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Lourosa em festa para dar a conhecer a única igreja moçárabe do país

Lourosa em festa para dar a conhecer a única igreja moçárabe do país

A Freguesia de Lourosa apresentou hoje a terceira edição da Feira Moçárabe que vai decorrer no próximo sábado e domingo. O evento tem por objectivo divulgar a igreja de São Pedro de Lourosa, a única do período moçárabe e uma das mais antigas de Portugal. O programa, de resto, prevê um regresso ao passado, com figurantes, saltimbancos, até porque paralelamente comemoram-se os 500 anos da entrega do Foral Manuelino àquela localidade.

O presidente da junta de freguesia confessou que está a cumprir a sua promessa que fez de manter a tradição enquanto continuar à frente dos destinos de Lourosa. Ao seu lado o vice-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital sublinhou que “se trata de um evento que faz parte do calendário de referência de projecção do concelho a nível regional e nacional”. “Este monumento representa o diálogo intercultural. A simbologia que está ligada a este espaço sagrado é monumental. Espero que venha muita gente conhecê-lo”, frisou José Francisco Tavares Rolo.

O vereador que está a substituir o presidente do município, actualmente de férias, frisou ainda que é importantíssimo divulgar este monumento para, por exemplo, o turismo de descoberta. “Temos de potenciar estas mais-valias. Queremos que seja um factor de valor acrescentado e que ajude a criar riqueza local. Temos de lançar o desafio à região para que venha conhecer este local”, disse, adiantando que o programa é vastíssimo e que se verificou uma forte adesão, de tal forma que todas as barracas disponíveis onde se podem encontrar produtos regionais estão completamente preenchidas”, disse, lamentando que, apesar de todos os esforços feitos pelos vereadores da Cultura e do Turismo, o poder central não tenha dado apoio a esta acção de divulgação. “Tinham obrigação de comparticipar. Mas mais uma vez teve de ser o Município e a Junta a assumir os custos”, rematou.

José Rolo falou ainda no projecto de requalificação do espaço envolvente à igreja. Garantiu que está feito e que apenas aguarda o parecer do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar). “Já foi sinalizado como prioritário para financiamento comunitário. Este espaço precisa de ser valorizado, mas não desvirtuado em termos históricos e patrimoniais”. O presidente da Junta, Américo Figueiredo, deu ideia de não ter apreciado a referência  a uma eventual espera por apoios europeus e disparou: “Tenho a promessa feita pelo Presidente que a obra seria realizada em 2015. Estou à espera e não o largarei durante todo o ano até que tudo seja feito”. Rolo sorriu e respondeu que espera que tal aconteça, mas com os apoios provenientes da Europa.

A igreja de São Pedro de Lourosa terá sido erguida (ou reerguida) em 912, conforme uma lápide existente. O interesse actual por esta igreja data, sobretudo, dos inícios do século XX devido à descoberta, por diversos estudiosos, do seu estilo dito moçárabe (em que se conciliam elementos estruturais cristãos com elementos da cultura árabe), fruto da presença árabe que dos séculos VIII ao XI dominou esta zona do território hoje português. É a única igreja deste estilo actualmente existente em Portugal.

Em 1916 foi classificada como monumento nacional e, posteriormente, sujeita a importantes trabalhos de restauro que pretenderam reabilitar o seu estilo primitivo (adulterado ao longo dos séculos), e que trouxeram à luz vestígios arqueológicos bastante anteriores à igreja (nomeadamente da época romana). Exceptuando a Sé de Braga, é, provavelmente, a mais antiga igreja em funcionamento praticamente ininterrupto, durante 1102 anos de culto cristão. No exterior, as sepulturas nas rochas são outro ponto de atracção.

 

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