Home - Outros Destaques -  “Não podendo ser a CDU, a melhor solução para o concelho de Oliveira do Hospital seria a vitória do PSD/CDS-PP….”

 “Não podendo ser a CDU, a melhor solução para o concelho de Oliveira do Hospital seria a vitória do PSD/CDS-PP….”

O empresário António Lopes foi um dos principais mentores da candidatura que, em 2009, levou José Carlos Alexandrino à presidência da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. O próprio António Lopes foi eleito para liderar a Assembleia Municipal. No início do segundo mandato, quando o PS conseguiu a maioria absoluta, porém, abandonou o projecto e tornou-se um dos maiores críticos da governação socialista. “A maioria absoluta mostrou a verdadeira matriz daquela gente, que se mantém: o quero posso e mando. Com uma agravante: querem muito, podem pouco e mandam muito mal”, conta a dias de eleições que colocam um ponto final ao reinado de José Carlos Alexandrino, “o Deus Sol”, como lhe chama ironicamente António Lopes. Lopes diz que o actual candidato do PS, José Francisco Rolo, deixa o ainda presidente a quilómetros de distância, mas ainda assim confessa que o município oliveirense teria muito a ganhar com uma vitória do PSD-CDS-PP, por entender que o seu candidato Francisco Rodrigues “é de longe o mais bem preparado e aquele que melhor conhece os problemas do concelho”.

CBS – Como se sente no final de três mandatos e do reinado de José Carlos Alexandrino, o presidente que ajudou a colocar no poder?

António Lopes – Sinto a sensação de perdedor. Achei que estavam reunidas as condições para se fazerem os três mandatos consecutivos que a lei permite, um período suficiente para se fazer a diferença ou não. Objectivamente, para aquilo que prometemos em 2009, falando das prioridades, que era resolver os problemas dos esgotos e o IC6, foi um fracasso. Nestes 12 anos, resolveu-se metade do problema dos esgotos e há zonas que ainda não têm saneamento, mantendo-se fossas com mau funcionamento. O IC6 é uma coisa que existe, gostávamos de ter, mas não se sabe quando. O balanço do mandato mostra que foi um rotundo falhanço.

 “Este projecto (desenhado em 2009) juntava pessoas que, tal como eu, andaram descalças e estudaram à luz da candeia… Infelizmente as pessoas esquecem as origens muito depressa e aprendem ainda mais rapidamente os defeitos e vícios da política”.

O senhor chegou a elogiar os primeiros quatro anos socialistas, o primeiro mandato…

Sem falsas modéstias, e sem me querer pôr em bicos de pés, governou-se em minoria e tive alguma influência, até pelos apoios que tinha dado a várias instituições e freguesias do concelho. E sendo radical de esquerda, sou uma pessoa com uma grande capacidade de diálogo e com elevada cultura democrática. Sem nunca abdicar daquilo que penso, ouço e procuro convencer as pessoas com argumentos. Tento fazer valer a força da razão, não a razão da força. Como presidente da Assembleia Municipal dava o tempo necessário e equitativamente a todos, fosse o PS, o PSD ou a CDU. Não era um favor. Era o meu dever. Nos bastidores procurava que os membros da Assembleia Municipal não dificultassem a tarefa. Não foi só isso, mas esta postura acabou por constituir a maioria que não tínhamos e obrigou o PS a fazer uma gestão cautelosa e pseudodemocrática. E digo pseudodemocrática porque mal tiveram a maioria absoluta esqueceram-se desses princípios, o que a mim me desgostou e levou a sair. A minha linha foi sempre a mesma. No dia em que percebi que as pessoas tinham a maioria e que a cultura democrática era só para quando se está em minoria senti que não tinha condições para manter a mesma linha e, como me considero uma pessoa de bem, com princípios e valores, naturalmente abandonei o projecto. Alguém me lembrou que ou estava com o PS que me “acolheu” ou sabia qual era o meu caminho. Ora o PS nunca me acolheu e eu sempre soube qual era o meu caminho. Fui eleito independente. Sempre lhes tentei explicar o significado da palavra, mas não queriam entender.

O que o levou a aderir ao projecto desenhado em 2009?

Para que fique claro, aderi porque este projecto juntava pessoas que, tal como eu, andaram descalças e estudaram à luz da candeia. E para mim é isso que conta e não o rótulo partidário. Infelizmente as pessoas esquecem as origens muito depressa e aprendem ainda mais rapidamente os defeitos e vícios da política. A maioria absoluta mostrou a verdadeira matriz daquela gente: o quero posso e mando. Com uma agravante: querem muito, podem pouco, e mandam muito mal.

O problema é o PS?

Também. O PS não está preocupado com os interesses do concelho ou do país. Estão preocupados com os interesses pessoais de cada um. É confrangedor. Em Oliveira do Hospital, como em todos os concelhos de maioria PS, domina o amiguismo, o favoritismo e, especialmente, o nepotismo. Cheguei a dizer ao senhor presidente da Câmara que ele tinha quatro pessoas na família e todas estavam bem empregadas. Quero pensar que não foi só por mérito. Por isso lhe perguntava quantas mas famílias conhecia nessas condições?

Como tem visto a troca de acusações entre Francisco Rodrigues que apelida José Carlos Alexandrino de Don Corleone da Beira Serra e este a chamar Judas a Francisco Rodrigues?

Fiz muitas queixas à CADA a ao Ministério Público e, em minha opinião, em situações normais, ambos teriam muitas coisas para explicar. Pagava para ver. E o concelho só tinha a ganhar se essa discussão viesse para a praça pública. Por motivos óbvios, sei que não vai acontecer. Não vamos ter esse privilégio… e é pena. Aliás, quero pensar que é da falta dessa discussão que apareceu a candidatura do Chega. Quando o Alexandrino, na sua ingenuidade, e com vontade de agradar a todos, quis contratar o António José Cardoso (candidato do Chega), ao que me é dado saber o Francisco Rodrigues foi o grande opositor. Percebo porquê. A partir daí, o Cardoso, que faz o favor de ser meu amigo, confidente e o único que não me deixou na estrada, acabou por seguir o rumo em que hoje se encontra. Provou-me ser sério e vertical.

“Quanto à candidatura do PS, a lista está

 substancialmente melhorada. Estou em crer que a

 colocação do Nuno Filipe em número dois

será o abono de família desta candidatura.”

Quase parece querer dizer que é o melhor candidato…

Não. Não comungo, nem de perto, nem de longe, com as suas ideias políticas. Não lhe desejo sucesso político, mas merece um bom futuro pessoal e se depender de mim só não o terá se não puder. Convivo bem com a divergência política e aprecio a verticalidade das pessoas.

Qual a apreciação que faz aos restantes cabeças de lista?

Em 2009 defendia que o Francisco Rolo era o melhor candidato. Do ponto de vista político, sociológico e intelectual, Francisco Rolo deixa José Carlos Alexandrino a quilómetros de distância. Tem um problema que o condiciona: é, injustificadamente, a sua pouca auto-estima. Sente-se melhor em segundo plano. É essa ideia que tem passado nesta campanha e em quase todos os actos. É da natureza. Quanto à candidatura do PS, a lista está substancialmente melhorada. Estou em crer que a colocação do Nuno Filipe em número dois será o abono de família desta candidatura. Convidei-o para ser candidato a presidente numa lista comigo. Não se avançou devido à sua indisponibilidade, o que compreendo. A inclusão do Daniel Costa, que para mim foi uma surpresa pela positiva, melhorou muito, esta candidatura. Assumo que em 2009 não dava nada por ele, mas revelou-se uma mais valia e um quadro eficaz. Por isso, e por estas novidades, se votasse em Oliveira do Hospital, como sempre, votaria CDU. Como segunda opção votaria nesta lista.

Após todas as críticas, está a dizer que, afinal, o PS merecia o seu voto?

Naturalmente, o atrás exposto não me tira a lucidez, nem a equidistância. Considerando o candidato à presidência da Assembleia Municipal e o conhecimento de facto e efectivo do que é importante e essencial, considerando os dinheiros da “bazuca”, também não tenho, em consciência, nenhum rebuço em afirmar, tapando os olhos quanto à questão ideológica, de reconhecer que a melhor solução para o concelho seria a vitória do PSD/CDS-PP. Tenho dúvidas que em Oliveira do Hospital exista alguém que melhor que o Francisco Rodrigues conheça os problemas do concelho. Não me custa admitir que é a pessoa dentro da Câmara Municipal mais bem preparado, até porque foi ele que dominou toda a logística das candidaturas por parte da autarquia aos fundos comunitários. Este aspecto pode fazer toda a diferença no desenvolvimento do concelho. Quando fomos eleitos, Francisco Rodrigues andava com o Alexandrino pela mão a ensinar-lhe o B Á BÁ da gestão Municipal.

E quanto aos candidatos à Assembleia Municipal?

José Carlos Alexandrino se tivesse vergonha não se candidatava. Além do mais, ele não faz a mais pálida ideia do que é uma Assembleia Municipal. Nunca entendeu que é um órgão autónomo, com decisão própria, verbas próprias pessoal próprio. Como nunca entendeu que é competência da AM, da mesa e do seu presidente definir as necessidades do órgão. Para pedir documentos, fazer orçamento nomear pessoal achava que tinha que ser o presidente da Câmara a decidir…! Por isso dizia que eu queria fazer uma Câmara dentro da Câmara. Nunca entendeu que é a Assembleia que fiscaliza a Câmara e não o inverso. Aguardo com expectativa o desempenho. Estou convencido que o José Francisco Rolo, se vencer, vai ter mais problemas com o presidente, que o seu antecessor teve comigo. Não será agora que o Alexandrino vai deixar de querer ser “o Deus Sol”. Na outra lista temos o dirigente máximo de um partido com representação parlamentar, Francisco Rodrigues dos Santos, uma pessoa com outra preparação, que percorre os corredores do poder e está em contacto com as mais altas figuras do Estado. Já o Alexandrino fala com o Presidente da República quando este vem “a casa”. Não entendo como é que o PS se permite substituir a Senhora Engenheira Dulce Pássaro, que era melhor presidente da Assembleia Municipal que eu, por José Carlos Alexandrino. É algo de incompreensível.

 “Em 2013, o antigo presidente,Mário Alves, na qualidade de vereador,  levantou a questão de irregularidades na construção do campo de futebol. Não ligaram. Agora está construído e o FC Oliveira do Hospital tem de jogar em casa emprestada, porque aquele campo não obedece aos critérios da Federação Portuguesa de Futebol. Será possível dizer mais sobre a incompetência e desrespeito destes fulanos pelos dinheiros públicos”

É muito critico do Alexandrino que agora se despede da liderança do executivo…

E podia ser de outra forma? Não tem palavra, nem vergonha. Depois de tudo o que disse sobre o IC6 não entendo como não teve vergonha de se recandidatar. Está tão agarrado que, agora, até vai para a AM…! E não temos IC6 muito por culpa de José Carlos Alexandrino. Em 2013, o secretário de Estado Leitão Amaro comprometeu-se a trazer o IC6 até Oliveira do Hospital. Foi criada uma comissão constituída por elementos das Câmaras de Seia, Gouveia e Oliveira do Hospital, para articular com o Governo a solução do problema. Mas o narcisismo exacerbado, a inconsciência política e a sede de protagonismo, numa reunião em Seia, levou José Carlos Alexandrino, ignorando ou desconhecendo as competências do mandato que tinha, a exigir a construção do IC6 nem que para isso tivesse de ser constituída uma guerrilha e existir sangue. Ainda se reuniram as duas CIMs, mas o mal estava feito. O processo tornou-se irreversível. O Governo deixou cair a promessa. O mesmo se pode dizer do processo “revolucionário da saúde”. O senhor presidente, acabado de sair de uma reunião com um membro do Governo, não resistiu à sua tradicional sede de protagonismo, esqueceu mais uma vez as regras protocolares, segundo as quais o superior hierárquico é que se pronuncia, falou e destruiu o processo. O Governo mais uma vez deixou-o a falar sozinho. Deitou tudo a perder.

Uma das suas “batalhas” tem sido o comportamento do executivo em relação à prevenção dos incêndios…

Não entendo como é que o executivo de Oliveira do Hospital, o concelho que teve a maior área ardida e o maior número de mortos, não se demitiu. Pior que isso é continuar com o desleixo e incumprimento das leis. A lei 124/2006 obriga à limpeza dos terrenos e obriga a autarquia a substituir-se aos proprietários apresentando-lhe a factura. É que nem os 10 metros de cada lado, nas vias municipais, são respeitados. E pergunto, como é que quem tem um desempenho destes se apresenta como sendo a melhor solução nestas eleições? O Francisco Rolo tem totais responsabilidades. É o vice-presidente.

Tem sido um grande critico da BLC3…

Fui dos maiores apoiantes desse projecto, enquanto estava convencido que aquilo era um polo de desenvolvimento para o concelho e para a região. O problema é que se transformou num centro de negócios “para os nossos”, um sorvedouro de dinheiro público, esvaziando os cofres da Câmara, que tendo pago tudo, parece que já lá não tem nada…! Mais um polo da “Boyada” Naturalmente, alguém estará bem. Apresentei queixa na CADA que me deu razão, já o Ministério Público não entendeu assim. Mas a verdade é que o concelho continua à espera de resultados, nomeadamente do “pitrol verde” que nunca mais sai. Nem esse, nem outros resultados. Entretanto, perdemos a Caixa Agrícola e a gestão das águas e saneamento para empresas sedeadas em Seia. Mas sempre, ao que julgo saber, com José Carlos Alexandrino nos cargos dirigentes…! É muito “amor” pelo “meu Povo”

Também acusa este executivo de gastar demasiado em “festas e bola” …

E ainda por cima muito mal gasto. Em 2013, o antigo presidente, Mário Alves, na qualidade de vereador, levantou a questão de irregularidades na construção do campo de futebol. Não ligaram. Agora está construído e o FC Oliveira do Hospital tem de jogar em casa emprestada, porque aquele campo não obedece aos critérios da Federação Portuguesa de Futebol. Será possível dizer mais sobre a incompetência e desrespeito destes fulanos, pelos dinheiros públicos? Não me parece. Tivemos um executivo que gastou dez por cento em festas e bola e nem um estádio decente tem para a equipa mais representativa da cidade jogar. Mas temos, caso inédito no país, três campos relvados no espaço de 10 quilómetros e nenhum com as devidas condições. Como se pode classificar esta gestão? Podíamos falar da Expoh, em que cada vereador dá um valor de contas diferentes ou de uma feira do queijo quando não há queijo para vender. Entretanto, continua a faltar o apoio às famílias carenciadas para que os filhos possam prosseguir os estudos. Não se pode gastar tanto em festas e bola, quando esses recursos são necessários para o desenvolvimento, para apoiar os mais carenciados, ajudar na fixação de pessoas. Era isto que tinha em mente quando entrei no projecto, em 2009. Defendi o quanto me foi possível esses objectivos, mas aqueles que me acompanharam esqueceram-se rapidamente das suas origens e do desenvolvimento sustentado do Concelho. Reconhecendo que o Mário Alves tinha defeitos e muitos, a verdade é que tinha um sentido de Estado que nunca verifiquei em José Carlos Alexandrino. Refiro-me, por exemplo, ao respeito pelo erário público. Não estou arrependido de ter contribuído para a sua queda. Estou arrependido de ter contribuído para uma solução pior.

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