que ostentavam. Daí o ditado popular “à grande e à francesa”. Por aqui, fazendo uma analogia do luxo da época com o investimento privado da região, podemos reparar que também ele é à grande e à francesa.

O empreendimento turístico Aqua Village Health Resort & Spa de 5 estrelas, localizado nas Caldas de São Paulo e que irá abrir portas em breve, foi um investimento de cerca de cinco milhões de euros. Para além de ser um projecto pioneiro na nossa zona e que irá valorizar o nosso concelho, traz consigo os tão necessários postos de trabalho. Valor da obra: 5 milhões. Parece-me, tomando por base o enquadramento da região, que lhe podemos apelidar de investimento à grande e à francesa.

Já em outra localidade do concelho, neste caso na Bobadela, parece que também irá nascer um empreendimento voltado para o sector turístico, neste caso ligado ao turismo sénior, tendo como principal alvo o povo britânico. Pelo que se sabe, o investimento deve rondar os 2,5 milhões de euros e, mais uma vez, como estas coisas não funcionam sem mão-de-obra, deve gerar mais alguns postos de trabalho. 2,5 milhões parece-me ser outro investimento à grande e à francesa.

Em período paralelo, mas desta vez no sector do retalho alimentar, Oliveira do Hospital recebe a notícia que os supermercados IG são vendidos ao grupo Jerónimo Martins e vão passar à cadeia Pingo Doce. Tudo isto na semana em que o grupo Sonae inaugurou o Continente/Bom Dia na “rua ao lado”. Não nos restam dúvidas, no que diz respeito a este sector, também estamos à grande e à francesa.

Se olharmos para as empresas oliveirenses afirmadas no mercado nacional, e que geram dezenas de postos de trabalho em Oliveira do Hospital, como são o exemplo: Davion, Indubeira, Irsil, Quinta dos Jugais, entre tantas outras, iremos reparar que não é por falta de investimento privado no nosso concelho que não nos conseguimos expandir economicamente, assim como, não é por falta de investimento privado que não conseguimos combater o flagelo do desemprego. Que se acenda uma vela e se reze um pai-nosso, investimento, para nossa contemplação, até vai havendo.

O problema, e grande causador de tamanhas tormentas, é que no meio de tanto investimento privado à francesa, tenhamos, uma gestão estratégica da autarquia à imagem dos gregos (o que se respeita já que a maioria dos membros do Partido Socialista local comemoraram a vitória do Syriza). Qual é a estratégia? Será que há? Ou, à imagem da Grécia, é até onde o barco nos levar?

Por volta do dia 16 de Dezembro de 2014 (há meia dúzia de meses) recordo-me de ser notificado com a seguinte informação: a Câmara Municipal de Arganil (que já tem o IC6 à porta) captou um investimento de 7,5 milhões de euros para melhoria das vias, sendo este projecto o mais avultado no distrito de Coimbra, no âmbito do Plano de Proximidade Médio Prazo, promovido pelas Estradas de Portugal. Esta requalificação visa um total 24,5 km e liga a Vila de Arganil à Vila de Avô (concelho de Oliveira do Hospital), passando por Coja. Fico perplexo com estas notícias. Fico completamente entorpecido… O pouco que chega ao nosso concelho é oriundo de projectos vizinhos? E nós? Não conseguimos captar investimentos que nos permita melhorar as acessibilidades? Estão a criar um leque variadíssimo de oferta de habitação turística, mas não temos cá um turista. Pensamos que promover Oliveira do Hospital é trazer até cá a televisão duas vezes por ano, substituindo o diálogo junto das instituições competentes por ameaças de manifestações de força e cortes de estrada. E, o mais grave, é que insistimos invariavelmente no erro.

É inglório, para um concelho com tantos privados a investir, ainda por cima à francesa, que tenham, por força das circunstâncias, encontrado uma gestão pública com estratégias semelhantes à grega. Imaginem, se a autarquia, tivesse massa critica para colocar medidas estruturantes no terreno? Para já, fica só no pensamento…

À Boleia Autor: André Duarte FeiteiraAutor: André Duarte Feiteira

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