Home - Opinião - Monumento à Mãe: O enigma do “OPNI – Objecto Pousado Não Identificável”, ali, na Rotunda da “Oliveira do Hospital dos Pequenitos” … Autor: João Dinis Jano

Monumento à Mãe: O enigma do “OPNI – Objecto Pousado Não Identificável”, ali, na Rotunda da “Oliveira do Hospital dos Pequenitos” … Autor: João Dinis Jano

Vá lá, sabemos qual é esta Rotunda.  É um “calo” citadino, para voltear, na Av. Carlos Campos, próxima à Capela de Sant´Ana.  De pequena e apertada que é esta Rotunda enxertada em apertado traçado, foi baptizada de “Rotunda da Oliveira do Hospital dos Pequenitos” por analogia parodiada com a designação do complexo do “Portugal dos Pequenitos” em Coimbra.

Agora, a Câmara Municipal, ou alguém por ela, resolveu implantar, lá no meio, um alegado conjunto escultórico e acabou por implantar um enigma.  Chamamos-lhe de “OPNI, Objecto Pousado Não Identificável” que assim ficaria para quem para ele olhasse não fora a inscrição (Homenagem à Mãe) escrita na base do monumento…

Tal Obra foi sujeita a “inauguramento” hoje 2 de Maio de 2021, em cerimónia municipal abrilhantada pela Ministra da Coesão Territorial.

Supostamente, o conjunto escultórico, diz-se, pretende homenagear a Mãe Oliveirense e todas as outras Mães.  Se assim fosse, tratar-se-ia de uma homenagem justa e a louvar, pelo menos em abstracto.  Mas atenção, Mãe é Mãe e, por isso, merece o maior dos respeitos!

Opinar sobre arte, mesmo para especialistas atentos, é um perigoso exercício que pode tender para consagrar uma estética de regime, para moldar o gosto de cada um aos interesses do regime e seus mandantes.  É que, e como bem se diz, “gostos não se discutem”.   Daí que nós não pretendamos fazer uma crítica estética ao tal “OPNI”, colocado na dita Rotunda e que pretende ser uma Mãe com filho junto a Ela.

Mas não deixamos de o estranhar na sua, digamos que, contorcida imagem mesmo depois de o mirarmos e remirarmos com toda a boa vontade interpretativa.   Sim, que se vê lá? Que sobressai de facto?  Que sentimentos ou emoções nos desperta?

Fizemos estas perguntas mas deixamos as respostas para quem as quiser dar.

PS  local faz descarada manipulação eleitoralista da Arte e da justa valoração da Mãe.

Perante a Obra, a escultura, repete-se, não discutimos a estética enquanto resultado do acto de criação do artista embora tenhamos opinião.

Mas, isso sim, queremos interpretar o acto público que envolve esta encenação de hoje.

Chamamos a atenção dos Contribuintes para que esse conjunto escultórico custou à Câmara 50 mil euros!  Portanto, fica ali empatado muito do nosso dinheirinho público…

Na inauguração em causa, ouvimos hoje da boca do Presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que há já uns cinco anos atrás, ele tivera vontade de encomendar – precisamente a este mesmo autor – um escultura deste tipo para homenagear a Mãe.  Enfim, veio a concretizar essa vontade “apenas” cinco anos depois mas, por “curiosidade”, a seis meses das próximas eleições autárquicas.  Coincidências …

E para que se saiba, adiantamos agora nós, este mesmo autor do conjunto escultórico hoje inaugurado pela Câmara (PS) de Oliveira do Hospital, já foi Presidente da Distrital do PS na Guarda…já foi candidato PS em várias eleições…etc.  Pois então que pensar disto tudo? Tenham lá paciência.  Não vamos acreditar em que esta “encomenda” – o conjunto escultórico – a este arquitecto-autor aconteceu por mera coincidência… Não, não conseguimos ser tão “ingénuos” a ponto de acreditarmos nisso!

Ministra da Coesão Territorial reserva para si o trabalho mais eleiçoeiro.

Anotámos alguma contenção político-partidária que, quer a Presidente da Assembleia Municipal quer o Presidente da Câmara, tiveram nas suas intervenções embora o Presidente da Câmara mantivesse a sua tónica sempre procurada do sentimentalismo mas até isso hoje ele fez bem feito que o tema era propício.

Porém, na sua intervenção a fechar o acto do “inauguramento”, a Ministra da Coesão Territorial não hesitou em entrar na propaganda partidária.  Assim, referiu-se algumas vezes ao “senhor Presidente da Câmara e seu extraordinário Executivo”, nem mais nem menos, enquanto enumerava alguns exemplos de intervenção pública como em certos apoios sociais e quanto à acção do alegadamente “extraordinário Executivo” perante a pandemia…

Entretanto, e não nos estamos a queixar, não falou do IC 6…

Assim, a Ministra da Coesão Territorial procedeu ao trabalho mais eleiçoeiro, em favor do PS local, no âmbito daquilo que por aqui foi hoje dito – a seis meses das próximas eleições autárquicas…

De nossa parte gostámos muito de um singelo poema – mas também uma tocante homenagem a sua Mãe – que um Oliveirense, um popular (com 92 anos) ali ainda fez ler.

Aquele belo e mais popular momento fez-me pensar em que também o Povo Oliveirense merecia melhor que aquela cerimónia tão manipulada partidariamente pelo PS.

Manipulação dos mais belos e dos mais nobres sentimentos humanos.

Fazemos legitimamente notar que estamos em ano de eleições autárquicas e que o regime controlado pelo PS e seus principais representantes precisa de inaugurar seja lá o que for.

A pretexto do “Dia da Mãe” e do conjunto escultórico inaugurado, hoje, dia 2 de Maio, o regime PS fez juntar os “compadres, e comadres, da política” da rede de correligionários PS no Município, na Região e no Governo.  E mais uma vez cá trouxeram a governamental parceira “de estimação”, a Ministra da Coesão Territorial.

E até “inventaram” aquela de exibirem, no acto desta inauguração, algumas Mães embora quase todas conotadas com o PS.   Ao procederem assim, os “espertos” do PS local até parece que querem fazer-nos de parvos para acreditar que quase não haverá Mães noutros partidos e, mesmo, que quase não haverá Mães sem ligações partidárias…

Claro que, é sabido, evocar a Mãe (e os Filhos) proporciona momentos de grande intensidade pois despoleta em nós sentimentos dos mais nobres e mais belos, e também dos mais tristes para quem já perdeu a Mãe e já perdeu Filho(s).

A propósito do que hoje aconteceu, queremos dizer que respeitamos plenamente esses sentimentos e a forma como ali foram expressados por quem ali os expressou.  Chegou a ser comovente.  Mas é exactamente por isso que, ao mesmo tempo, não podemos deixar de lamentar a manipulação programada desses sentimentos e emoções por parte dos organizadores (PS) da inauguração.

Sim, vamos enfatizar, é mais um abuso eleiçoeiro e antidemocrático com que o PS local pretende manipular sentimentos dos mais nobres e preciosos – como a umbilicalmente afectiva e insuperável valoração da Mãe – e fazer pré-campanha eleitoral à custa do erário e das instituições públicas – Câmara e Governo.

Cada um que fale por si.  Mas, repete-se, perante o abuso do PS, eu não alinho no coro.  Sim, a Mãe merece muito melhor!  Ouso mesmo afirmar que me sinto obrigado a salvaguardar a memória de minha Mãe perante esta encenação eleiçoeira!

Sim!   Homenagear a Mãe merecia e merece melhor!

Já dissemos que o conjunto custou 50 mil euros.  Bastante dinheiro municipal envolvido.       O artista-autor e outros mais auferem contra-partidas pelo trabalho que não são obrigados a trabalhar de graça e não obrigaram a Câmara a encomendar-lhes o serviço.

Queremos afirmar que no nosso Município temos um Oliveirense que, em nossa opinião, é um dos melhores artistas regionais a trabalhar a pedra como já o foi a trabalhar a madeira e, ao mesmo tempo, não é careiro.  Porque não foi ele convidado para este trabalho?  Está fora do País?  Não é militante do PS?

E será que houve algum “concurso de ideias” para apurar consensos para o projecto a concretizar?   Ou não tendo havido, quem fez impor os seus gostos na matéria?  Deu um produto que prossegue as linhas materiais – ferro – aço – chapa – de conjuntos escultóricos anteriores.  Mantém, assim, a base de uma matriz verdadeiramente “de regime”, o que é lamentável.

Caso tivesse havido algum “concurso de ideias” ou se, tendo havido, tivesse sido devidamente publicitado, nós próprios teríamos concorrido.

Ou seja, é necessário democratizar a arte em Oliveira do Hospital.  Temos que sair do círculo asfixiante e antidemocrático deste regime parasitado partidariamente, e não só, pelo PS!

Fim à “estética de regime” !   Fim, à manipulação eleiçoeira da Arte!

Democratize-se e respeite-se a Arte também em Oliveira do Hospital!

 

 

 

 

Autor: João Dinis, Jano

 

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