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E o inevitável aconteceu… derrota de Rodrigues Gonçalves e do PS

Assembleia Municipal ratifica decisão de destituição de António Lopes e ex-presidente promete manter o caso nos tribunais

A Assembleia Municipal (AM) de Oliveira do Hospital aprovou ontem a polémica uma ratificação da destituição de António Lopes de Presidente da Mesa da Assembleia Municipal, uma decisão que aquele órgão já tinha tomado 26 de Abril. A aprovação contou com 25 votos a favor, cinco contra três abstenções e três votos em branco. Uma deliberação que António Lopes continua a considerar ilegal, atitude igualmente defendida pelo deputado do CDS Luís Lagos que dirigiu algumas críticas ao líder da AM em exercício Rodrigues Gonçalves.

“O sr. Presidente começa mal. Para quem anunciou que ia falar pouco, falou muito e mal. O senhor acabou de dizer que foi tudo legal. Então o que há a ratificar? Não posso caucionar o que foi feito, por muito que discorde com o sr. Lopes. Votarei contra. O tribunal até pode vir dizer que foi destituído legalmente, mas não o foi politicamente. Não dignificámos o nosso cargo”, referiu o Luís Lagos, que antes vira Rodrigues Gonçalves apelar a todos aqueles que a 26 de Abril votaram contra ou se abstiveram, para desta vez repensarem a sua posição. “Espero que  façam um acto de contrição, para não continuar esta degradação. Espero que sejamos dignos nesta votação”, disse.

António Lopes manteve a sua posição e sublinhou, mais uma vez, que sabia estar politicamente destituído, mas repetiu que não aceitaria ver a AM, “o órgão mais representativo do concelho”,  enxovalhada. E questionou também a razão de uma ratificação quando anteriormente a maioria “só tinha certezas”. “Naquele dia tudo era tudo certo. Eu com a quarta classe a discutir com doutores dá nisto. Isto é político. Sou independente. O que tenho a dizer aos Oliveirenses é que continuo a pugnar pela democracia que nunca vi tão comprometida em Oliveira do Hospital. Sei que politicamente estou destituído. Legalmente vamos a ver. Disponibilizei-me para me sentar ali meia hora para ser demitido condignamente”, referiu. A maioria não aceitou, António Lopes prometeu, por isso, que irá continuar a lutar por todos os meios legais para provar a sua razão. “Quero dizer, para conhecimento da Assembleia Municipal, que vou continuar com o processo judicial”, frisou.

A ratificação da eleição da mesa foi aceite praticamente pelo mesmo número de votos, o mesmo acontecendo com a votação relativamente às deliberações tomadas na sequência da destituição e eleição da Mesa. Curiosamente, apesar dos números esmagadores da votação, a única voz que se ouviu a defender claramente a posição da maioria foi a do deputado Carlos Maia, do PS.

António Lopes questionou ainda o presidente da autarquia sobre algumas acusações que este fez em declarações a um jornal. Queria saber, por exemplo, quando e onde pediu a José Carlos Alexandrino o apoio para ser presidente da Câmara ou quem o anda a ajudar financeira mente. “É que não sei quem é e gosto de agradecer a quem me ajuda”, retorquiu António Lopes. Mas mais uma vez ficou sem resposta. O presidente da Câmara limitou-se a dizer que não estava ali para discutir “entrevistas nos jornais”. Mas o ex-presidente da AM insistiu referindo que não está “para ser enxovalhado”. “Mais uma vez o senhor Presidente não me respondeu sobre as afirmações que fez a um jornal. Só pretendo que diga aqui o mesmo demonstre a veracidade das suas afirmações aqui à frente de todos”, frisou. Mas não obteve sucesso. Alexandrino mostrou algum incómodo, mas permaneceu mudo quanto ao assunto, deixando o caso para os tribunais.

A Assembleia Municipal aprovou ainda os títulos Honoríficos do Concelho de Oliveira do Hospital, que irá atribuir as Medalhas de Ouro a Belmiro de Azevedo e as Medalhas de Mérito Municipal a Maria Adelaide Freixinho, Maria Teresa Serra, António Ferreira e, em abstracto, à “Costureira da Indústria de Confecção”.  Neste aspecto, António Lopes, que foi sempre um dos elementos mais interventivos, recusou-se a votar as propostas, mas deixou clara a sua posição. “Não vou votar. Mas não tenho nada contra quem está proposto e a votar votaria favoravelmente e com aclamação, embora com uma ressalva para o Belmiro de Azevedo que já terá recusado esta condecoração por duas vezes e portanto não me parece bem que volte a ser apresentado. Mas reconheço-lhe mérito”, disse.

António Lopes garante que nada tem contra festas e futebol, mas que diz que em primeiro lugar estão as pessoas necessitadas

O último ponto da ordem do dia que consistia no pedido de informação à Câmara Municipal sobre as taxas e tarifas do fornecimento público de água, recolha de saneamento e de resíduos urbanos. Um tópico agendado a pedido de António Lopes, alegando que os aumentos foram muito superiores aos que tinham sido apresentados em Assembleia Municipal, que acabou por se perder numa explicação técnica. Algo que não agradou a António Lopes que mais uma vez reclamou que não lhe foram entregues nem apresentados os documentos que pedira. “Preciso dos documentos para saber daquilo que estou a falar porque não gosto de falar sem fundamentações concretas”, referiu, acabando no final, depois das explicações técnicas, por dizer que sobre o assunto saía com a mesma informação com que tinha entrado.

Sobre os pontos em que estavam em causa a aprovação de subsídios, mais uma vez um dos protagonistas críticos foi António Lopes que censurou o executivo por atribuir verbas para iniciativas de festas e futebol quando existe gente em grandes dificuldades. Sem alimentos, medicamentos ou de colocarem condignamente os filhos na escola. “Aparecem aqui subsídios mas devem ser todos para festas. Eu também gosto de ir à festa da castanha, contudo, anda ai muita gente com fome e foi por essas pessoas que eu me comprometi. Não sou contra o futebol ou festas. Digo mesmo que mais vale construir um campo de futebol que uma prisão. Mas há pessoas a passar fome, sem medicamentos e temos de ter prioridades. O dinheiro não é elástico e deve ir para onde é mais preciso. Para os mais necessitados. Foi com isso que me comprometi com os eleitores”, rematou.

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