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 “Já não há beirões que tenham amor à camisola”

Casa das Beiras em Lisboa vive tempos de lenta agonia, ignorada pelas autarquias da capital e Câmaras da região das Beiras

A Casa das Beiras em Lisboa, situada na Avenida Almirante Reis no número 256, 1º esqº, tem sido ao longo da sua existência um espaço de convívio e cultura da região beirã. Com107 anos de vida, atravessa um momento difícil da sua existência e encontra-se praticamente inativa.

O seu presidente, Bernardino Fonseca, que ocupa esse cargo desde 2016, traçou para “o Tabuense” o ponto da situação: “Quando peguei na casa, esta instituição estava praticamente falida. Havia rendas atrasadas, não funcionavam o fogão, o grelhador, a canalização estava entupida, mandei consertar as cadeiras tendo gasto 480 euros. Se por aqui passaram pessoas boas, também passaram menos boas, vieram para aqui apenas para se promover. Quando há pessoas que vão para as instituições regionalistas para se servir a elas próprias, o resultado é sempre mau. Ainda consegui pôr a funcionar a cozinha, o restaurante, só que depois veio a pandemia e tivemos de fechar. Quero dizer que tínhamos quase duzentos associados, mas, infelizmente, ninguém paga agora as cotas, as pessoas deixaram de se interessar, de aparecer. Agora está encerrada, mas ainda quero ver se a reabro”.

Bernardino Fonseca diz-nos que é um sonho seu dar uma nova vida à Casa das Beiras, mas sublinha que as despesas são grandes e não há beneméritos, “só a renda são mais de 200 euros mensais”, desinteressando-se pelo seu destino as entidades que deveriam preservar o regionalismo beirão. Recorda algumas das iniciativas levadas a cabo para promover as Beiras, como foi o caso do 102.º aniversário da sua fundação, em que a RDP Internacional se associou também a esta comemoração com a emissão de um programa inteiramente dedicado ao regionalismo beirão. O programa Clube da Amizade, que se estendeu durante quatro horas, foi coordenado pelo jornalista Jaime Ferreira de Carvalho e contou com a presença e participação de convidados, sócios e amigos da emblemática e prestigiada instituição regional da capital. O atual presidente recorda ainda a distinção conferida, também em junho de 2017, pela Casa das Beiras do Rio de Janeiro que atribuiu a esta instituição lisboeta a Chave de Ouro. E, mais recentemente, também a presença na festa das coletividades e casas regionais de Lisboa que teve lugar na Alameda Afonso Henriques, junto à Fonte Luminosa, onde promoveu a cultura, os artigos e o artesanato das Beiras. “Foi aí que atentamos na procura que tiveram os nossos produtos por parte dos lisboetas. Agora também se efetuou idêntica festa este ano, mas não estivemos presentes, por falta de colaboradores que quisessem representar a nossa Casa. Ninguém quer trabalhar. Os tempos do amor à camisola já pertencem ao passado”.

“Lamentavelmente, não temos ajuda nem da Câmara Municipal de Lisboa nem da Junta de Freguesia do Areeiro, para promover o associativismo e o regionalismo beirão. Esta Casa sobrevive à base da carolice e da teimosia. Todos os pedidos foram recusados. Pedi também uma ajuda às cento e tal Câmaras da Região das Beiras, englobando os seis distritos a que estamos ligados (Coimbra, Aveiro, Leiria, Viseu, Guarda e Castelo Branco). Nenhuma delas se chegou à frente. É para o senhor ver como se encara o prestígio desta Casa que deveria ser um bastião na capital na defesa da cultura, dos costumes e tradições das Beiras”, frisa Bernardino Fonseca, assegurando que esta região tem muitas potencialidades, “o que é preciso é saber aproveitá-las”.

“Penso que os nossos governantes, os presidentes das Câmaras deveriam criar incentivos para os jovens se fixarem nas aldeias, mas nada disso está a ser feito”, conclui o nosso entrevistado, sentindo-se na sua voz a mágoa pelo ostracismo a que foi votada a venera e centenária Casa das Beiras em Lisboa a que preside, agora ameaçada de extinção.

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