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Lajeosa contesta encerramento de EB1 e ameaça partir para uma “posição de força”

Responsáveis locais e municipais querem saber os critérios que ditam o encerramento da EB1 da Lajeosa e que poupam outras escolas do concelho com o mesmo número de alunos. Autarcas pedem explicações à delegada regional dos estabelecimentos escolares e ameaçam mobilizar população para “uma posição de força”.

Ainda mal recomposta da decisão de extinção da freguesia, a população da Lajeosa vê-se já a braços com o anúncio de encerramento da sua Escola do 1º Ciclo de Ensino Básico que, no próximo ano letivo, contaria apenas com 10 alunos. Uma “malandrice” que merece a contestação dos responsáveis locais que, ao final da tarde de ontem, se solidarizaram com a população e asseguraram desencadear uma luta no sentido de impedir que a Lajeosa volte a ser a “sacrificada”. “Vamos partir para formas de luta”, anunciou o presidente da União de Freguesias de Lagos da Beira e Lajeosa que à porta da EB1 ameaçada de encerramento, exigiu explicações à Delegada Regional dos Estabelecimentos e Escolares – Cristina Oliveira é também vereadora do PSD na Câmara de Oliveira do Hospital – no sentido de clarificar os critérios que conduzem ao encerramento da escola. “Tenho a impressão que há perseguição política à Lajoesa. Há escolas no concelho com o mesmo número de alunos”, referiu José António Guilherme, reportando-se em particular à EB1 de Vila Franca da Beira, que conta com 11 alunos e está próxima do Agrupamento de Escolas da Cordinha “onde há todas as condições e mais algumas” e que escapa à decisão de encerramento. “Porque é que uma fecha e a outra não?”, questiona o autarca, referindo porém não ter nada contra a EB1 de Vila Franca da Beira.

Representante da Lajeosa na União de Freguesias, Paulo Sérgio não se conforma com a política de encerramentos de que a localidade tem sido alvo e apela à delegada regional para que explique ao povo da Lajeosa o “critério” que dita o encerramento da EB1. “Inicialmente a comunicação social falava do encerramento de três escolas, agora só fecha a Lajeosa. A Drª. Cristina que venha à Lajeosa explicar aos lajeoseOLYMPUS DIGITAL CAMERAnses e aos pais destas crianças o porquê e a razão. Que venha e dê a cara aqui ao povo”, desafia o eleito local, para quem “ainda há tempo” para que a delegada regional do estabelecimentos escolares reveja esta situação.

“Calhou-nos a fava novamente e a Lajeosa volta a ser a sacrificada”, reage o presidente da Assembleia da União de Freguesias que também quer conhecer o motivo para que “a Lajeosa que tem 10 alunos e dois ou três casos de ensino ensino especial seja a contemplada, quando Vila Franca tem 11 alunos”. “Dá impressão que é para riscar a Lajeosa do mapa. Acho que a população tem que pensar em tomar uma posição de força”, entende Rui Pedro que apela à participação popular na reunião da Assembleia de Freguesia do próximo dia 30, para que se tome “uma posição em conjunto”. Com o enceramento da EB1, Rui Pedro adivinha dificuldades a outros níveis e teme que a Lajeosa se transforme num “dormitório”. “Como Lajeosense começo a sentir-me ferido e vou incentivar a população a medidas de alguma força. É a única maneira de deixarmos de ser bode expiatório”, afirmou.

“A delegada regional entregou a escola da Lajeosa para abate. Agora que nos explique o critério”

À luta dos eleitos locais associa-se também o município de Oliveira do Hospital que se revê na contestação e se solidariza com a população por nada ter a ver com a decisão do Ministério de Educação e Ciência. “Nunca a Câmara concordou e a decisão é da inteira responsabilidade do MEC e da delegada regional. A Câmara nunca foi colaborante com a criação do mega agrupamento, nem com o encerramento desta escola”, afirmou a vereadora da Educação , notando que o município foi “enganado” neste processo. Graça Silva informou que em reunião realizada no final de maio , um elemento da DGEST assegurou que não haveria qualquer encerramento de escola, pelo que estranha agora a decisão tomada e que denota “desconhecimento” do território concelhio. Preocupada com o encerramento, Graça Silva está também apreensiva quanto à escola que venha a acolher as 10 crianças da Lajeosa, a EB1 da cidade de Oliveira do Hospital, onde “há turmas enormes, com mais de 20 alunos e alunos com necessidades educativas especiais”. “A questão que se levanta é preocupante”, refere Graça Silva que depois da criação do mega agrupamento ocorrida no ano passado entendia que, pelo menos este ano, o concelho deveria ser poupado no processo de encerramento de escolas.

Diante de uma decisão “irracional” , um“absurdo educativo” e de uma “autêntica trapalhada”, o vice-presidente da Câmara Municipal também acredita tratar-se de uma “perseguição à Lajeosa”. “Não há nenhum critério que diga porque é que esta escola foi encerrada e outras se mantêm abertas”, afirmou José Francisco Rolo reprovando a atução do MEC de encerrar a EB1 da Lajeosa “sem que se crie uma solução razoável que dê um equilíbrio educativo aos alunos” e sem o “mínimo de respeito para com os municípios e freguesias que servem apenas para garantir recursos humanos, para tapar os buracos e problemas que o MEC cria e para fazer manutenção de instalações”. “Perante esta trapalhada toda cabe à delegada regional dar uma explicação à população da Lajeosa, ao município e comunidade educativa”, entende José Francisco Rolo, considerando haver “tempo e razões mais do que suficientes para rever e alterar esta decisão claramente irracional e persecutória à Lajeosa”. No entender do responsável, “só nos cabe lutar ao lado da população e exigir uma explicação”. “A delegada regional entregou a escola da Lajeosa para abate. Agora que nos explique o critério”, exorta o vice-presidente da Câmara.

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