Home - Região - Oliveira do Hospital - Manifestação: A (falta de) Estradas e a (falta de) Saúde no nosso Concelho. Autor: João Dinis, Jano

Manifestação: A (falta de) Estradas e a (falta de) Saúde no nosso Concelho. Autor: João Dinis, Jano

Principalmente o Presidente do Município mas também a Câmara Municipal, várias Freguesias e seus Autarcas dinamizaram esta manifestação – uma “marcha lenta” pela “velhinha” EN 17 (Estrada da Beira) – culminada com uma concentração frente ao Centro de Saúde de Oliveira do Hospital. Foram bem ajudados por alguma comunicação social…

Na agenda, à (falta de) Saúde no nosso Concelho, juntou-se a falta de boas Estradas de acesso – os IC – troços da 230 e da EN 17. Tudo causas justas que poucos se atreverão publicamente a pôr em causa.

A “marcha lenta” acabou por ser muito lenta mesmo. Militantemente, devem ter participado na ordem das 250 viaturas. Houve alguns locais e momentos em que era possível fazer uma avaliação sem grande margem de erro. Mas então, quando a coluna virou em Vendas de Galizes e ocupou os dois sentidos da EN – 17, tornou-se impossível fazer deste tipo de contabilidades com rigor porque as filas eram enormes em ambos os sentidos. Sim, onde é que começavam e acabavam os automóveis “militantes” da marcha (muito) lenta e os outros que simplesmente foram apanhados a seguir viagem?

E menos adianta agora dizer que eram muitos ou poucos os participantes. Foram (mais do que) suficientes para fazer passar a nossa mensagem de indignação e o nosso grito em defesa de alguns dos nossos direitos fundamentais como Oliveirenses:- saúde e acessibilidades.

E, com a mesma razão que nos assiste, poderíamos fazer manifestações contra a derrocada da educação pública, contra os mega agrupamentos, contra o encerramento de serviços públicos como aconteceu praticamente com o Tribunal e poderá em breve acontecer com as Finanças se acaso continuarem estas políticas governamentais de direita aplicadas pela direita pura e dura, PSD e CDS/PP, e pela “esquerda” muito direita do PS.

Mesmo a data desta “marcha lenta” – a dois meses e pouco de eleições – é oportuna porque permitiu apontar os responsáveis maiores pela situação – os três partidos do “arco da tróika” – PS – PSD – CDS/PP – os executores das políticas governamentais, antipatrióticas e desumanas, seguidas em Portugal nos últimos 30 anos ou mais, debaixo das patas da União Europeia e da Alemanha em especial.

Políticas desastrosas e que tais partidos ameaçam continuar a aplicar, sem dó nem piedade, embora, agora, na caça ao voto, nos venham mentir ainda mais – esses três partidos do “arco da tróika” – do que aquilo que têm mentido ao Povo Português em vésperas de eleições (e não só).

E a “marcha (muito) lenta” deixou já reivindicações concretas para o próximo governo… Sim, foi oportuna.

PSD local sem coragem política tenta fugir às suas responsabilidades

Na verdade, o PSD local nunca mais atina. Não é que seja mau para o Concelho um tal desatinanço mas, às vezes, até impressiona os adversários pela falta de visão ou pela falta de coragem políticas. Como voltou a acontecer desta vez com a “marcha lenta”.

Engendrou, o PSD, uma tentativa de justificação para o facto de não ir participar nesta iniciativa. Não convence ninguém. Apenas tentaram dar cobertura política local aos desmandos do PSD em vários (des)governos com destaque para o actual.  Sim, que o PSD, mais o PS e CDS/PP, juntos ou separados, têm sido (des)governo há quase 40 anos seguidos. Isso é que não podem eles negar. Aliás, nós não nos esquecemos ainda daquela tentativa frustrada de fazer – o PSD local precisamente – uma “marcha lenta” em defesa dos IC…

Havendo coragem e honestidade políticas, não podemos condenar as más consequências – os sacrifícios e o sofrimento impostos ao nosso Povo – das más políticas dos governos centrais e, ao mesmo tempo, absolver, ainda que localmente, as causas e os principais causadores dos problemas.

Mais visão demonstrou o CDS/PP ou pelo menos quem o representou durante as intervenções finais junto ao Centro de Saúde.

Meus Caros Amigos:- o Presidente da Câmara – que teve a faca e o queijo na mão – entendeu convidar para a Manifestação e para usarem da palavra várias Pessoas de entre as quais representantes da CDU, do PS, do PSD e do CDS/PP. Eu acho que fez bem o Presidente da Câmara. Ele não quis monopolizar pessoalmente a iniciativa e não quis que o PS a monopolizasse. Uma iniciativa que, de facto, extravasou o âmbito meramente partidário até porque os problemas afectam todos, como foi dito.

Agora imaginem o que teria sido se CDU e CDS/PP e outras Pessoas não tivessem participado e usado da palavra…

1º – Colocavam-se à margem, por decisão própria, da resolução – em nova fase de reivindicação – de problemas dos mais sentidos pela População do Concelho;

2º – Deixavam o PS quase sozinho a monopolizar a iniciativa e a acusar todos os outros partidos de não terem participado. E digo quase sozinho porque é verdade que o Presidente da Câmara não tem alinhado cegamente pelas posições do PS como aliás demonstrou nesta “marcha lenta”.

Se o PSD tivesse participado, mobilizava muito ou pouco como quisesse ou pudesse. Mas teria falado. E, se quisesse, teria tido a oportunidade de lembrar que o PS de Sócrates e de Paulo Campos fizeram promessas mas estiveram-se borrifando para os IC dentro do concelho de Oliveira do Hospital… E que foi o governo PS/Sócrates que começou a fechar Postos Médicos e Extensões de Saúde em Oliveira do Hospital de entre mais coisas como, por exemplo, a Zona Agrária… Ah! E até poderia ter lembrado que foi o PSD (avesso a Mário Alves então Presidente da Câmara) que tomou a iniciativa de fazer aquela grande manifestação – foi uma grande manifestação – no mesmo local, há uns oito anos atrás, em defesa do SAP (Urgências) do Centro de Saúde quando o governo PS/Sócrates deu a entender que iria fechar as Urgências nocturnas e ao fim-de-semana.

Naturalmente que o PSD também teria de ouvir aquilo que os outros entendessem dizer-lhe. Como ouviu, e retorquiu (com ginástica verbal), o representante do CDS/PP que, honra lhe seja feita, foi ali dar a cara na concentração final frente ao Centro de Saúde, embora pretendendo dar só “meia cara”, digamos assim…

 A Saúde é um direito!  Não pode ser um alto negócio para alguns!

Da parte da CDU não houve papas na língua. A concentração até estava anunciada como sendo, também, uma “sessão de esclarecimento”.  Duas notas:

1 – Mesmo sem ter Deputados eleitos pelo distrito de Coimbra já lá vai demasiado tempo, o PCP e a CDU apresentaram anualmente várias propostas para se inscreverem verbas no chamado PIDDAC do Orçamento de Estado discutido e aprovado na Assembleia da República mediante proposta do governo. Verbas, por exemplo, para o Centro de Saúde, e Extensões de Saúde (Avô e Ervedal). Lamentavelmente, os três partidos do “arco da tróika” sempre votaram contra essas e outras propostas do PCP para o tal PIDDAC que, talvez por ser demasiado esclarecedor para os cidadãos, acabou por ser eliminado do Orçamento de Estado em 2011.

2 – PCP e CDU são “contra” a chamada “municipalização da saúde” – como aliás tem sido a ANMP, Associação Nacional de Municípios Portugueses.  Pois, apesar da pressão política e social, aceitar novas responsabilidades e competências seja na Saúde ou na Educação ou seja lá em que for, é deixar o adversário – a má política do governo central – mandar no jogo.  Será um mau “negócio” para os Municípios os quais, em conjunto com os respectivos Munícipes, virão a pagar a dolorosa factura, e mais cedo que tarde!

E nós até já temos exemplos em Oliveira do Hospital, neste caso com a “privatização” da Saúde. Consultas pelo Serviço Nacional de Saúde demoram muitos meses mas consultas pagas aos especialistas demoram apenas uma ou duas semanas. E, isto, dentro das mesmas instalações hospitalares e pelos mesmos médicos…

Portanto e para concluir, a manifestação de Sexta-Feira, 24 de Julho, cumpriu os seus objectivos e quando assim é…

Esperamos agora que o PS não pretenda monopolizar a constituição da “comissão de utentes do Centro de Saúde” que estará a ser formada. O Presidente da Câmara deve evitar que isso venha a acontecer… Para utilizar uma linguagem que ele bem percebe, seria deixar afunilar demais o jogo…o que só facilitaria a vida ao adversário…

O  PS esteve activo, é verdade. Mas não monopolizou como gosta. Sempre houve quem lembrasse as pesadas responsabilidades que o PS tem pelo estado a que isto tudo chegou, no País e também no nosso Concelho que não é um “oásis” imune. E sempre houve quem alertasse as Pessoas presentes que vêm aí outra vez as (falsas) promessas na caça ao voto para as eleições legislativas já marcadas para 4 de Outubro próximo…

Já gora, permito-me a reproduzir um comentário genial que um camarada meu (PCP) fez um dia na Assembleia da República quando PS e PSD faziam uma enorme gritaria, no âmbito da alternância governamental mas sem alternativa política, acusando-se mutuamente pelos malefícios causados ao País e aos Portugueses. Disse-lhes então esse meu camarada:- “ Está visto. O nosso País só poderá começar a sair da crise quando PS e PSD estiverem ambos, ao mesmo tempo, na oposição”…

 

janoAutor:  João Dinis, Jano

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