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Liga de Melhoramentos de Aldeia de Nogueira requalificou instalações e responsáveis criticam Câmara

A Aldeia de Nogueira, no concelho de Oliveira do Hospital, tem apenas cerca de 120 habitantes. Mas conta com uma actividade associativa invulgar que movimenta directa e indirectamente cerca de 160 pessoas, através da Liga de Melhoramentos de Aldeia de Nogueira (LMAN), uma instituição que desde ontem passou a contar com instalações requalificadas. O espaço tem agora, entre outros aspectos, um piso novo e um palco renovado separado do exterior por uma parede amovível, o que permite a sua utilização de espectáculos dentro do salão ou ao ar livre. O investimento foi de 7300 euros, com a Câmara Municipal a comportar 2500 euros do orçamento e a Junta de Freguesia de Nogueira do Cravo 560 euros, além da mão-de-obra para a pintura. O restante, a maior fatia, foi suportada pelos populares.

_DCS0044 (Medium) O resultado não deixou indiferentes as muitos pessoas que encheram o salão para apreciar as melhorias realizadas nas instalações e ver actuar os vários grupos que se juntaram à festa. Os elogios, porém, não foram suficientes para que alguns elementos da direcção esquecessem aquilo que consideram como “discriminação por parte da autarquia” liderada por José Carlos Alexandrino. O autarca, de resto, não marcou presença, alegando motivos pessoais. “A obra arrancou porque na nossa tomada de posse, o senhor presidente da Câmara prometeu-nos os materiais. A verdade é que estivemos um ano à espera e a verba que nos atribuiu ficou aquém dos custos dos materiais”, contou o presidente da Liga de Melhoramentos da Aldeia de Nogueira, António José Pereira Cardoso, enquanto ia recebendo várias felicitações e elogios pelo trabalho realizado.

Este dirigente mostrou-se ainda mais cáustico para com o município quando falou dos apoios atribuídos_DCS0059 (Medium) às acções culturais no concelho. Explicou que, apesar de a LMAN manter em funcionamento seis grupos de várias áreas (Escola de Concertinas, Grupo de Concertinas, Grupo de Teatro de Sátira Popular, Clube do Jogo do Pau e Grupo de Cantares), nunca recebeu um cêntimo de ajuda para estas actividades. “Quando olhamos para o boletim municipal achamo-nos discriminados. Verificamos que recebemos muito menos que outras entidades do género. Algumas delas que se encontram de portas fechadas. Se calhar o futuro é esse”, lamentou, sublinhando que a autarquia tem de definir regras claras na atribuição dos subsídios. “Queremos ser tratados em pé de igualdade como os outros. Nem mais, nem menos”, explicou ainda Cardoso, sem esconder a satisfação pelo facto da associação que lidera fazer obra, não dever “um cêntimo a ninguém e ainda apresentar um saldo positivo de 1298 euros”. Muito pelo esforço do povo. É que pelas suas contas, nos 20 anos de existência legal, a Liga de Melhoramentos de Aldeia de Nogueira apenas recebeu do município 57 mil euros e 6500 por parte da Junta de Freguesia, além de alguns materiais.

_DCS0069 (Medium)Estas insatisfações não retiraram a boa disposição ao vice-presidente da autarquia, José Francisco Rolo, que não se conteve em elogios à obra e não escondeu a sua satisfação por estar presente num espaço que passa a contar com melhores condições. Mas procurou rebater as críticas. “Tratamos todas as instituições por igual. Quem tem iniciativas é apoiado. Basta consultar o boletim municipal”, frisou, garantindo que o município tem sempre “as portas abertas para receber as instituições e discutir propostas”. Francisco Rolo reconheceu também que o trabalho desenvolvido pelos responsáveis daquela instituição permite que “numa terra pequena aconteçam coisas fantásticas”. “Não parem. Continuem. É importante que exista um associativismo vivo. O concelho só fica a ganhar e podem contar com a Câmara Municipal”, prometeu.

José Cruz, de 71 anos, por certo, ficou satisfeito com estes elogios. Mas também pouco convencido de _DCS0053 (Medium)que todos sejam tratados de igual forma. Na sua opinião, a CMOH não olha para a LMAN com a atenção que devia. “O subsídio que atribuiu a esta obra foi muito pequeno. Deviam contribuir mais porque a nossa aldeia merece. Tem feito muito pela promoção e cultura do concelho. A Câmara não vê isso. Preferem olhar para as terras que dão mais votos”, frisou.

José Cruz fala com a autoridade de quem, na década de 70, ajudou a dar os primeiros passos para erguer aquilo que é hoje a Liga de Melhoramentos de Aldeia de Nogueira. Foi num período conturbado. Existia a ameaça de alguém tomar posse do baldio que agora alberga as instalações. Mas Cruz e dois amigos assumiram as responsabilidades e agarraram o terreno para o povo. “Havia muita confusão. Fui a Seia, falei com um indivíduo e perguntei-lhe se vinha cá com a máquina terraplenar este morro. Disse-me que sim. Avisei-o logo que só parava quando nós lhe descemos ordens, nem que viesse a Câmara ou a Junta de Freguesia. A responsabilidade era nossa. Trabalhou aqui muito. Colocava um cigarro no canto da boca de manhã e lá andava. À tarde colocava outro e era até ao fim do dia. No final, pagámos-lhe seis contos. Foi assim que começou”, conta, recordando a forte união que naqueles tempos existia na povoação, algo “bem mais forte que aquela que se sente nos dias de hoje”.

António Lobo, o primeiro presidente da instituição, é um pouco mais moderado. Mas também ele reconhece que há muitas coisas a fazer, mas falta dinheiro. “Temos de ser humildes”, conta, ele que faz questão de referir que os dinheiros públicos têm de ser bem geridos. Mas considera que não seria favor nenhum a autarquia apoiar mais os grupos que integram a Liga de Melhoramentos. “Eles fazem parte da colectividade. Representam Oliveira do Hospital em muitos locais, logo deveriam receber alguns apoios, como os outros. Mas cada caso é um caso. O importante é não deixar-mos perder o ritmo”, atira antes de ir aconchegar o estômago com uma boa sopa, servida às várias dezenas de pessoas presentes, no encerramento da cerimónia.

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