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João Paulo Albuquerque

Não foi a batalha de Zela, mas o pleito do zelo

Em 47 A.C., o cônsul Júlio César enviou ao senado romano a mensagem “Veni, vidi, vici” descrevendo sua recente vitória sobre Fárnaces II do Ponto na Batalha de Zela. A frase serviu tanto para proclamar o seu feito, como para alertar os senadores de seu poderio militar, isto numa altura em que Roma passava por uma guerra civil.

Esta expressão latina assenta como uma luva para definir a atitude de António Lopes relativamente às intervenções que proferiu na última Assembleia Municipal e ao retorno que teve por parte do elenco governativo liderado por José Carlos Alexandrino, que não foi capaz, mais uma vez, de responder às perguntas que lhe foram colocadas.

Fiz por estar presente na última assembleia municipal, porque, assim como qualquer munícipe, tinha interesse em saber se era desta que seriam explicadas as contas da água e saneamento, assim como das Expoh’s, dos queijos e outras. Tinha também a esperança de ver aclaradas as situações das fundações, como as BLC’s, da ADI, da ADESA, etc. No entanto, mais uma vez, vim como entrei: sem qualquer resposta ou explicação.

Não fiquei surpreendido ao ouvir um presidente de junta dizer que pondera deixar de marcar presença, pois a assembleia municipal está completamente desvirtuada, não fazendo qualquer diferença aos eleitos estarem ou não presentes, levantarem ou não questões, uma vez que as respostas são inócuas ou inexistentes, estando ainda obrigado a ouvir os dislates incendiários do presidente da mesa. É com tristeza que afirmo isto, mas a Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, tornou-se uma reunião de pessoas que não traz qualquer valor acrescentado ao concelho. Que não dá respostas às perguntas. Que desistiu de questionar. E que já não consegue disfarçar o mal-estar que se instaurou pelas inconsciências que se vêm a cultivar e a fomentar na defesa das irresponsabilidades cometidas pela equipa camarária, claramente assistida e assessorada pelo grupo socialista que, legalmente sufragado, tomou conta da política, das instituições e da sociedade oliveirense.

Esta assembleia contou, no entanto, com significativas mudanças de atitude, tendo na pessoa do primeiro eleito, António Lopes, o epicentro de um tsunami fiscalizador que arrasou por completo o executivo camarário e cilindrou o presidente da câmara. José Carlos Alexandrino nunca mais se descolará do rótulo de incompetente que António Lopes lhe colou na lapela, usando, entre outros, a confusão documental que a edilidade apresentou e, acima de tudo, a falta de respostas que, pela terceira vez consecutiva, teima em não lhe dar, contrariando a lei e negando a democracia.

Sem capacidade para explicar os factos, Alexandrino optou mais uma vez pela trica e intriga. Acusou a oposição, e, diga-se, que a oposição não vai além de António Lopes, de sentirem por ele uma zelotipia desmedida e uma inveja desmesurada por ser, entre outas coisas, convidado para um programa televisivo. Ao que chegamos. Temos de ouvir que os problemas de Oliveira não passam de inveja e quem sabe de “mau-olhado” lançado ao Sr. Presidente da Câmara. Isto leva-me a concluir que a próxima assembleia, o autarca contará com o apoio de astrólogos e cartomantes para responder às questões que ele e a sua equipa não têm conseguido esclarecer.

Estes esclarecimentos não são necessários para certos deputados. Consegui ouvir que para alguns basta a palavra do Sr. Presidente da Câmara. A sua palavra é, para eles, uma “escritura”. No entanto, é conveniente saberem que a água já vai com dez escrituras e com tendência a aumentar. A Expoh com três ou quatro, mas rasuradas. E, no resto, nem escritura nem palavra. Digamos que está uma página em branco, sem saberem o que escrever. Notei também que dois documentos levantaram dúvidas. Outra “escritura”, esta elaborada pelos serviços camarários (mas sem a palavra do Sr. Presidente). Com a devida distância, parecem-me correctas as contas apresentadas. Não acho que haja relacionamento entre os dois documentos, reportando-se cada um, a um determinado período de tempo. No entanto, o Sr. Presidente da Câmara remeteu para um funcionário que por ali se encontrava, mas que não eram aquelas as suas funções, a explicação pretendida. O funcionário explicou que devíamos simplesmente ignorar o documento mais antigo, pois o ultimo é que era o actual, o que me parece um erro crasso. Mas, enfim, é a tal “palavra” do Sr. Presidente que funciona como uma “escritura”.

Mediante estas situações concretas, que passam ao mais alto nível da responsabilidade autárquica, dá para fazermos uma ideia de como anda a contabilidade camarária e a credibilidade que devemos ter nas contas que nos apresentam das festas, das feiras e dos futebóis, mesmo que, para alguns que representam o povo que neles votaram e neles acreditaram, baste o palavreado do Sr. Presidente da Câmara.

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